Conheça o ginásio vertical que reduziu o crime numa favela de Caracas

Ginásio vertical no Barrio La Cruz em Caracas
Ginásio vertical no Barrio La Cruz em Caracas

Com 20 mil homicídios por ano, a capital da Venezuela é uma das cidades mais violentas do mundo. Uma vida aqui vale muito pouco, praticamente nada, numa cidade com seis milhões de habitantes onde a pobreza e a miséria imperam: 60% da população de Caracas vive em favelas.

Nos últimos anos, um forte investimento em programas sociais levaram a que a pobreza caísse dos 50% em 1999 para os 27% em 2011, segundo dados oficiais. Estes programas demoram anos a ter efeito e no terreno algo mais pode ser feito para ajudar a combater a violência causada pela pobreza.

Foi esta a ideia por detrás do pavilhão vertical, criado pelo atelier de arquitectura activista Urban Think-Tank, fundado em Caracas em 1993 e que hoje está presente em São Paulo, Nova Iorque e Zurique.

Este é um pavilhão multi-desportivo, onde se pode praticar várias modalidades no mesmo edifício com vários andares. Debaixo do mesmo tecto é possível ter uma piscina, campo para praticar vários desportos – futsal, basquetebol, voleibol -, uma pista de atletismo e um espaço para praticar artes marciais.

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Este é o ginásio vertical no Barrio La Cruz, em Caracas

O espaço recebe todos os meses 15 mil visitantes e pode ser montado em apenas quatro meses, garante a empresa. Dos mil metros quadrados que um pavilhão normalmente ocupa, a Urban Think-Tank quadruplica o espaço para os quatro mil metros quadrados, acrescentando vários pisos.

O resultado? Mente sã em corpo são, o que levou à queda de 30% da criminalidade no Barrio La Cruz, favela de Caracas, no espaço de três anos.

“Não podemos parar a compra, venda e o uso de balas. Mas podemos criar novos espaços, promover valores como fairplay, tolerância e a comunidade; onde os jovens competem no desporto e não em violentas lutas de rua”, diz a Urban Think-Tank.

Este exemplo reforça a ideia de que as cidades são espaços para os seus habitantes e não apenas locais para construir hotéis ou albergar sedes de empresas. Uma lição para as cidades portuguesas?

Leia também:Afinal o Estado é o maior inovador

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