EDP Cool Jazz Fest

Cool Jazz Fest. Um dia ainda vamos ver este festival no estrangeiro

Karla Campos, diretora geral da Live Experiences e mentora do EDP Cool Jazz. Foto: DR
Karla Campos, diretora geral da Live Experiences e mentora do EDP Cool Jazz. Foto: DR

Karla Campos criou o festival há 12 anos e agora quer exportá-lo.

Quando Karla Campos criou a Live Experiences, há 17 anos, começou por organizar eventos de arte, mas sempre gostou de música e sempre viajou para o estrangeiro para ir a concertos e festivais. “A música é universal, não cria diferenças, une as diferenças”, contou em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Mas foi só em 2004, depois de uma passagem pelo Meo Arena como diretora de marketing, que se decidiu focar na música e no Cool Jazz Fest, que tem a EDP como naming sponsor desde 2012. A inspiração, conta, foi o Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça, que também “dura 15 dias e tem uma oferta bastante diversificada de estilos de música”. Na edição deste ano (a 13.ª), que se realiza entre 12 e 27 de julho, no Parque dos Poetas e nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras, haverá concertos de Jill Scott, Seal, Nouvelle Vague ou Marisa Monte com a fadista portuguesa Carminho. Em anos anteriores, o cartaz juntou Mariza e Thievery Corporation, Kanye West e Diana Krall ou Mark Knopfler e Caetano Veloso.

 

Veja aqui mais informações sobre o festival, como o cartaz, preços dos bilhetes e como chegar aos recintos

Karla Campos não tem dúvidas que o Cool Jazz é “especial”. Descreve-o como um festival “mais adulto”, muito procurado por “um público menos low cost e ainda muito nacional, que vem do norte e do sul do país”.

Além disso, não tem quaisquer dúvidas: é perfeitamente exportável para o estrangeiro. Mas não para qualquer lado. “Este festival tem um formato e um conceito completamente diferente dos outros. E, por isso, a exportá-lo tem de ser para mercados não desenvolvidos, porque nos desenvolvidos, como Inglaterra, não vamos lá dar nada a conhecer. Quanto muito vou lá aprender. Por isso, temos mesmo de ir para lugares onde isto não exista.”

Os países de língua portuguesa ou com grandes comunidades portuguesas são uma possibilidade porque aí “há sempre alguém que gosta de Portugal e gostaria que isto também estivesse noutros países onde também há presença de portugueses”, acrescentou. Aliás, Karla Campos já o fez uma vez, “levando o Seal para um evento privado em Luanda” e até antecipa que “outros poderão estar aí a aparecer”.

Ou seja, vontade não falta. “Tenho sempre interesse em levar o que faço para fora de Portugal”, disse a diretora-geral da Live Experiences, referindo-se ao Cool Jazz Fest, mas também a todos os outros concertos e festivais que organiza, como o Sumol Summer Fest ou o Lisbon Dance Festival.

O problema é mesmo a falta de dinheiro. “Só ainda não fomos para fora por falta de investimento e apoios. É verdade que, dependendo do mercado onde isso aconteça, por vezes a possibilidade de vender bilhetes a um preço superior ajuda, mas mesmo assim tem de haver sempre parcerias com os governos, com um parceiro local e com marcas que queiram apostar nesse país”, explicou.

 

“Só ainda não fomos para fora por falta de investimento e apoios. É verdade que, dependendo do mercado onde isso aconteça, por vezes a possibilidade de vender bilhetes a um preço superior ao que se vende em Portugal pode fazer com que essa necessidade não seja tão grande. Mas mesmo assim, a acontecer tem de haver sempre parcerias com os governos, com um parceiro local e com marcas que queiram apostar nesse país”, explicou.

“Sem patrocínios não se faz nada”

Também em Portugal, “sem patrocínios não se faz nada, porque o valor dos bilhetes não cobre os custos”, afirma Karla Campos, acrescentando que, no caso da Live Experiences, “o peso de um patrocinador no conjunto do business plan é de 30% a 40% e o resto é bilhetes e investimento próprio”.

