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“Comida rápida, pagamento rápido”. As vantagens de pagar com cartão ‘contactless’

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A Redunicre acaba de lançar a rede de pagamentos ‘contactless’ no mercado português e espera uma expansão rápida do serviço, que é virado para poupar tempo nos serviços onde há grande afluência de consumidores.

Os cartões e os terminais têm um modo de tecnologia sem contacto que torna possível fazer pagamentos até 20 euros sem código PIN nem introduzir o cartão no terminal de pagamento.

Fernando Adão da Fonseca, presidente da Redunicre, explicou ao Dinheiro Vivo o que está por trás desta tecnologia e porque é que a Redunicre vai suportar os custos de substituição dos terminais de pagamento automático.

A Redunicre vai fazer
um investimento, ao absorver os custos das novas máquinas. Porquê?

É uma aposta em duas linhas. Uma aposta no futuro, porque vai nesse sentido, aliás estes
TPAs amanhã também trabalham com smartphones e telemóveis, o
princípio tecnológico é o mesmo. Sabemos que vai demorar algum
tempo, não vem tão depressa quanto muitas vezes se diz, mas virá e
portanto já estamos a apostar no futuro. Depois tem a ver com uma
postura estratégica da Redunicre, que é estarmos sempre disponíveis
e desejosos de arranjar boas soluções para os comerciantes e para
os consumidores. É uma solução claramente melhor para ambos,
embora para já limitada a um valor que não ultrapassa vinte euros,
por questões de segurança.

Quantos cartões
contactless existem em Portugal?

Neste momento já vai
acima de um milhão, e até ao fim do ano é possível que ultrapasse
os dois milhões.

A utilização ainda
está limitada, quais as expectativas para o resto do ano?

Penso que vai ser relativamente depressa, mas estamos a falar nas zonas onde são intensamente utilizados. Esta solução é particularmente
importante, por exemplo, na grande distribuição, em qualquer sítio
onde haja muita gente. Se o procedimento do pagamento
na caixa é de 15 a 20 segundos por pessoa, quando multiplicarmos
por muitas pessoas representa uma poupança de tempo significativa.

A rapidez é a grande
vantagem?

Nesta fase, é, a grande vantagem é a rapidez.

E numa fase posterior?

Virá quando tivermos esta tecnologia metida dentro dos telemóveis. Ainda há problemas
tecnológicos que ainda não estão completamente resolvidos.
Enquanto isso não acontecer, com todas as questões de segurança, vai
ser difícil.

Há quanto tempo estão
a preparar esta solução?

Estas coisas começam por ser discutidas com bastante antecedência, eu diria que há dois
anos, três anos que o assunto é falado. É preciso resolver uma
série de condições do lado dos cartões, para que eles funcionem
como deve ser, os terminais também têm de ser adaptados, têm de
ser depois autorizados, é um processo que tem custos bastante
grandes na fase de pré-lançamento.

Quanto foi o
investimento?

Ainda não consigo dar um
número. Isso tem a ver com a área da inovação, que faz parte do
trabalho normal, temos é números relativamente aos terminais, e
isso poderá vir a atingir valores muito elevados. No dia em que for
generalizado para todos os TPA em Portugal, vamos estar a falar de
milhões de euros de acréscimo de custo. Isto se a substituição
for feita à medida que os outros se forem tornando obsoletos. E isso
não vai acontecer. Vai ser mais depressa, porque os comerciantes vão
estar interessados e nós vamos responder favoravelmente a esses
pedidos.

Vocês vão suportar
esses custos?

Nesta fase, de certeza.

É um montante elevado?

São milhões de euros. Estes TPA são 10% mais caros. Poderemos estar a falar de qualquer
coisa como três milhões de euros só de acréscimo. Muitas vezes
não é isso que vai acontecer. Não é ter um antigo e substituir
por um novo e eu recebo o dinheiro do antigo e só tenho de pagar o
extra. Estes terminais custam mais de cem euros cada um.

Todos os bancos estão
dentro da rede?

Sim, tudo isto tem de ser feito em conjunção com os bancos, com os comerciantes, com os
sistemas. É um projeto piloto, que já tem um impacto no consumidor.
Agora sim, podemos dizer que a tecnologia está aqui. Os bancos já
estão todos disponíveis, mas é preciso ver que os cartões antigos
ainda estão em funcionamento. Não vai ser possível substituir tudo
de uma vez. Estamos a falar de vinte milhões de cartões que existem
em Portugal. Vai ser um processo gradual e nem toda a gente está
interessada.

Quando é alargado o
projeto?

Rapidamente. Daqui até ao fim do ano, nos sítios onde passe muita gente, onde haja fila para
pagar. Os restaurantes que estão nos centros comerciais são mais
interessados porque é aí que há uma afluência de pessoas ao mesmo
tempo. Comida rápida, pagamento rápido.

Não há acréscimo de
comissões?

Nada. Nesta fase os custos são para nós. Claro que há a expectativa de que isto venha a incentivar o uso de mais cartões. É uma aposta no volume. Mas
envolve um risco, envolve uma aposta. Para nós não faria sentido
oferecer um serviço que trouxesse um aumento de custos. A nossa
filosofia é desenvolver esta forma de pagamento numa perspetiva de
concorrência internacional. Nós somos capazes de aguentar qualquer
concorrência que venha do estrangeiro, porque temos as soluções a
funcionar bem e os comerciantes e consumidores satisfeitos. Estamos a
marcar essa posição.

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