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Criativos no mundo.”A pressão é sempre alta, ideias medianas não são bem recebidas”

Bruna Gonzalez, diretora de arte da Ogilvy Paris
Bruna Gonzalez, diretora de arte da Ogilvy Paris

A história de Bruna Gonzalez na publicidade tem seis anos. Deu uma volta na sua carreira para encontrar o seu rumo: a publicidade.

Começou no marketing, passou pelos eventos, fez jornalismo de entretenimento e não sentia que era aquilo que queria fazer o resto da vida. Um curso mudou a sua vida. Descobriu que queria ser diretora de arte. Um prémio deu-lhe acesso a um festival, onde encontrou o head hunter que mudou, de novo, a sua vida.

Na Ogilvy de Paris é uma portuguesa entre 30 nacionalidades. Já fez anúncios para a Dove, ganhou um Leão para Think para a IBM, começou a realizar os seus próprios anúncios. Já consegue viver com a saudade, está a criar uma rede com as “suas novas” pessoas.

Leia aqui o testemunho de outros criativos pelo mundo: João Coutinho (Grey de Nova Iorque) e Paulo Martins (72andSunny), Vasco Vicente (Wieden + Kennedy de Amesterdão), Ricardo Adolfo (Ogilvy & Mather Japão), Susana Albuquerque (Tapsa Y&R Madrid), Miguel Durão (senior copywriter da Johannes Leonard) e Hugo Veiga (AKQA São Paulo)

Optaste por ir para o exterior. Porquê?

A ideia de ir “para fora” pairava na minha cabeça há alguns anos. No entanto o caminho entre o pensar e o fazer parecia gigante, senão impossível. Achava que não teria qualidades suficientes para o mercado internacional, tinha medo de falhar. Até que um dia no Eurobest em Lisboa fui apresentada a um head hunter internacional. Falámos, partilhei o meu portefólio, os meus medos e as minhas ambições. Um mês depois recebi uma proposta de trabalho para o departamento criativo da Ogilvy&Mather Paris.

Porquê Paris?

Não escolhi Paris, mas fiquei extremamente feliz por ter sido escolhida por esta cidade e especialmente por esta agência. Nem pensei duas vezes. Nem sempre a vida nos presenteia com estas oportunidades. Um facto engraçado: quando visitei Paris pela primeira vez disse “adorava viver nesta cidade”, e voilà! Cá estou. Vim sem ninguém, mas acompanhada de vontade de construir uma carreira e mais do que tudo de ser feliz.

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Como avalias a experiência até agora?

Estou no mercado publicitário há cerca de 6 anos. Mas comecei por outras áreas até me encontrar. Trabalhei no Marketing Cultural da Red Bull, fiz reportagens de entretenimento para canais da TV cabo e organizei eventos. Diverti-me e aprendi imenso, mas não me sentia completa. E não sabia porquê. Até que decidi largar o meu emprego e voltar a estudar. Sempre gostei de boas ideas, adorava os intervalos comerciais e podia passar horas a explorar coisas bonitas, blogs de design, livros de fotografia, exposições de banda desenhada. Disrupção sempre me interessou. Foi então que tirei o meu curso de direção de arte e descobri o meu caminho profissional.

O meu primeiro estágio foi na Fuel, com o Marcelo Lourenço e o Pedro Bexiga, todas a minhas bases criativas foram construídas com a sua ajuda. Para além de tutores tornámo-nos grandes amigos.

Foi nesta altura que descobri Cannes através da competição para jovens criativos da Lisbon ad School, eu e o meu ex-copywriter (e quase irmão) conquistámos o primeiro lugar e o prémio foi o acesso ao festival mais esperado do ano entre os publicitários. Foi das experiências mais inspiradoras da minha carreira e certamente determinante na minha vontade de alcançar mais e melhor.

Dois anos mudei-me para a BBDO, grande escola de pensamento estratégico e de resistência. Amadureci e fiz grandes amigos. Foi nesta altura que conquistámos o 2º lugar no festival Eurobest na competição de jovens criativos que me levou a conhecer o meu head hunter. E voltamos ao início: a proposta para a Ogilvy Paris.

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Como foi o confronto com a realidade da agência? Ou isto da criatividade é uma aldeia global e já não há choques culturais.

Fui super bem recebida na Ogilvy Paris, esta agência é um grande melting pot, mais de 40 nacionalidades, dezenas de contas internacionais e extremamente premiada em diversos festivais de publicidade. No entanto aqui a pressão é sempre alta, ideias medianas não são bem recebidas. E temos mais de 30 duplas criativas com quem “competimos” para conseguir os melhores briefings. Pouco a pouco fui conseguindo “dar nas vistas” e hoje em dia tenho um lugar num escritório separado do openspace e o respeito da direção criativa.

Mas o choque cultural não aconteceu nível profissional (porque tem diversas e diferentes nacionalidades), mas ao nível pessoal. É complicado começar do zero relações de amizade, fez-me e faz-me muita falta as “minhas pessoas”, a minha família, os meus amigos. E não há tempo suficiente num relógio que ajude a curar esta saudade. Mas pouco a pouco fui criando mais laços, relações que me fizeram evoluir enquanto ser humano, que me fizeram valorizar tudo o que tenho e o que quero ter. Depois de estabilizar o meu lado pessoal consegui concentrar-me na minha profissão.

Qual dirias que foi o ‘teu’ momento ? Há algum trabalho que – pela repercussão, gozo pessoal – destaques em particular?

Tive tantos momentos (e não necessariamente falando de sucessos), adoro o que faço e tento ao máximo divertir-me quando o faço. Mas posso dizer que o meu primeiro Leão em Cannes para a IBM com o projecto Think posters fez-me sentir super feliz. Dove Legacy acho que completou um lado humano no meu portefólio que eu precisava. E o mais recente trabalho que me deu imenso prazer criar e produzir foi para a Nestlé, um projecto chamado United for Healthier Kids criado para ajudar a combater a obesidade infantil no México. E conseguimos chegar a shortlist em Cannes este ano!

Conheça melhor o trabalho da diretora de aqui

Neste momento estou a começar a realizar os meus próprios filmes (juntamente com o meu copywriter Andrew Mellen): uma curta metragem da nossa autoria para a marca Corneto da Olá que deve sair na próxima semana e acabei de ter luz verde para realizar um filme digital que escrevemos para o desodorizante Impulse . Quase não tenho espaço em mim para tanta felicidade.

O regresso é algo que está lá no fundinho da mente ou já colocaste isso de parte?

Sim quero voltar. Portugal é e sempre será a minha casa.

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