Tecnologia

Como a realidade virtual ajudou a Samsung a vender mais Galaxy S7

Samsung apresenta novo produto no World Mobile Congress

Fotografia: Albert Gea/Reuters
Samsung apresenta novo produto no World Mobile Congress Fotografia: Albert Gea/Reuters

Vendas do novo topo de gama estão 20% acima do ano passado no mercado português. Samsung triplicou pré-vendas antes do lançamento oficial.

Uns dias antes do último Natal, a Samsung transmitiu ao vivo o mega concerto da banda portuguesa The Gift, no Meo Arena. Com câmaras da Immersive Media em vários pontos do palco e na fila da frente, a transmissão não foi feita para a televisão nem para a internet – foi para os novos óculos de realidade virtual Gear VR, que chegavam nessa semana ao mercado português.

Foi uma visão 360º de algo que a maioria das pessoas nunca poderá fazer, estar no palco com a cantora Sónia Tavares, e que serviu para demonstrar o potencial dos óculos. Agora, a Samsung está na próxima fase.

“Não posso garantir que nós este ano vamos continuar com estas experiências, porque vamos querer que o próprio consumidor capte esse tipo de imagens e partilhe na sua rede”, explica ao Dinheiro Vivo Tiago Flores, diretor de marketing de produto da Samsung Portugal.

Tiago Flores, diretor de marketing de produto da Samsung Portugal.

Tiago Flores, diretor de marketing de produto da Samsung Portugal.

Para isso, o utilizador precisa de três produtos: um smartphone Galaxy topo de gama, uns óculos Gear VR e a nova câmara Gear 360, que a subsidiária portuguesa vai lançar antes do verão. Os analistas esperam um boom da realidade virtual nos próximos anos, um mercado que poderá valer algo como 60 a 100 mil milhões de euros já em 2020, e a marca sul-coreana quer uma fatia do bolo.

“Os nossos resultados recentes são altamente positivos, porque fizemos o lançamento do S7 juntamente com todo o ecossistema de realidade virtual, que não é composto só pelo Gear VR mas também por uma câmara de captação 360”, resume Tiago Flores. Os clientes portugueses que fizeram a pré-compra do smartphone Galaxy S7, antes da chegada às lojas a 11 de março, receberam os óculos gratuitamente. E isso foi um dos motivos pelos quais as pré-vendas triplicaram em relação à série topo de gama anterior, S6, lançada na primavera do ano passado.

samsungedge

No primeiro mês de de disponibilização no mercado, a série S7 – o Galaxy S7 e o Galaxy S7 Edge – já estava 20% acima dos antecessores. É uma performance alinhada com o mercado europeu, de acordo com os dados da consultora Counterpoint Research, que aponta para 10 milhões de unidades vendidas no primeiro mês.

“Mudar o lançamento para o início de março foi uma excelente estratégia para a Samsung”, refere o diretor de pesquisa Jeff Fieldhack. “As operadoras e retalhistas estavam à procura de algo para impulsionar as vendas no primeiro trimestre, que é habitualmente mais fraco. A série S7 da Samsung assegurou a primazia em promoções, com pacotes muito atrativos que incluíram a oferta do Gear VR, de tablets e até televisões.”

Tiago Flores sublinha que o S7 é uma espécie de “best of” das características mais apreciadas pelos consumidores no S5 e S6: um mix entre o design, ecrã super AMOLED e carregamento rápido do S6 com a extensão de memória e resistência à água do S5. ”Foi o que alavancou as vendas”, diz o responsável. A sua promoção como “porta de entrada” para a realidade virtual também tem funcionado como fator diferenciador.

“O consumidor está com um apetite enorme por produzir conteúdo e partilhá-lo, e aqui tem a certeza que consegue aceder às três grandes componentes da realidade virtual, sem ser uma coisa complicada que às vezes inibe o desenvolvimento destas tecnologias.” É a resposta do executivo à questão sobre a concorrência: este ano chegam os três principais óculos de realidade virtual, Oculus Rift, HTC Vive e PlayStation VR. Mas o Gear VR, que custa 99 euros, é para ser usado com o smartphone, o que o coloca num patamar diferente dos outros – cujos preços vão dos 399 aos 799 euros e requerem ou consola ou computador de alta potência.

Leia mais: Samsung com lucros de 4 mil milhões graças ao S7

Câmara Gear 360 no Rock in Rio

Depois das transmissões ao vivo de clássicos como o F.C. Porto-Benfica e de concertos como o dos The Gift, a Samsung mudou de estratégia este ano. “A experiência da provocação que fizemos no ano passado foi para dar a conhecer o que é a realidade virtual. Agora é a possibilidade de o consumidor poder conceber e partilhar o conteúdo”, revela Tiago Flores. A primeira grande experiência que chegou às mãos dos consumidores foi o lançamento da câmara Gear 360 no Rock in Rio Lisboa, festival em que a Samsung foi patrocinador oficial. A data de chegada às lojas ainda não está definida, tal como o preço, mas os valores deverão rondar os 400 euros (nos Estados Unidos a câmara custa 350 dólares sem impostos).

Para já, antes dos consumidores, são as empresas que estão a fazer disparar os conteúdos gravados em 360º.

“Este ecossistema tem duas grandes vertentes: o consumo de conteúdos produzidos por outros através da loja Oculus, desde jogos, filmes e documentários à Netflix, que está a desenvolver uma plataforma 360º, e depois a experiência adicionada da gravação e partilha.”

Para já, antes dos consumidores, são as empresas que estão a fazer disparar os conteúdos gravados em 360º. “Temos tido muitas solicitações de produtoras e empresas que querem produzir conteúdo para mostrar a clientes os seus projetos de outra forma”, indica Flores. Entre os sectores mais ativos estão o da promoção turística e hoteleira e o imobiliário. A Vertigo VR Studios, por exemplo, apresentou em março a aplicação de turismo Porto VR360, para a Câmara Municipal do Porto, e a Mimicry Games é um dos estúdios portugueses que está a desenvolver para Gear VR.

“Há muita solicitação para o mercado empresarial, que precisa de vender o conteúdo de uma forma imersiva, e encontram nesta tecnologia uma vantagem e uma nova forma muito mais realista e fiel daquilo que querem vender”, resume o responsável da Samsung. “São pedidos que chegam quase diariamente.”

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