E a televisão deu uma bofetada ao cinema

Steven Soderbergh, Michael Douglas, David Fincher, Jeff Daniels,
Claire Danes… Todos eles de prémios na mão… Pois, estamos em
setembro e os Óscares são no inverno… Todos foram, na verdade,
vencedores de categorias distintas na edição deste ano dos Emmys,
os “óscares da TV americana”. E numa só noite a ficção
televisiva deu uma bofetada a Hollywood.

Leia mais sobre os Emmys aqui

A bofetada não foi física, mas daquelas “psicológicas” como
tantas vezes se diz… Sobretudo porque “Por Detrás do
Candelabro”, que é simplesmente um dos melhores filmes que vamos
ver este ano (e é também um dos maiores da obra de Steven
Soderbergh), representa uma ideia que nasceu para o cinema mas que
acabou na televisão. Porquê? Porque os estúdios de Hollywood
acharam que um biopic sobre Liberace (que foi uma das estrelas
maiores de Las Vegas e chegou mesmo a ser a dada altura o entertainer
mais bem pago do mundo) era “demasiado gay”… Numa América com
um presidente que defende inclusivamente o casamento entre pessoas do
mesmo sexo, e na qual filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain”
ou “Milk” arrebatam Óscares, o argumento não parece ter
justificação senão através de um fundo homofóbico que ainda
habita algumas ideologias.

Veja aqui o trailer de ‘Por Detrás do Candelabro’

A verdade é que, perante o “não” dos estúdios de cinema que
Soderbergh contactou, acabou por chegar um “sim” vindo do canal
HBO (que é simplesmente a casa de algumas das melhores produções
televisivas dos últimos anos), que assim estreou “Por Detrás do
Candelabro” nos EUA. O Festival de Cannes (sim, de cinema)
apresentou por sua vez o filme na Europa, estando em exibição entre
nós desde há uma semana.

Na noite dos Emmys “Por Detrás do Candelabro” foi mesmo quem
mais prémios levou para casa, num total de 11, entre os quais o de
“Melhor Telefilme ou Minissérie”, “Melhor Realizador de
Telefilme ou Minissérie” (Sodrebergh) e “Melhor Ator de
Telefilme ou Minissérie” (Michael Douglas)… Serão “demasiados”
prémios?

Ao triunfo do “filme” de Soderbergh a premiação da gala
deste ano distinguiu David Fincher (pela realização do magnífico
primeiro episódio de “House of Cards”), Jeff Daniels (pelo
trabalho como ator em “The Newsroom”, talvez a melhor série em
exibição neste momento) e Claire Danes (em “Segurança Nacional).
Sim, todos eles nomes com carreira feita no cinema.

Ao ver as premiações dos Emmys deste ano não restam dúvidas: a
ficção televisiva norte-americana não só está de saúde (e se
recomenda) como começa a “roubar” ao cinema alguns dos seus
maiores protagonistas. Não que os não deixe depois regressar ao
grande ecrã. Mas talvez nunca uma cerimónia que distingue o melhor
da televisão nos EUA tenha brindado tantas estrelas feitas no cinema e que
agora brilham num pequeno ecrã (que, convenhamos, não é já apenas
o do televisor, mas também o de tablets e telemóveis onde muita
desta “televisão” acaba por ser consumida). E atenção que este
último é também argumento importante na revolução que está em
curso.

Especialista em música, cinema, televisão e literatura

Escreve à quinta-feira

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