Mas, mesmo estando o EDP Cool Jazz mais autónomo, ou seja, a ter um maior peso da receita de bilheteira, ainda não é suficiente. “Quando queremos trabalhar com os artistas com que estamos a trabalhar, de nível médio em termos de valor, continuamos a precisar de patrocínios. Sem isso não conseguimos ir buscar estes nomes e foram eles que fizeram o festival crescer e ser conhecido como é atualmente”, acrescentou.

De facto, apesar de ser um festival de nicho, o Cool Jazz Fest tem ganho bastante notoriedade. No total, nas 12 edições já realizadas, já se contam 130 concertos e mais de 275 mil pessoas. O ano passado, por exemplo, que juntou 46 mil pessoas nos sete dias de festival, “os astros reuniram-se e a coisa foi extraordinária. Esgotámos quatro concertos”. E este ano, “ainda não está nenhum esgotado, mas a Marisa Monte e o Seal para lá caminham”.

Marisa Monte atua no EDP Cool Jazz a 27 de julho e terá como convidada especial a fadista portuguesa Carminho. Foto: DR

A cantora brasileira Marisa Monte atua no EDP Cool Jazz a 27 de julho e terá como convidada especial a fadista portuguesa Carminho. Foto: DR

Um concerto é como terapia

Ainda assim, o cartaz já é cada vez menos o que faz os festivais esgotar, até porque há “um claro excesso de oferta” e, acima de tudo, porque “são todos concentrados na mesma altura”. Só em julho, há o Nos Alive de 7 a 9; o Super Bock Super Rock, de 14 a 16 e o EDP Cool Jazz Fest, entre 12 e 27. E isto na Grande Lisboa. A norte há ainda o Marés Vivas, de 14 a 16, ou o Milhões de Festa, de 21 a 24. E logo a seguir, entre 3 e 7 de agosto, decorre o Meo Sudoeste, depois o Bons Sons, de 12 a 15 de agosto, e ainda o Vodafone Paredes de Cora, de 17 a 20. É verdade que são para públicos diferentes, diz Karla, mas há sempre concorrência entre todos, quanto mais não seja no espaço que ocupam nas redes sociais e na imprensa.

Mas então, porque esgotam tanto os festivais e concertos? “Isto da música é importante ver ao vivo e as pessoas veem cada vez mais música ao vivo. Porque há aqui um lado anti-crise, do hedonismo e do prazer. Quando as pessoas estão em convívio com os amigos e assistir a concertos é quase uma terapia natural, humaniza-nos, e até acaba por nos criar uma certa dependência, porque temos cada vez menos desses momentos”, considerou.

Mas então, porque esgotam tanto os festivais e concertos? “Isto da música é importante ver ao vivo e as pessoas veem cada vez mais música ao vivo. Porque há aqui um lado anticrise, do hedonismo e do prazer. Quando as pessoas estão em convívio com os amigos, assistir a concertos é quase uma terapia natural, humaniza-nos, e até acaba por nos criar uma certa dependência, porque temos cada vez menos desses momentos.”

Outra razão, reparou, é o facto de os bilhetes serem “muito mais baratos” em Portugal do que os de França, Inglaterra ou Espanha, o que o torna uma atração para o turismo, que continua a crescer muito em Portugal. “Estamos a vender muitos bilhetes para estrangeiros. No Cool Jazz e no Lisbon Dance Festival, 10% foram vendidos a estrangeiros; no Sumol Summer Fest temos 20% ou 30% e nota-se que de ano para ano está a crescer o número de estrangeiros.”

Contas feitas, o Sumol Summer Fest, que decorreu nos dias 24 e 25 de junho, contou com 25 mil pessoas nos dois dias, o Lisboa Dance Festival, que é um evento indoor que a Live Experiences organiza este ano pela primeira vez, teve nove a dez mil pessoas nos dois dias. Já o EDP Cool Jazz Fest deve rondar as 40 a 45 mil pessoas, ou seja, tudo dentro das expectativas.

 

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