China

Como a China transformou a propaganda em parques de diversões

Um dos frutos mais apreciados pelos chineses está neste museu
Um dos frutos mais apreciados pelos chineses está neste museu

Um parque de diversões dedicado ao comunismo é a nova atração da província de Wuhan, na China.

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Os “valores socialistas”, os “heróis nacionais do desporto” ou as “figuras de excelência do partido” estão entre as atrações do local que pretende encorajar os mais novos a juntar-se ao partido.

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Com forte investimento, o “turismo vermelho” é uma nova forma de difundir propaganda a Oriente.

As 29 faces e histórias de membros de excelência do partido comunista surgem pelo parque em placas de bronze, a par de 23 obras de arte que ilustram os momentos mais marcantes da história do Partido Comunista Chinês entre 1921 e 2104.

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Os campeões olímpicos produzidos pelo país são também homenageados, enquanto os ideais do socialismo são recordados ou ensinados: prosperidade, democracia, civismo, harmonia, liberdade, igualdade, justiça, lei, patriotismo, dedicação e integridade.

Para os mais pequenos, o parque infantil concebido sobre um mapa da famosa Grande Marcha, coberto de soldados vermelhos em cartão, apresenta uma zona onde podem jurar lealdade aos ideais e juntar-se à Liga Juvenil Comunista.

Segundo a BBC, as críticas sobre o parque não têm sido particularmente favoráveis. “Não está completo, faltam algumas estátuas de funcionários corruptos para os cidadãos poderem cuspir-lhes em cima”, apontou um utilizador de uma rede social. “Provavelmente, as escolas e as unidades de trabalho vão organizar visitas ao parque para lavar o cérebro às crianças e aumentar o sentido de identidade dos funcionários com o partido”, apontou outro.

Durante o ano passado, o governo chinês dispendeu 677 milhões de euros na construção de estradas e monumentos e na promoção do “turismo vermelho”, de acordo com a agência de informação oficial Xinhua. O momento atual é uma “oportunidade sem precedentes para o turismo vermelho na China”, segundo Wang Shumao, um responsável do Turismo daquele país, referindo-se ao aumento da procura dos turistas por locais históricos da revolução e da guerra contra o Japão. Além de contribuir para fortalecer o patriotismo e a ideologia vigente, esse tipo de turismo poderá ainda ajudar a combater a corrupção, na perspetiva do governo. “Pode ajudar a combater a corrupção quando nos apercebemos dos esforços dos soldados e aprendemos com eles”, explicou Wang.

Para os ocidentais, o museu será uma estranha atração, que não fica atrás de outros museus chineses. Por exemplo, um dedicado a um dos pratos mais famosos do Mundo – o Pato à Pequim -, que inclui fotos de Henry Kissinger e de Richard Nixon a degustar a ave na capital chinesa e modelos de barro que ensinam a preparar a iguaria. Outro exemplo será o museu da Melancia, um dos frutos mais apreciados pelos chineses, onde os visitantes podem saber tudo sobre a história e o cultivo do fruto de interior vermelho.

No ano passado, abriu um parque de diversões na província de Shanxi dedicado à “Vida em Guerrilha”, onde são encenadas cenas de guerra passadas e de onde partem excursões à província de Wuxiang, de onde são originários muitos dos antigos heróis revolucionários chineses.

No âmbito dos museus que, no entender do partido, ajudam a combater problemas como a corrupção, funciona o Museu da Polícia de Pequim, que funciona como alerta contra os diversos crimes de corrupção e das punições previstas no país. Alerta semelhante levou a que uma cidade chinesa tenha obrigado dezenas de funcionários públicos e os seus conjuges a visitar uma prisão para recordar-lhes dos perigos em que incorrem caso caiam na tentação de ceder à corrupção.

Em construção está, também, um parque dedicado ao malogrado Titanic, naufragado em 1912 devido ao embate de um iceberg, que será recreado na íntegra na província de Sichuan, num investimento que ascende a 140 milhões de euros. Recordando uma tragédia que os ocidentais considerariam, porventura, demasiado chocante para ter tema de parque de diversões, a estrutura inclui uma réplica em tamanho real do transatlântico, ainda que, adiantaram os investidores, esteja agora “adaptado às atuais exigências de segurança”.

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