Igualdade de Género

“Deixem-nas aprender”. Michelle Obama quer a sua ajuda para educar raparigas

A primeira-dama dos Estados Unidos enviou uma carta à atriz Lena Dunham onde pede ajuda para promover a educação de raparigas

Michelle Obama abraçou a igualdade de géneros como uma das suas bandeiras durante o tempo que passou como primeira-dama dos Estados Unidos. A poucos meses de deixar a Casa Branca, deixou uma carta onde fala sobre os 62 milhões de raparigas que não têm acesso a educação. E sobre como podemos ajudar essas raparigas.

“Tantas vezes, quando as pessoas falam do problema da educação dada às raparigas, mergulham de cabeça nas questões políticas”, começa por escrever, na carta enviada a Lena Dunham, a atriz da série Girls, que é também autora da newsletter Lenny.

“Falam de números – de como 62 milhões de raparigas em todo o mundo não estão na escola neste momento. Falam sobre as barreiras que as raparigas enfrentam para ter acesso a educação; sobre como as suas famílias não conseguem pagar a escola; sobre como a escola mais próxima fica a milhas de distância e como caminhar até todos os dias significa arriscar ser agredida ou raptada; ou sobre como há uma escola por perto, mas não tem casas de banho adequadas para raparigas, portanto elas têm de ficar em casa quando têm o período, ficando para trás e acabando por desistir”, continuou Michelle Obama.

É uma questão de crenças. A crença de que as raparigas devem ser valorizadas pelos seus corpos, não pelas suas cabeças.

Tudo isto é verdade, reconhece. Mas não chega à questão fundamental. “Este problema não é só sobre o acesso a recursos como bolsas de estudo, transportes e casas de banho nas escolas. É, também, muito sobre atitudes e crenças: a crença de que as raparigas devem ser valorizadas pelos seus corpos, não pelas suas cabeças; a crença de que as raparigas simplesmente não são dignas de uma educação e que a sua melhor hipótese na vida é casarem-se quando ainda mal são adolescentes e começarem a ter filhos”.

É aqui que o assunto se torna “pessoal” para Michelle Obama. “Enquanto viajei pelo mundo como primeira-dama, conheci raparigas que eram tão inteligentes e trabalhadoras e tão ávidas de uma educação. Conheci raparigas que fazem viagens longas e perigosas para a escola e depois vêm para casa e estudam durante horas todas as noites. Conheci raparigas a estudarem em secretárias raquíticas em salas de aula de cimento, que levantam as mãos com tanta força que quase caem das suas cadeiras”.

“Imaginem que alguém vos diz: Os teus sonhos acabam aqui”

A primeira-dama pede aos leitores que imaginem, por um momento, o que seria estar no lugar destas raparigas. “Imaginem que são uma rapariga inteligente e curiosa com todas as ideias sobre o que quer ser quando crescer. E, um dia, alguém vos bate no ombro e diz ‘Desculpa, tu não. Tu és rapariga. Os teus sonhos acabam aqui. Tens de desistir da escola, casar com um homem 20 anos mais velho que nunca conheceste e começar a ter bebés”.

É inconcebível, certo?, pergunta. “Se não sonhamos sequer aceitar este destino para nós próprios, porque é que o aceitamos para qual rapariga deste planeta – sobretudo quando temos pilhas de estudos que nos dizem que as raparigas que vão para a escola casam-se mais tarde, têm famílias mais ricas e recebem salários mais altos?”.

Porque “estas raparigas merecem as mesmas oportunidades que todos nós, a primeira-dama dos Estados Unidos parte daqui para pedir a ajuda dos leitores: depois de ter lançado a campanha #62MillionGirls nas redes sociais, lança agora a segunda fase dessa campanha, que passa da mera preocupação com o assunto à ação.

“Agora, pode ir a 62milliongirls.com e comprometer-se a tomar medidas para ajudar raparigas de todo o mundo a ir à escola”, diz.

“Não tem de ter recebido um Grammy para fazer a diferença. Pode organizar uma corrida, uma batalha de bandas, um concurso de cultuar geral, um cocktail – qualquer coisa que possa imaginar é válida. Tem todo o poder para fazer a diferença nesta questão, e as raparigas de todo o mundo estão a contar com a sua ação”, apela Michelle Obama.

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