Turismo

É possível medir os turistas? Três fazedores e um especialista mostram como

Estratégias digitais podem ajudar a mitigar as baixas taxas de ocupação
Estratégias digitais podem ajudar a mitigar as baixas taxas de ocupação

É já esta sexta-feira que será revelado o vencedor da Tourism Innovation Competition, uma competição mundial de ideias, lançada pelo The Lisbon MBA e pelo Turismo de Portugal, que desafiou os fazedores de todo o mundo a criar uma solução para medir o comportamento dos turistas.

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Na antecipação do evento, Nils Olaya Fonstad, perito em liderança digital do MIT e um dos oradores no evento de sexta-feira, fala ao Dinheiro Vivo sobre o potencial do digital para o aumento da competitividade no sector do turismo.

“A economia digital evoluiu para uma oportunidade para micro e pequenas empresas se tornarem disruptoras e competirem com as grandes empresas pelos turistas e dólares gastos por turistas”, começa por dizer Nils Fonstad. Como? As ferramentas digitais “são economicamente acessíveis e podem ser usadas para reduzir significativamente os custos”. Assim, é hoje “muito mais fácil para os indivíduos coordenarem, negociarem e realizarem sinergias que, tradicionalmente, estavam restritas às grandes empresas”. Exemplo desta mudança são a Uber ou a Airbnb, que, “até há alguns meses, eram pequenas empresas”.

No caso da Uber, a empresa “apenas coordena a procura por transporte com um grupo de condutores disponíveis”, explica o especialista. É esta possibilidade de partilhar responsabilidades que faz com que as ferramentas digitais representem uma oportunidade para as micro e pequenas empresas se tornarem líderes no sector do turismo.

O que devem, então, fazer as pequenas empresas? Nils Fonstad deixa duas sugestões. Primeiro, “organizem-se à volta das experiências dos turistas, em vez de se organizarem à volta dos sectores tradicionais, como a restauração, alojamento, retalho e transportes”. É a diferença entre tentar vender um quarto, ou “um fim de semana relaxante longe dos miúdos, ou um novo bairro para explorar com amigos”.

Segunda sugestão de Fonstad, as empresas devem colaborar umas com as outras para “recolher e criar uma base de dados partilhada de atividades turísticas, a fim de desenvolver um entendimento significativamente mais rico do que fazem os diferentes turistas”, incluindo “como gastam o seu dinheiro”. O próprio governo, acrescenta, “poderia compensar qualquer turista que aceitasse partilhar dados sobre as suas atividades de consumo”. Estas compensações poderiam ser, por exemplo, a isenção de algumas taxas ou a acumulação de pontos que poderiam, depois, ser gastos no comércio local. Uma aplicação móvel seria o suficiente para colocar em prática este mecanismo, diz.

No fim, estas estratégias podem resolver problemas como as baixas taxas de ocupação, um dos maiores desafios do sector turístico português.

59 candidaturas, três finalistas

A competição recebeu 59 candidaturas, de 22 nacionalidades – de Portugal à Índia, passando pelo Quénia, Israel e Estados Unidos. A ideia vencedora irá receber um prémio de 10 mil euros ou uma bolsa para o The Lisbon MBA, no valor de 18 mil euros. Os outros dois finalistas receberão 2 mil euros cada um.

Dos três projetos finalistas, dois são de portugueses.

Fabiana Baumann, uma profissional de marketing e comunicação de dupla nacionalidade (portuguesa e suíça) e Rui Chagas, um engenheiro de telecomunicações, propõem a criação de uma app que recolhe e estuda a informação das fotografias publicadas no Instagram. O objetivo é analisar a hora de publicação, localização, gostos, comentários, tags, entre outros dados, que podem ser trabalhados e usados por organizações ligadas ao turismo, para fins estratégicos.

As israelitas Liora Goldman e Ilya Stolov desenvolveram a AppsMapper, uma solução que permite aos turistas descobrirem apps específicas para uma região ou ponto de interesse específico. A AppsMapper permite fazer o tracking anónimo da atividade de mobile dos turistas, por análise estatística do uso de apps. É possível saber quais as apps mais populares; que locais são mais apelativos para os turistas e quanto tempo passam aí; qual o número de turistas que volta ao país; e comparar estatísticas com as de outros países.

Já João Ladeira, engenheiro informático, e Sílvia Silva, estudante de medicina, avançaram com a ideia de uma ferramenta que permite, através de um algoritmo de análise de sentimento, analisar e cruzar dados do Booking, do TripAdvisor e do Twitter. Através desta solução, é possível medir os comportamentos e atividades dos turistas, mas também ter uma ideia da nacionalidade de cada turista e dos seus padrões de consumo.

As propostas serão apresentadas em detalhe durante a conferência Tourism Innovation Competition, que decorrerá no dia 18, na Fundação Calouste Gulbenkian.

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