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Apple afunda. iPhone estagnou e Natal não será melhor

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Vendas do iPhone cresceram 0,5% no trimestre de setembro, mas o que fez tremer o mercado foi a previsão para a época natalícia

O primeiro dia de novembro foi mais assustador que o Halloween para os investidores da Apple. Nas trocas fora de horas, as ações levaram uma tareia e estiveram a cair mais de 6%, depois de a empresa ter anunciado previsões de vendas para o trimestre do Natal mais fracas que o esperado.

É tudo uma questão de expectativas. No quarto trimestre fiscal, houve vários indicadores positivos que deveriam ter sido suficientes para considerar este um excelente período. As receitas de 62,9 mil milhões de dólares cresceram 20% e os lucros saltaram 41% para 14,12 mil milhões, bem acima das expectativas. O preço médio de venda do iPhone disparou em relação ao que estava previsto e alcançou 793 dólares, o que é ainda mais notável quando comparado com os 618 dólares do ano passado. Foi por isso que as receitas do smartphone deram um salto de 29% para 37,1 mil milhões de dólares, apesar da estagnação das vendas.

De facto, é aqui que as coisas começam a azedar para os investidores. A venda do iPhone registou um crescimento de apenas 0,5% nos três meses findos a 29 de setembro, período durante o qual a marca só vendeu mais 212 mil unidades que no homólogo. Foram 46,88 milhões de iPhones este ano contra 46,67 milhões no quarto trimestre de 2017, apesar das novidades apresentadas no início de setembro.

Feitas as contas, a Apple voltou a ficar em terceiro no ranking mundial de fabricantes, já que a Huawei, que a ultrapassou no verão, obteve um aumento de 32,9% nas vendas, segundo os dados publicados ontem pela IDC. É certo que o mercado global recuou 6% e a Samsung teve um trimestre muito pior (quebra de 13,4%), mas este foi um crescimento demasiado parco para o gosto do mercado.

O pior, no entanto, foi que os investidores ficaram alarmados com o nível de receitas que a Apple disse esperar no trimestre do Natal, que é o mais importante do ano. Grande parte da conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados esta quinta-feira foi passada com o diretor financeiro Luca Maestri a explicar o porquê da baixa previsão. Segundo o responsável, a “erosão dos índices de confiança dos consumidores” é, em parte, responsável pelas previsões cautelosas.

A Apple espera faturar entre 89 e 93 mil milhões de dólares, sendo que os analistas esperavam no mínimo 92,9 milhões. Isto significa que o crescimento no Natal pode ser de apenas 0,7% a 4,4%, um nível muito baixo. E isso apesar do grande otimismo que circunda o iPhone Xr: a IDC diz que se trata de um modelo “muito popular” e cauciona que não entrou nas contas do trimestre, uma vez que só foi posto à venda a partir de meados de outubro.

Esse é outro motivo. O timing do lançamento dos novos iPhones foi diferente este ano, o que está a ser integrado na previsão para o trimestre. Depois, a Apple espera uma penalização de quase 2 mil milhões por causa de flutuações cambiais adversas. E ainda há isto: “Temos um número sem precedentes de produtos e embora a produção esteja a correr bem, há incerteza em relação ao equilíbrio entre a cadeia de fornecimento e a procura, além de enfrentarmos alguma incerteza macroeconómica em mercados emergentes.” Brasil, Turquia, Índia e Rússia poderão não correr tão bem quanto expectável, avisou o CEO Tim Cook.

iPad e Serviços desapontam

Os números do tablet também não seduziram ninguém nesta apresentação de resultados. As vendas caíram 6% e as receitas 15%, abaixo do que os analistas esperavam. Também nos serviços, que foi uma divisão recordista nos últimos trimestres, as receitas de 9,98 mil milhões (crescimento de 17%) desapontaram. Já o Mac ficou acima do previsto, com as receitas a crescerem 3% para 7,4 mil milhões.

O refrescamento das linhas do tablet e do computador, apresentado na semana passada, pode ajudar nas contas do trimestre do Natal. Mas, por agora, Cook e Maestri preferem ser cautelosos, e só isso deixa o mercado nervoso. Desvantagens de ser uma “trillion dollar company”.

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