Ciclistas urbanos: Mãe, sem mãos!

As bicicletas DryDrill
As bicicletas DryDrill

Que as há, há. E cada vez mais. As bicicletas, não as bruxas. Não acredita? Dê uma volta por Lisboa nas horas de ponta e certamente que se cruzará com vários ciclistas, que ao melhor estilo yuppie, fato e gravata impecáveis, pedalam vigorosamente em direcção aos escritórios.

Mas quantas são (as bicicletas), ao certo ninguém sabe. Porque um ciclista não precisa de qualquer licença e porque os respectivos veículos não estão registados em nenhuma direcção-geral de viação, não existe uma forma de se contabilizar o número de bicicletas nas estradas do país.

Mesmo assim, José Manuel Caetano, presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), arrisca uma avaliação: “Em 2009, o parque de bicicletas aumentou cerca de 10%. Em 2010, o aumento foi de 12% e, no ano passado, foi de 20%. Este crescimento é compatível com o número de associados da federação, que também têm vindo a aumentar. Hoje somos mais de 30 mil associados.” Como é que José Manuel Caetano chegou a estas percentagens? “Pela procura e vendas de bicicletas. A Decathlon diz que vende mais bicicletas do que bolas de futebol.”

Que não há, não há. E cada vez menos. O dinheiro, não as bicicletas. É a economia, pois claro. Será por isso que cada vez há mais ciclistas? Há muito que Tiago Coimbra usa a bicicleta como meio de transporte – ainda a austeridade e a troika não tinham chegado aos bolsos dos portugueses.

Mas o arquitecto de 37 anos, que tem cinco bicicletas, acredita que a situação económica pode ter motivado outros ciclistas: “A adesão pode ter sido suscitada pela crise e também pela preocupação ecológica que cada vez mais as pessoas têm.” Feitas as contas, a bicicleta não precisa de combustível e exige, no máximo, uma manutenção de 100 euros por ano.

Que as há, há. Mas eles não acreditam nelas. Nas colinas, pois claro. “Esse cliché já devia ter sido ultrapassado. A cidade é maioritariamente plana”, garante Tiago Coimbra.

Não é, portanto, preciso ser um Armstrong para se pedalar em Lisboa, garantem os adeptos, que se vão acumulando: “Todos os dias entra aqui um novo aderente”, diz Luís Venâncio, sócio da loja Pro Bike. Além das várias lojas especializadas, outros negócios complementares, como os Camisola Amarela (estafetas que a partir de 4,5euro fazem entregas de bicicleta), vão escalando as colinas – que para efeitos ciclomotores não existem e não são impedimento para irem aparecendo mais ciclistas em Lisboa.

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