Corrida ao investimento com “tanque de tubarões” à portuguesa

O editor da TechCrunch, Mike Butcher, está em Lisboa
O editor da TechCrunch, Mike Butcher, está em Lisboa

São 29 as startups portuguesas que hoje vão tentar levantar investimento na maior concentração de sempre de investidores em Portugal. O Lisbon Investment Summit, que começou ontem em Lisboa, tem a presença de fundos de investimento e capitais de risco que representam virtualmente fundos ilimitados: desde a Index Ventures à GSV Asset Management, que investiram em empresas como Facebook e Twitter.

As startups que hoje competem pela atenção dos investidores são as
participantes do programa de aceleração Lisbon Challenge,
organizado pela Beta-i. Destas, serão escolhidas 10 para um
road-show internacional em Londres, Boston e São Paulo. “São dos
maiores investidores a nível mundial, gerem biliões”, diz ao Dinheiro Vivo
Pedro Rocha Vieira, presidente da Beta-i . Estão presentes também
fundos de capital de risco de fases iniciais, que são menos comuns,
como a Connect Ventures.

Saiba mais sobre o Lisbon Challenge

“São investidores muito inteligentes e
que começam a olhar já para empresas portuguesas: alguns já
começaram a investir, ou estão a pensar investir em startups
portuguesas.” Phillip Moehring,
diretor europeu da rede Angel List, é um dos responsáveis por isso.
Veio a Portugal várias vezes nos últimos três anos e
investiu em perto de uma dezena de empresas portuguesas através do
fundo Seedcamp. “Há designers muito bons e fundadores cada vez
mais ambiciosos, o que é algo que mudou nos últimos dois anos.
Penso que isso é o que diferencia as startups aqui”, explica ao Dinheiro Vivo
o responsável.

O evento, que ontem
integrou a competição pelo prémio de 80 mil euros do fundo
português Smart Equity, reúne 480 pessoas de todo o mundo. “O
objetivo destas exposições é ter uma reunião. Levantar dinheiro,
fora algumas exceções, é um processo que demora entre três a 12
meses”, sublinha Pedro Rocha Vieira. Ou seja: esta é “uma
oportunidade única de poderem falar e apresentar os seus projetos a
investidores de topo que tipicamente não recebem estes projetos, são
muito assediados.”

Mas, diz Philip Moehring, o mais importante
destes eventos não é a exposição, ou “pitch”: é a confiança
e qualidade dos fundadores da empresa. “Na fase inicial, o
importante é a equipa e a sua capacidade de fazer as coisas
funcionar”, afirma, nem que seja apenas até ao protótipo. O
passado do empreendedor também é relevante: “Alguém que falhou
algumas vezes ou é um idiota ou é inteligente e está a tomar
grandes riscos, o que não é um problema.”

Além dos grandes
investidores, este evento tem a presença de dois dos editores mais
importantes do TechCrunch, Mike Butcher (Reino Unido) e John Biggs
(Costa Leste dos Estados Unidos). Biggs parece cético: “Existe um
certo cenário de empreendedorismo que se tornou popular na Europa.
Não digo que é tudo apenas cenário, mas nalguns casos é. É um
estilo de vida interessante.”

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