Criativos no Mundo

Chicago é o tipo de cidade de Luciana Cani. Muda-se em junho

Luciana Cani, Anthony Gibson e Steve Colmar
Luciana Cani, Anthony Gibson e Steve Colmar

Durante nove anos liderou a criatividade da Leo Burnett Lisboa, no próximo mês Luciana Cani muda-se para Chicago para liderar a Lapiz.

Chegou há nove anos à Leo Burnett Lisboa vinda de São Paulo. Luciana Cani, com uma costela portuguesa herdada do bisavô transmontano, era a diretora de arte mais júnior da agência.

Subiu à direção criativa executiva da Leo Burnett, comandando os destinos criativos de marcas como o banco BiG ou o angolano Banco Atlântico.

Naturalizou-se portuguesa e parte no fim de maio rumo a Chicago – vai ser a nova vice-presidente sénior e diretora criativa executiva da Leo Burnett Chicago, com responsabilidade pela agência Lapiz. Em Portugal, o até aqui diretor criativo Steve Colmar sobe a diretor criativo sénior da Leo Burnett Lisboa.


Luciana Cani chega à Lapiz em Chicago já com um desafio. Redesenhar a agência. “A Lapiz foi criada (em 1999) para servir a crescente necessidade de comunicação para o mercado latino nos EUA. Ultimamente tem atraído cada vez mais clientes que não têm como target apenas este nicho. É um momento muito interessante na agência, de transformação, onde o foco não estará apenas no mercado latino”, conta. “O meu desafio será repensar este novo posicionamento e adequar a agência aos desafios futuros.”

Allstate, Purina ou Turismo do México são algumas das contas trabalhadas pela equipa criativa da Lapiz (20 pessoas com três diretores criativos). “Em termos de dimensão é um pouco maior do que a Leo Lisboa, mas com clientes voltados para um mercado daquela dimensão”, diz. “Adoro o facto de ser tão multicultural e de estar num momento de rever o seu posicionamento. São desafios interessantes, há muito trabalho a fazer.”

Muitas das ferramentas já leva da sua passagem de nove anos por Portugal, “o grande salto na minha carreira”. Quais ao certo? “Toda a experiência de liderar uma equipa. Fiz profundas transformações no modo como trabalhávamos: acabei com alguns departamentos e com as duplas tradicionais copy-direção de arte; promovi uma maior flexibilidade e uma menor hierarquia.”

 

“Essa experiência de promover mudanças na estrutura é um trabalho que um criativo aprende quando assume esta responsabilidade. Hoje levo essa experiência somada à minha de criativa.” E não só. “Trabalhar numa agência num mercado com uma dimensão menor ensinou-me a ter flexibilidade. Encontrar soluções com menos orçamento é parte do dia-a-dia. Contar com menos infraestrutura também.”

Luciana Cani não é a única criativa que a partir da Leo Burnett Lisboa deu o impulso para uma carreira em mercados de maior dimensão. Anthony Gibson, CEO da LAP Agências de Comunicação, grupo que integra a Leo Burnett, Publicis e Arc, lembra que a subida de Luciana Cani na estrutura surgiu na sequência da saída em 2012 do então diretor criativo executivo Erick Rosa, que rumou a JWT no Brasil. Pela agência passaram nomes como Ricardo Cabaço, Leandro Alvarez, Horacio Puebla, “que saíram para grandes posições. Devia ganhar uma comissão”, comenta humorado.

A mudança de Luciana Cani começou a ser preparada há cerca de um ano. Anthony Gibson foi fulcral para esta mudança. Quando o desejo para novos voos começou a consolidar-se no coração, Luciana Cani bateu à porta do CEO. “Fui conversar com o Anthony e com algumas pessoas do grupo, entre elas o Mark Tutssel, diretor criativo global. Oportunidades dentro da rede começaram a aparecer. Até que alguns meses depois o Mark me recomendou para esta vaga em Chicago. Recomendou--me, não me colocou lá”, frisa. “Durante todo este tempo de conversas e entrevistas, uma das pessoas que mais me apoiaram foi o Anthony. Ele fez inclusive um skype com o meu chefe atual recomendando-me. Quem faria isso?”


Gibson justifica. “Se as pessoas na agência sentem que lhes são oferecidas oportunidades e que as ajudamos a obtê-las, isso tem um efeito positivo no ambiente.” Além disso, “a Luciana já tinha um reconhecimento, tornou o processo fácil”.

Sons da Tortura, para a Amnistia Internacional (shortlist em Cannes e um lápis no D&AD), Brochura Feita Inteiramente sem Energia (ouro no Eurobest) ou LX Type (prata no El Ojo) são algumas das campanhas sob a direção de Cani premiadas em festivais internacionais. A criativa destaca o reposicionamento do banco BiG e Maria&Luiz (para os teatros Maria Matos e São Luiz).

 

De Portugal leva também outras memórias. “O que mais me deixa feliz é que fiz tudo isso com prazer, com qualidade de vida, trabalhando com pessoas queridas, verdadeiros amigos. Talvez pela primeira vez na vida, consegui conciliar a carreira com o viver bem. Consegui fazer uma pós-graduação trabalhando. Escrevi um livro. Mantive sempre projetos pessoais ao lado do trabalho, viajei como nunca na vida! Até viver aqui não sabia muito bem como conciliar estes dois lados.” Saudades? “De tudo. Do clima ótimo da agência. De ir para Luanda nas reuniões do banco. De tomar meu vinho na Garrafeira Alfaia. Da luz que invade a minha casa todas as manhãs.”

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