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Criativos no mundo. “Paixão e trabalho diminuem qualquer diferença dos mercados”

Daniel Soares
Daniel Soares

Aos 28 anos, Daniel Soares tem muitas milhas acumuladas. Rotas criativas que partiram de Lisboa em 2011 rumo a Hamburgo onde fez escala para São Francisco e agora Los Angeles.

Hoje o criativo português é senior art director da R/GA de Los Angeles. Trabalha contas como a Beats de Dr. Dre.

Um percurso internacional que começou há quatro anos. Ganhou um concurso do festival Eurobest para jovens criativos e decidiu traçar rumo para Hamburgo. Foi o regresso a uma cidade onde viveu até aos 16 anos. Uma das agências onde mostrou o seu portefólio foi a Jung von Matt. Ditaram os deuses criativos do Cannes Lions que Invisible Drive, campanha criada para a Mercedes na qual este envolvido, fosse Grand Prix em Outdoor em 2012.

O combustível que ajudou a alimentar uma ida para a AKQA de São Francisco. Chegou em 2013. Mas o desafio da R/GA esperava-o em Los Angeles, onde está desde o início do ano.

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Leia aqui o testemunho de outros criativos pelo mundo: João Coutinho (Grey de Nova Iorque) e Paulo Martins (72andSunny), Vasco Vicente (Wieden + Kennedy de Amesterdão), Ricardo Adolfo (Ogilvy & Mather Japão), Susana Albuquerque (Tapsa Y&R Madrid), Miguel Durão (Johannes Leonard), Hugo Veiga (AKQA São Paulo), Bruna Gonzalez (Ogilvy Paris), Frederico Roberto (VML Londres), Frederico Saldanha (Isobar Américas), Hugo Gomes (Kettle Cupertino) e José Filipe Gomes e Pedro Lourenço (DDB Berlim)

Daniel Soares gosta de se perder nas cidades. Onde se alimenta criativamente. Das ruas de São Francisco ficou Totally Free, curta sobre o universo roller skater da cidade californiana.”Gosto de me perder na cidade onde vivo. Quando já não me perco e já sei as ruas de cor, está na altura de mudar”, diz. Agora está em Los Angeles.

De Lisboa rumaste a Hamburgo, depois São Francisco agora estás em Los Angeles. O que te levou a fazer pontes aéreas?

Curiosidade acima de tudo. Sempre tive vontade de conhecer o mundo. E com a nossa profissão temos essa possibilidade. Quando vais para um sítio novo estás muito mais atento ao que está a tua volta. Em cada cidade e país onde vives começas a adotar hábitos e costumes diferentes. Com isso vêm também formas diferentes de ver e pensar. Gosto de me perder na cidade onde vivo. Quando já não me perco e já sei as ruas de cor, está na altura de mudar.

Estás agora na R/GA de LA, com a conta de Beats do Dr. Dre. Quais os novos desafios?

A R/GA sempre foi uma agência que admirei muito. Por se reinventar constantemente. Hoje em dia todas as agências tradicionais tentam especializar-se em digital. A R/GA está a fazer o percurso oposto. Domina o digital há varios anos e agora está a apostar forte também em storytelling. É um desafio muito especial trabalhar esta conta. É uma das marcas mais relevantes do planeta. E o interessante é que é uma marca com uma história ainda relativamente recente.

Como foi o confronto com a realidade das agência primeiro na Alemanha e depois nos EUA? Ou já não há barreiras culturais?

Cada lugar é diferente. Em Portugal trabalhei na Torke, uma agência pequena mas disruptiva. Na Alemanha trabalhei numa agência mega-criativa [Jung von Matt] e a conta global da Mercedes. Aqui nos EUA comecei a pensar mais digital, sendo que trabalhava na AKQA para a Jordan e Visa e agora na R/GA para Beats. Em todos os lugares mantive a mesma atitude e mentalidade. Paixão e trabalho diminuem qualquer diferença dos mercados. Mas é óbvio que em termos de budget e tamanho dos projetos em cada país é diferente.

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Nestes anos de êxodo criativo que campanhas destacas – pelo impacto ou gozo pessoal – do teu percurso?

Não gosto de me limitar só a publicidade. Adoro trabalhar em publicidade mas também adoro experimentar outras áreas relacionadas como, por exemplo, filme. Acredito muito em projetos pessoais. No dia-a-dia gostamos de culpar cliente e agência, mas quando fazemos projetos pessoais não há essas desculpas. Depende só de ti. Aprendi mais com projetos pessoais do que em agências: quando fazes um projeto pessoal tens que fazer acontecer tudo. E com isso começas a entrar em áreas que nunca entrarias.

Gostaria de destacar quatro projetos. O primeiro Leão que eu ganhei foi na Torke com a Galeria de Arte Urbana. Tivemos a ideia quando eu ainda era estagiário. Um projeto lindo e que me traz saudades das pessoas com que trabalhei lá.

E já que estamos a falar de street art, o H&M Photoshop Adbusting que fiz em 2012.

Em 2014 tive a honra de aprender e trabalhar com outro português e amigo – Hugo Veiga [da AKQA São Paulo] -, para a Visa e o Campeonato do Mundo. Foi uma campanha [Samba of the World] que deu muito prazer. [Campanha foi shortlist em digital no Cannes Lions]

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Este ano decidi desafiar-me como realizador e dirigi a minha primeira curta, Totally Free, que acabou de ser publicada pelo The Guardian e votado como Vimeo Staff Pick.

Portugal vive uma espécie de êxodo de criativos. Hoje dão cartas na publicidade, a avaliar pela última edição do Cannes Lions. A crise explica esta ‘troika’ de países?

Em Portugal existe imenso talento. Embora tenha saído de Portugal por opção, posso dizer que é muito difícil entrar no mercado português quando és jovem. Podes até ter talento, mas é muito dificil conseguir uma oportunidade. E quando a recebes mal consegues ganhar para sobreviver. E rídiculo. Acredito que vivemos numa era onde dependes só de ti mesmo: Tem uma ideia, pega na câmara e faz o upload no YouTube. Não podemos esperar que só a agência nos dê a satisfação criativa e resolva todos os nossos problemas. Vai e faz.

A visibilidade que os criativos portugueses estão a ter lá fora traz novo interesse pelos criativos nacionais no exterior? Há mais abertura quando chegas com o teu portefólio?

O facto de sermos 10 milhões limita-nos um pouco para sermos conhecidos como super potência mundial da publicidade. Mas o facto é que temos muita gente boa. E hoje em dia tens pelo menos um português em cada uma das agências de topo.

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O que falta em Portugal para o sector, como colectivo, dar o salto em frente?

Tenho visto agências como a Leo Burnett, O Escritório e a Partners a fazerem coisas boas. Gosto também da This is Pacifica. Não tenho acompanhado tudo, mas eu admiro muito quando uma agência consegue fazer coisas boas em Portugal. Sei que e difícil, porque os clientes muitas vezes não têm uma mente muito aberta.

Voltar a Portugal está nos planos?

Saí de Portugal porque quero conhecer o mundo. É esse e o meu objetivo para os próximos anos. Viver em lugares diferentes, conhecer culturas diferentes e criar. Dentro e fora da agência. Acabei também de formar dupla criativa com a Carol Saraiva e, por enquanto, estou a adorar a Califórnia. Mas um dia, quem sabe.

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