As melhores frases de Vítor Gaspar

Vítor Gaspar
Vítor Gaspar

Gaspar recusa culpas na crise política. Esta é umas das muitas
ideias que se destacam no livro “Vítor Gaspar”, por Maria
João Avillez.

Mas ao longo de quase 400 páginas, o ex-ministro das Finanças
fala sobre os principais factos e protagonistas dos dois anos em que
esteve no Governo de Pedro Passos Coelho.

Aqui, algumas das frases mais fortes:

Sobre Paulo Portas e a crise
política de julho de 2013:

Para fechar
“atempadamente” a sétima avaliação “era preciso um
mandato político que permitisse esse encerramento” “Esse
aspecto, como aliás já intuiu, não está explícito na carta, mas
tornou-se absolutamente claro em menos de 24 horas, no comunicado em
que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros (MENE) [Paulo
Portas] apresenta a sua demissão.” (p34)

Leia ainda o que Gaspar diz sobre as pessoas com quem conviveu no governo (aqui)

“Está claríssimo nesse comunicado que existe a vontade de
promover uma alteração de rumo e que – digamos – o motivo usado no
comunicado para justificar a demissão do MENE é que a minha saída
não terá sido usada, dada a identidade da pessoa escolhida para me
suceder – a Dr.ª Maria Luís Albuquerque -, para fazer uma inflexão
política. O que claramente mostra que há uma diferença de conceção
sobre esta fase do programa de ajustamento e a orientação política
adequada neste contexto.” (p34-35)

Leia ainda o que Gaspar diz sobre si mesmo (aqui)

“Os mercados não foram […] motivados por pessoas,
episódios, frases, palavras, mas pela declaração de uma crise
política” (p41);

“Conhecia Paulo Portas como
personalidade pública, como toda a gente. Acompanhei a sua carreira
de jornalista. Uma pessoa com um enorme talento para a comunicação
e grande ambição política” (p241-242)

O
sétimo exame não foi concluído “atempadamente” “por
razões relativas à gestão do processo político. Logo, as
conclusões a tirar de um adiamento motivado por tais razões eram
também elas políticas. Não havia sobre isso qualquer espécie de
dúvida. A posição negocial do ministro das Finanças fora
internacionalmente diminuída. Estava diminuída a sua capacidade de
representar de forma eficaz o país” (p338)

“Não se trata tanto de saber quais [razões] eram, mas de
sublinhar que tais questões políticas interferiram de forma
operacional com o meu trabalho.” (p338)

Exatamente quais? “Não preciso, não quero e não vou
comentar isso.” (p338)

“O único ponto importante para mim é que, de facto, a
[minha] saída fora profissionalmente preparada e, naquelas 24 horas,
o seu impacto foi muito pequeno nos mercados. A reação dos credores
oficiais foi de grande tranquilidade. O anúncio da nomeação da
Maria Luís Albuquerque foi muito bem recebido.” (p341)

“A saída de Paulo Portas e o impacto que teve nos mercados
mostra a força e a relevância da política. A centralidade da
política é patente naquele momento.” (p342)

“Com a descida dos preços das obrigações portuguesa e a
subida das taxas de juro. O preço das OT a dez anos cai 6% na
sequência da divulgação do comunicado de Paulo Portas. Com a
manifestação da crise governamental, as taxas de juro a dez anos
ultrapassam os 7% no dia seguinte ao anúncio.” (p342)

Sobre como via a crise:

“Pensava
que a crise afetaria de forma muito significativa países da Europa
central e oriental. Em 2007 não pensava que a vulnerabilidade se
viesse a centrar na área do euro”. (p197)

Sobre a
Grécia: “A Grécia violou de forma repetida o dever de
respeitar a verdade no reporte estatístico da situação orçamental”
(p200)

Sobre Merkel e Sarkozy:

“A regra proposta por
Merkel e Sarkozy [possibilidade de imposição de perdas a credores
privados em futuros resgates] faria sentido num barco desenhado de
novo, mas introduzi-la em plena crise era abrir um rombo no casco”.
“É uma proposta radical.” (p203)

Sobre o futuro da
Europa: “Não antecipo uma federação europeia durante a
minha geração.” (p208)

Sobre os erros:

“Um
fracasso é pior do que um erro.” (p210)

Sobre os
políticos:

“Confrontado com a pressão de múltiplas
eleições, preocupado com a sua popularidade junta da opinião
pública, o político é tentado a adiar sem nunca haver, em cada
decisão de adiar, a consciência do efeito desse gesto. O problema
não é só português.” (p211)

Sobre José Sócrates:

“O
sistema político português agiu como se ignorasse os riscos e
colocou os portugueses em situação de risco iminente.”
(p215)

Sobre os sacrifícios pedidos:

“O ajustamento
num país só é bem-sucedido se esse país quiser. Não poderia ser
bem-sucedido em Portugal se os portugueses se recusassem a ajustar.”
(p237)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS. Fotografia:  Pedro Rocha / Global Imagens

PS quer acabar com vistos gold em Lisboa e no Porto

O ministro das Finanças, Mario Centeno. Fotografia ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Finanças. Défice foi de 599 milhões de euros em 2019

João Paulo Correia, deputado do PS. MÁRIO CRUZ/LUSA

PS avança com aumento extra das pensões mas a partir de agosto

As melhores frases de Vítor Gaspar