Família

Como ensinar o seu filho a ser feliz (e bem sucedido na vida)

Criança brinca sozinha

O bem estar das crianças não depende só da saúde física, nem apenas as boas notas escolares serão garante de um bom futuro. Quem é que os ensina a ser felizes?

Quem tem filhos aprende depressa tudo o que há a saber sobre alimentação, higiene, bons hábitos de sono e exercício físico. Mas o que ninguém se lembra é de ensinar aos pais como criar filhos felizes que, um dia, serão adultos felizes, realizados e bem sucedidos na vida. Por essa ordem.

A psicóloga Isabel Serrano Rosa escreveu um mini-guia de instruções que todos os pais devem ler sobre como criar filhos saudáveis e felizes, contrariando o problema crescente de depressões em crianças e adolescentes independentemente do contexto económico em que vivem.

A felicidade, explica a psicóloga, é uma sensação de satisfação com a vida, um sentimento associado ao otimismo. Não tem a ver necessariamente com o prazer, mas com uma sensação de bem estar psicológico semelhante ao que sentem os pais quando o bebé não chorou durante aquela noite.

“Educar, tal como crescer, não é um assunto demasiado divertido, no entanto podemos sentir-nos muito felizes por sermos pais”, aponta. De forma semelhante, “educar os filhos de forma positiva é um desafio que nos obriga a crescer com eles e a adaptar-nos à sua própria evolução”. Eis como fazê-lo:

1. Cultive as emoções
O mais importante é ouvi-los, sem negar, minimizar ou culpabilizar. Evite frases como “não entendo por que ficas assim” ou “isso é uma parvoíce”. Os problemas deles são grandes oportunidades para ensiná-los a encontrar soluções.

...nomeadamente quando os pais identificam onde as crianças costumam brincarAs emoções positivas ajudam-nos a avançar. Miúdos felizes e brincalhões exploram o mundo e deverão ter vocabulário emocional para nomear os sentimentos.
Faça o “Jogo dos Melhores Momentos” antes de irem para a cama. Cada um recorda os três melhores momentos do dia, incluindo os pais. Quanto relatarem um pesadelo, alterem a história e façam com que o sonho acabe com um final feliz.

2. Relações positivas
Há poucas coisas positivas que sejam solitárias e a solidão real ou percecionada é uma das situações mais incapacitantes para crianças e adolescentes, por isso é vital cultivar relações com os demais. A família ideal não deve centrar-se apenas em satisfazer as necessidades da criança, mas também nas relações positivas de todos os seus membros e isso inclui ensinar os mais novos a porem-se no lugar dos outros para desenvolverem a empatia – uma capacidade-chave para toda a vida.

Um estudo da Universidade de Michigan confirmou que as boas relações em casa favorecem a saúde e que 20 minutos por dia a cuidar dessas relações conferem mais saúde do que a correr numa passadeira.
Faça o “Jogo das Fadas e Dragões”, em que, à vez, a criança desempenha o papel de mago que representa a alegria e o progenitor faz o papel de dragão enraivecido. O jogo ensina a criança a lidar com conflitos e a expressar diferentes emoções.

3. Estabeleça e alcance metas
Conseguir algo a que nos propusemos depois de um grande esforço para o alcançar proporciona uma enorme satisfação e é importante fomentar metas nas crianças para que aprendam a tolerar a frustração que antecede o êxito. É importante que não lhes ofereçamos todas as soluções para os problemas com que se deparam, pois é importante ajudá-los a ganhar, mas também precisam de fracassar e aprender a superá-lo. Elogie de forma seletiva o esforço da criança, porque, como diz o psicólogo Seligman, “ao incentivar o triunfo barato, produzem-se fracassos muito caros”.
Faça o “Jogo do Conto Inventado”: o progenitor começa com uma frase e a criança continua com outra, repetindo-se a ordem das frases até construir uma história ao gosto de ambos.

4. Ensine a deixar passar o tempo
Quando estamos ocupados com alguma atividade em que o tempo passa sem darmos conta, é sinal que estamos suficientemente concentrados para deixarmos o tempo fluir e isso dá-nos bem estar e permite desenvolver talentos. Também as crianças têm momentos assim e os pais não devem interrompê-los. Esse tipo de brincadeira livre desenvolve a criatividade e a felicidade infantil. Os pais devem ajudá-los a cultivar o silêncio e a capacidade de estarem consigo mesmos sem interrupção.
Faça o “Jogo da Estrela”, que incentiva o “mindfulness”, a atitude calma que nos permite viver o momento presente: peça à criança que imagine que tem uma estrela no cimo da cabeça. Uma luz branca desce através da cabeça, atravessa os braços e as mãos, o tronco, as pernas e os pés. Pode ser feito mesmo quando são bebés, abraçando-os e respirando lenta e profundamente para que ouçam o som da respiração do pai ou da mãe.

5. Dê sentido ao que faz
Os adultos sabem que ser altruísta pode proporcionar muito mais bem estar do que o egoismo. Se a criança se sentir parte de algo maior do que ele próprio, como a família, um grupo, a escola, a cidade, o mundo, isso dar-lhe-á um enorme bem estar e um sentimento de segurança.
Faça o Jogo “Ser Amável”: pense em algo completamente inesperado e agradável que possa fazer por outro membro da família e incentive a criança a fazê-lo como uma oferta pessoal a esse membro da família. Oferecer gargalhadas também vale! Experimentem encostar costas com costas e tentar coçá-las um no outro, como fazem os elefantes.

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