BIG Big Brother

Não há dúvidas, estamos todos fartos. Chega! Quase ninguém lhe
escapou, mas já ninguém quer mais. Levaram tudo ao limite. Foram
longe de mais. Agora todos tentam fazer marcha atrás. Sim, já
ninguém aguenta mais uma justificação, um discurso, um argumento
ou apenas uma palavra que seja sobre austeridade. Talvez por causa
disso, o país parece ter fugido, quase todo, a refugiar-se no Big
Brother VIP.

Não era necessário espreitar os mais recentes estudos de opinião
feitos juntos dos portugueses para perceber o óbvio. A maioria está
a fugir da informação. Muitos ainda espreitam os noticiários ou os
cabeçalhos dos jornais, mas quase por medo e não por vontade. O
público português, tal como a maioria do público internacional,
está a rejeitar as notícias. O consumidor de TV e jornais quer cada
vez mais algo que o divirta, que o resgate da triste realidade. Quem
estuda o fenómeno percebe claramente que, para se conquistar
audiências ou leitores, tem de se vender cada vez mais ilusões. O
público quer é muito entretenimento… e ligeiro.

Se olharmos para as audiências de televisão em Portugal,
percebemos o estado de espírito do país. Quase dois milhões de
portugueses estiveram colados ao ecrã a ver o regresso do Big
Brother. Os números não mentem. Logo de seguida os portugueses
querem novelas, novelas e… mais novelas. Mesmo que no dia seguinte,
envergonhados, digam quase todos que nunca viram tal coisa.

Ler jornais já não é saber mais. As pessoas sentem-se confusas,
enganadas, traídas. A descrença do poder político, jurídico ou
legislativo também já chegou ao jornalismo. Os espectadores e os
leitores procuram desesperadamente respostas na informação, mas não
as encontram. A tarefa de informar é também cada vez mais difícil
de cumprir. Os alinhamentos dos jornais transformaram-se num rol de
medidas e mais medidas governamentais que ninguém entende e que
tardam em produzir efeitos. Seguem-se desfiles de críticas da
oposição que não consegue mostrar caminhos alternativos e ainda
comentários de antigos políticos com responsabilidades no pântano
em que nos encontramos.

Perante este cenário, quase ninguém hesita em procurar uma droga
de substituição. Desenganem-se os que ainda julgam que quem vê o
Big Brother, novelas e alguns subprodutos televisivos é apenas o
público sem estudos e sem possibilidade de escolha. Não! Mentira!
Quase 50% dos portugueses, desde agricultores a CEO de empresas,
estiveram horas a olhar para uma casa e para um barracão cheios de
conhecidos que ninguém conhece. Nada como dar circo quando o povo
não tem pão. Resultou no passado, porque é que não há de
resultar agora?

Pivô e jornalista da RTP

Escreve ao sábado

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