Apple

Apple: A que sabe provar do próprio veneno?

Durante quatro anos e 66 anúncios televisivos, a Apple fez pouco
da Microsoft e dos PC. A campanha “Get a Mac”, talvez uma
das mais conhecidas no mundo da tecnologia, tinha o nome de Steve
Jobs escrito por todo o lado. Entre 2006 e 2010, a Apple fez os
consumidores que compravam PC sentirem-se estúpidos. Ou pelo menos
tentou.

Quem diria que, apenas dois anos depois, a Apple iria estar do
outro lado? É um dos preços a pagar pelo sucesso. Por mais que Jobs
cultivasse a ideia de que a Apple era a proscrita, a força
desafiante, “os piratas”, a verdade é que o sucesso não
permite a nenhuma empresa ser ao mesmo tempo dominante e elitista.
Não se pode ter uma elite de massas.

Tal como a Apple cometeu injustiças nos seus anúncios “Get
a Mac”, também a Samsung assenta os seus anúncios em premissas
erradas.

Os primeiros, que surgiram a partir de Novembro do ano passado,
gozavam com os fãs da Apple, que passam horas em filas por um
produto alegadamente inferior. Ora, Samsung, se não fosse esse
“produto inferior” não havia Galaxys para ninguém. Nem
Tab, nem S, nem Note.

É um pouco desonesto copiar algo e depois fazer incrementos e
gozar com a base que o inspirou. Diga a Samsung o que disser, as
semelhanças entre o Tab e o Galaxy S com o iPad e o iPhone são
gritantes. Ninguém na fabricante sul-coreana teve uma epifania que
por acaso coincidiu com o design e funcionalidades dos produtos da
Apple, certo?

Mas os anúncios estão bem conseguidos. É claro que os fãs da
Apple tiveram reacções intempestivas, porque faz parte do culto da
empresa gozar com o mundo inteiro mas não aceitar ser gozado. Há
até um consumidor no anúncio que grita “Liberdade!” De
repente, recorda-nos de uma jovem loira que rebenta ecrãs com um
martelo… só que era 1984, e o anúncio era da Apple. Liberdade
contra a IBM, o bicho-papão da tecnologia da altura.

De tempos a tempos, há uma tecnológica que fica grande demais e
começa a deixar de ter piada. A Google é o novo “evil empire”,
o Facebook é o “big brother”.

No anúncio mais recente da Samsung, um teaser que prepara o
próximo lançamento, os fãs do iPhone são comparados com carneiros.
Comprar um Samsung seria distinguir-se do rebanho, do bando de
consumidores acéfalos que embarcam no conto do vigário da Apple.

Veja aqui o vídeo.

É aqui que a Samsung comete o maior erro. A fabricante
sul-coreana vendeu 35 milhões de smartphones no último trimestre de
2011; a Apple vendeu 37 milhões de iPhones. Não faz sentido nenhum
estar taco a taco com a Apple e ao mesmo tempo acusar os seus fãs de
carneiros, ovelhas ou outro animal pouco dotado em inteligência.

Isso é algo que uma empresa de nicho pode fazer. Não um colosso
empresarial que representa 20% do PIB da Coreia do Sul. A Samsung
combate o iPhone fazendo-se passar pela libertadora do jugo da
Apple.

O que a Samsung – e outros críticos – continuam a não dizer
é que a Apple é um sistema inteiramente fechado. Qualquer pessoa
pode viver sem usar um único produto da Apple. Há clones por todo o
lado. Ao contrário do que acontecia no pico do domínio do Windows,
em que as alternativas eram quase inexistentes, há tablets,
smartphones e leitores de música aos pontapés nas lojas.

Os consumidores simplesmente preferem Apple. Não há nenhum
statement nesta escolha, até porque os preços equivalem-se.
Preferem, e ponto. A Apple, com um único modelo de telemóvel e de
tablet, continua a bater a concorrência.

Mas que é delicioso vê-la a provar do próprio veneno, sem
dúvida. Até agora, a Apple não respondeu. Se Steve Jobs estivesse
vivo, esta “calúnia” não ficaria impune. Tim Cook tem é
mais em que pensar e não quer perder tempo a responder a anúncios
televisivos.

A resposta da Apple é dada hoje, nos anúncios de resultados,
quando descobrirmos se continua (ou não) a dar uma abada na
concorrência.

Jornalista

Escreve à terça-feira

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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