Tecnologia

Elon Musk e líder de IA do Facebook em disputa. “O Facebook não presta”

musk tesla
Elon Musk. (Photo by Brendan Smialowski / AFP)

Críticas a Elon Musk pelo líder de inteligência artificial do Facebook aquecem o Twitter e levantam discussão: quão inteligentes são as máquinas?

Elon Musk tem tendência em disparar para todas as direções no Twitter com picardias famosas com personalidades ou com autoridades. Mais recentemente tem criticado de forma veemente a Califórnia por não reabrir já a economia e ameaçou abrir ‘à força’ a sua principal fábrica contrariando as autoridades, mas também há umas semanas fez baixar as ações da sua Tesla escrevendo no Twitter que elas estavam sobreavaliadas.

A polémica mais recente está relacionada com os seus conhecimentos em inteligência artificial, a força motriz da tecnologia para a atualidade e para o futuro e com as suas crenças relativamente ao poder dessa mesma tecnologia no futuro da humanidade. Um artigo que critica Musk e um comentário acusatório do líder da divisão de inteligência artificial do Facebook, o investigador francês Jérôme Pesenti, suscitou uma resposta de Musk curta, brusca e pouco simpática para a rede de social: “O Facebook não presta”.

O assunto, embora pareça só mais uma picardia de internet, é bem mais profundo do que isso e remete para uma divisão entre os que acreditam que a inteligência artificial vai demorar muitas décadas até se aproximar do nível de inteligência humana e aqueles, como Musk, que vêm maior poder na tecnologia e no pensamento artificial.

A ‘conversa’ de Twitter começa com um artigo da CNBC que cita vários investigadores na área de inteligência artificial (IA) que permanecem anónimos em críticas aos conhecimentos de Musk sobre IA. O artigo foca-se no facto de Musk ser um dos primeiros investidores na empresa de IA DeepMind (que pertence agora à Google), tem financiado o laboratório de investigação OpenAI e acreditar que essa tecnologia pode ser mais perigosa do que a bomba atómica.

O jornalista do The Verge – publicação de tecnologia – James Vincent faz precisamente referência ao facto do comportamento e atitudes relativamente à IA levaram a críticas de investigadores que, por temerem represálias na internet dos seguidores de Musk, quiseram permanecer anónimos.

E Jérôme Pesenti escolhe dar a cara nas críticas: “Acredito que muitos da comunidade de IA não teriam problemas em dizê-lo publicamente. O Elon Musk não tem ideia do que está a falar quando fala em IA. Não existe qualquer AGI (inteligência artificial geral, uma teoria hipotética de que uma máquina tem capacidade para perceber ou aprender tarefas inteletuais ao nível dos humanos) e não estamos nem de perto nem de longe perto de igualar em IA a inteligência humana”.

 

Musk é um crente profundo nas maravilhas da tecnologia em geral e a inteligência artificial em particular. Daí que além da Tesla – movida pela inovação nos veículos elétricos com baterias de autonomias significativas – e da SpaceX – empresa que está a ajudar a NASA a transportar astronautas para o espaço e, em breve, para a Lua e para Marte -, tem também a Neuralink.

E o que faz a Neuralink? Tenta desenvolver interfaces entre cérebro e computador, ao estilo de implantes que promete tornar o ser humano um verdadeiro ciborgue (como se o conteúdo de um computador ou smartphone pudesse estar integrado com o cérebro humano), e apresentou há uns meses alguns protótipos repletos de promessas.

Entretanto, já esta sexta-feira, Yann LeCun, um guru da inteligência artificial que ganhou uma espécie de Óscar (prémio Turing) nessa área o ano passado e é cientista chefe do Facebook AI veio esclarecer o tema em nova troca de tweets com Musk. LeCun admite por entre elogios aos produtos da Tesla – “conduzo um Tesla, como tu sabes, Elon” – que Musk “afirmou há cinco anos que teríamos nível humano de IA em cinco anos (tal como nível de 5 de condução autónoma)”. “As minhas tentativas de o convencer que isso não seria assim falharam. Não existe algo como a AGI [a tal proximidade de inteligência de máquinas a humanos] porque a inteligência humana é muito especializada. Devemos falar, isso sim, em nível humano de IA (HLAI)”, diz LeCun, que também é investigador da Universidade de Nova Iorque.

Jérome Pesenti acrescenta que “falar na possibilidade das máquinas tomarem conta das coisas, como Musk tem feito, é distrair-nos dos assuntos reais sobre IA (isto é, igualdade e justiça)”.

Antes disso, Musk admitiu a LeCun que a tecnologia open source PyTorch, desenvolvida inicialmente pela Facebook AI, “é ótima” e tem servido a própria Tesla, dando um pouco o dito por não dito face à reação inicial.

Sobre Jérôme Pesenti, falámos o ano passado com o diretor do Facebook AI. Na altura ele admitia, tal como outros colegas que são investigadores na área, que a inteligência artificial atual (e os próprios algoritmos do Facebook) não chega a ter a inteligência ao nível de um gato. É ainda admitido que serão precisos muitos anos e inovações para se chegar muito mais longe.

Na altura, Pesenti falou-nos também na preocupação da divisão de inteligência artificial do Facebook de ter investigadores de outras ciências presentes, além dos engenheiros que conhecem bem os algoritmos, daí que tenham contratado filósofos e sociólogos. “Esta era digital não vai ser só resolvida com tecnologia, precisamos de ver o problema de forma mais ampla e com pessoas que percebam de lei, mas também de filósofos para darem uma perspetiva mais global aos novos caminhos que estamos a trilhar”, dizia o diretor do Facebook AI.

Dessa forma, era com “entusiasmo” mas também com preocupação que o francês abordava na altura os valores que as máquinas e os algoritmos devem ter em redor da ética e da justiça. “São problemas complexos que não serão resolvidos só com engenheiros.” Pode ler sobre o tema aqui.

 

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