Texas

Austin City Limits. O maior festival de música de que nunca ouviu falar

Os The Killers fecharam o último dia do Austin City Limits [Imagem: Candice Lawler/ACL]
Os The Killers fecharam o último dia do Austin City Limits [Imagem: Candice Lawler/ACL]

Quase meio milhão de festivaleiros, 130 bandas, perto de 300 milhões de dólares de impacto. Este é um festival para pôr na agenda

Enquanto os The Killers rebentavam o palco principal com uma explosiva cover de “American Girl”, em homenagem a Tom Petty, os Gorillaz entravam em cena do outro lado do parque, obrigando os espectadores a escolher entre as duas bandas que lideravam o cartaz no último dia do festival. O evento gigantesco, que acolheu mais de 225 mil pessoas no primeiro fim de semana, não decorreu no deserto da Califórnia como o Coachella nem no centro de Chicago como o Lollapalooza: foi em Austin, no coração do Texas.

É um dos maiores festivais dos Estados Unidos e vai regressar no próximo fim de semana com o mesmo alinhamento de luxo – Jay-Z, Red Hot Chili Peppers, The Killers, Gorillaz, Foster the People, The xx, Martin Garrix, Ice Cube, Chance the Rapper, Portugal. The Man e dezenas de outros artistas, do country à new wave. Tem proporções gigantescas e um retorno financeiro a condizer, que só no ano passado subiu 24% para 277,4 milhões de dólares. Este ano, a expectativa é de novo recorde.

Ao contrário do Coachella, a presença de marcas e patrocínios é muito visível – American Express, Honda, Miller Lite, HomeAway, BMI, Tito’s Handmade Vodka, Karbach Brewing Co. e Lifeway. Esta questão dos patrocínios é interessante, porque foi uma das dificuldades que o Rock in Rio teve quando tentou expandir-se para Las Vegas. Após a primeira edição em 2015, a segunda que estava prevista para este ano já não aconteceu.

Luxo texano

No primeiro fim de semana, muitos dos passes para o Austin City Limits esgotaram. O bilhete de um dia custa 100 dólares e o de três dias 255 dólares – bem abaixo dos preços praticados no Coachella, que são de 429 dólares para o passe de três dias. É nos VIP que o Austin City Limits ultrapassa o festival icónico da Califórnia: 1100 dólares para três dias, contra 999 no Coachella. Tem ainda uma outra categoria exclusiva, Platinum, que custa uns incríveis 3600 dólares por três dias ou 2000 por dias individuais, dando acesso a zonas exclusivas ao lado dos palcos para assistir aos concertos.

As condições são, por incrível que pareça, mais luxuosas que as do Coachella. Há água e cacifos gratuitos para toda a gente e shuttles à borla que transportam os festivaleiros do parque até à baixa de Austin, com filas que se desfazem em poucos minutos. As crianças até aos 10 anos entram sem pagar e têm acesso a um palco dedicado, Austin Kiddie Limits, numa zona que inclui fraldário. Isto porque são muitas as famílias a levarem bebés de colo para o festival. O Zilker Park, onde decorre o evento, tem um espaço gigantesco que permite estender toalhas de piquenique e levar cadeiras de lona, geladeiras com comida, bolas de futebol e brinquedos para os miúdos (à frente dos palcos há zonas para cadeiras e zonas livres de cadeira, como há na praia para os chapéus de sol). As multidões espalham-se pelos oito palcos e zonas de lazer e é possível chegar quase às barreiras laterais em cima do início dos maiores concertos, simplesmente porque ninguém quer assistir às performances sem se conseguir mexer.

Capital mundial da música ao vivo

O evento, que está na 16ª edição, é conhecido pelo ambiente descontraído e diverso. Espelha a tendência liberal da cidade de Austin, com festivaleiros de todas as raças e orientações, e tem uma componente artística e espaço para ativismo – da reciclagem a causas sociais. O Austin City Limits – festival inspirado num programa de televisão – foi um dos grandes motivos pelos quais Austin se tornou conhecida como a capital mundial da música ao vivo, juntamente com o South by Southwest, que decorre em março.

No entanto, esta designação não é meramente simbólica. Austin é, de facto, a cidade com mais locais de música ao vivo per capita do mundo. Nos anos setenta, era chamada de “segunda Nashville.” No final dos anos oitenta, criou uma comissão dedicada à música para impulsionar a indústria. A câmara designou a cidade “capital mundial da música ao vivo”, de forma oficial, em 1991. Há hoje 35 guitarras gigantes Gibson espalhadas pelas ruas de Austin e calcula-se que vivam e atuem na cidade cerca de 1900 bandas e artistas. Em média, há 100 locais com música ao vivo todas as noites, com entrada gratuita ou barata. É uma espécie de modo de vida.

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