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Criativos no mundo. “Na Alemanha ser latino ajuda”

Bruno Mota, diretor criativo na FCB Hamburgo
Bruno Mota, diretor criativo na FCB Hamburgo

Já mergulhou no fundo para colocar um outdoor a lembrar os mergulhadores da necessidade de protecção solar. É um dos trabalhos que Bruno Mota se orgulha enquanto director criativo da FCB Hamburgo.

Está há quatro anos na cidade alemã, no escritório da FCB que trabalha a conta global da Nivea, um dos maiores clientes globais da agência. “Por aqui passa o futuro de muitos paises”, diz.

Só trabalha Nivea, conta que ajudou a FCB a conquistar ainda estava na FCB Lisboa. Vencer o pitch ditou-lhe o destino: rapidamente rumou para Hamburgo, onde ser latino numa agência alemã tem, garante, vantagens. Dá-lhe jogo de cintura, perante os imprevistos que, por maior que seja a organização, acontecem na vida de qualquer agência, de qualquer país.

Leia ainda: João Coutinho (Grey de Nova Iorque) e Paulo Martins (72andSunny), Vasco Vicente (Wieden + Kennedy de Amesterdão), Ricardo Adolfo (Ogilvy & Mather Japão), Susana Albuquerque (Tapsa Y&R Madrid), Miguel Durão (Johannes Leonard), Hugo Veiga (AKQA São Paulo), Bruna Gonzalez (Ogilvy Paris), Frederico Roberto (VML Londres), Frederico Saldanha (Isobar Américas), Hugo Gomes (Kettle Cupertino), José Filipe Gomes e Pedro Lourenço (DDB Berlim), Daniel Soares (R/GA LA) e Nuno Pestana Teixeira (Crispin Porter + Bogusky, Boulder) e João Peixoto (dieckertschmidt Berlim)

Optaste por prosseguir a tua carreira no exterior. Porquê na FCB Hamburgo?

A minha primeira experiência relacionada com agências foi na Young & Rubican Lisboa onde comecei a trabalhar com o Edson Athayde. A partir daí colaborei com ele em diversos outros projetos (agências) até chegar à FCB Lisboa. Foi aí que tive oportunidade de trabalhar em alguns pitches internacionais, neste caso não pelas mãos do Edson mas sim pelo Luís Silva Dias que me ajudou bastante. Num desses pitches acabei por ajudar a FCB a reconquistar uma das contas mais importantes para a network (BDF), o que acabou por implicar muitas viagens e reuniões para a Alemanha, mais concretamente em Hamburgo. Tendo isto em conta, foi só uma questão de tempo até surgir a oportunidade de me mudar definitivamente para a FCB Hamburgo. A FCB Lisboa é reconhecida pela sua criatividade na network, o que certamente ajudou bastante a abrir as portas para vir a ser um dos diretores criativos em Hamburgo.

O que um ‘latino’ adiciona à criatividade alemã? Ou a origem geográfica pouco importa quando se fala de criatividade?

Na Alemanha ser latino ajuda. Os latinos normalmente são mais open minded quando aparecem imprevistos (normalmente isso é contra as regras da publicidade (e cultura) na Alemanha, onde tudo é planeado ao pormenor). Vindo de um desses países latinos onde nada ou pouco é planeado não existem imprevistos mas sim desafios, o que faz uma certa diferença aqui, mas Nothing can spot a good idea (nada pode parar uma boa ideia).

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Curiosamente, também muitos outros criativos porrtugueses rumaram à Alemanha. Quase que dava para fazer um braço português do Clube de Criativos local. Manténs contacto? Trocam experiências?

É verdade. A Alemanha tornou-se um destino apetecível para os publicitários, o que fez com que muitos portugueses rumassem a estas paragens. Sobre o ADC Deutschland, é como um Gentlemen club, com regras muito específicas de entrar (só por convite) o que não surgiu até a data. Mas infelizmente não tenho muito contacto com os meus colegas portugueses.

Como encaras o êxodo criativo que temos assistido nos últimos anos?

Tal como a FCB Lisboa, existem muitas outras agências criativas em Portugal. Esse facto potencializou a saída de muitos nomes para outros países pelo mundo fora, onde ainda hoje continuam a dar cartas.

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Nas duas últimas edições do Cannes Lions houve uma grande visibilidade para a criatividade feita por portugueses. Isso aumenta efectivamente o perfil da criatividade portuguesa como um todo, tornando os seus profissionais mais atrativos, ou é apenas com um feito pessoal?

Sem dúvida que a criatividade portuguesa (e os criativos) começam a ser vistos e reconhecidos, como se pode verificar pelas últimas edições do Cannes Festival. Esta é uma das montras do sector e nesse sentido e os portugueses têm-se destacado. Tem sido mais fácil aos portugueses destacarem-se fora de Portugal não por falta de talento mas provavelmente por falta de coragem dos clientes (e budgets). Trabalhar no estrangeiro também faz com que tenhamos de ser mais precisos (acabam-se as desculpas de não haver “verba” ou o cliente ser muito “conservador”. Tudo isto ajudou a tornar os profissionais portugueses mais atrativos. Mas o trabalho também tem uma dose de individualidade e ser reconhecido é sempre um feito pessoal.

Destes anos no exterior – pela visibilidade ou gozo pessoal – que campanhas destacas?

Destaco uma campanha The Nivea Undersea Billboard que deu-me muito gozo pessoal em fazer, não só pelo que ela trazia de novo (new media) mas também por tudo o que envolveu: Fazer um shooting debaixo de água não é a mesma coisa. Esta peça acabou por receber 2 shortlists em Cannes, foi destaque no ADFORUM como um dos mais inovadores cartazes de 2015 e votada um dos 5 anúncios do mundo no ADFORUM.

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Portugal já foi um polo de atração para muitos criativos vindos de fora. Qual o ingrediente que falta para retomar esse poder de atração?

Na minha opinião Portugal é um país magnífico, com muito sol (que eu sinto falta). Lisboa é uma cidade bastante internacional e é uma das portas de entrada para o mercado europeu, por isso continua a ser uma atração para muitos criativos. O ingrediente que falta neste momento é dinheiro, assim como clientes internacionais que investam no talento das agências portuguesas. I”ll be back.

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