Engage & Grow

Como ajudar as empresas a passar do eu para o nós e a ganhar dinheiro

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Famílias em que as relações estão estragadas não funcionam. E o mesmo acontece nas empresas... Os lucros depois aparecem

Desde os cinco anos que as conversas à volta da mesa em casa do australiano Richard Maloney giravam em torno de: como ser líder, como criar envolvimento com as pessoas, tirando o melhor partido das suas capacidades em prol da organização? O que farias nesta situação, perguntava-lhe o pai, antigo soldado que quando foi para o Vietnam em 1969 acabou por assumir o papel de animar o moral das tropas australianas. “Desde muito cedo que fui sujeito a uma lavagem cerebral, no bom sentido, para aquilo que faço hoje a nível global”, conta Richard Maloney, autor do programa de liderança Engage & Grow que ajuda as chefias das empresas a serem melhores líderes.

O especialista, que veio a Portugal para o Business Excellence Forum & Awards (BEFA), já trabalhou com cem empresas em todo o mundo na melhoria das relações entre os líderes e os colaboradores, com vista à obtenção de maiores receitas. E para isso aplica aos negócios um estilo de gestão que vem do desporto, área em que trabalhar em equipa faz parte das regras para obter sucesso.

“Com Engage & Grow o que estamos a fazer é trazer o negócio do desporto para todas as indústrias”, diz Richard Maloney. “O que o desporto faz muito bem é que está sempre a melhorar”, diz. “A equipa de liderança tem mesmo de ser unida e comprometida com a ideia de colocar as pessoas em primeiro lugar e, em segundo lugar, os lucros. E o desporto é assim: primeiro as pessoas, depois os lucros. Se for um treinador não tem muito tempo para ter sucesso, por isso têm de fazer tudo para ganhar aquele campeonato, se não é despedido”, comenta. “Quanto aos lucros, sabemos que as empresas verdadeiramente focadas em colocar as pessoas em primeiro lugar aumentam os seus lucros em cerca de 22% todos os anos.”

“Tens de liderar com o coração para que as pessoas sintam quem tu és, o que faz que estejam dispostas a te dar mais energia e produtividade.”

Maloney encontrou na sua experiência a inspiração para levar a forma de funcionar do desporto para o mundo dos negócios. Foi jogador de futebol, carreira que abandonou depois de muitas lesões que afetaram a sua motivação. Falta de maturidade para lidar com a pressão de estar a jogar em equipas de primeira liga. Tinha 18 anos. Durante anos, percorreu a Austrália a jogar de modo semiprofissional. Pelo meio fez de tudo um pouco.
Um dia, Maloney descobriu a sua paixão: “Perceber o comportamento humano.” E das suas andanças retirou algo. “Agora vejo que foi a melhor coisa que me aconteceu: consigo falar a linguagem de alguém que trabalha numa fábrica, como na indústria da hospitalidade, corporativa ou no governo. Quando trabalho tenho sempre uma história para contar que me liga àquela indústria.”

É na criação de ligações que Maloney acredita que está a origem do sucesso das empresas. Atualmente, 40% da força de trabalho em todo o mundo é constituída por Millennials (nascidos entre 1980-2000) e daqui a dez anos calcula-se que sejam 75%. “O que dizemos aos líderes é que têm de criar relações de autenticidade para que os millennials queiram ficar. Os millenials estão todos à procura de um propósito: porque estão ali. Se encorajarem a que liguem esse propósito à visão da empresa, muito provavelmente ficarão mais tempo e darão mais de si”, defende.

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E não se trata de dinheiro. Ou de apenas isso. “Em termos genéricos apenas 12% das pessoas são motivadas por mais dinheiro. Há outros, cerca de 90% que são motivados por algo mais”, afirma. “Pense na sua infância, naquele professor que realmente investiu em si, você dava o melhor por essa pessoa”, exemplifica. “É o mesmo nos negócios. No momento em que os trabalhadores sentem que o chefe quer realmente saber sobre si, não sobre o que faz, há uma relação que se estabelece, tornam-se família. É isso que fazemos aos negócios, tornamo-los família”, sintetiza.

O programa de 12 semanas trabalha, sobretudo, no reconstruir de relações. Há muito storytelling, pessoas a partilhar as suas histórias, como ultrapassaram momentos menos positivos. “Dividimos o negócio em duas partes: o coração (onde estão as relações, cultura empresarial e comunicação) e o cérebro (os sistemas, processos, produtos). Não tocamos nos sistemas nem nos produtos, apenas nos focamos no coração. Ajudamos os líderes a consertar e a construir relações, a aproximar departamentos, e conseguimos que comecem a trabalhar de forma mais unida”, descreve Richard Maloney.

O processo também ajuda a perceber quem no barco empresarial está verdadeiramente empenhado em remar, apenas a apreciar a paisagem ou a fazer buracos no barco. “Parte do nosso trabalho é descobrir quem são, trazê-los para a equipa ou colocá-los fora”, diz. Neste business boot camp trabalha-se na reconstrução de relações entre a liderança e os colaboradores, e mesmo entre a liderança. “Na Europa Ocidental, em Portugal, apenas 14% dos trabalhadores está totalmente empenhado. O que significa que há mais de 80% das pessoas que não estão a dar o retorno do investimento pelo salário pago pelo seu empregador.”

Se uma pessoa estiver emocionalmente ligada a um negócio é preciso, pelo menos, 20% de aumento salarial para saírem. Se estiverem desligadas basta apenas 5%.”

Não havendo envolvimento os resultados das empresas ressentem-se, em qualquer setor. Maloney conta o caso de uma pequena empresa de canalização com quem trabalharam em Melbourne. A equipa de oito pessoas estava desligada. “Fizemos o programa, tratamos das relações, percebemos o que os clientes e os trabalhadores queriam. Passaram de uma faturação de 520 mil dólares, para 2,4 milhões em 8 semanas e para 6,4 milhões em 24 semanas. Neste momento têm 31 trabalhadores e estão a trabalhar em pleno”, conta. “Isto porque começaram a ouvir os seus trabalhadores, eles deixaram de cometer erros e começaram a recomendar a empresa aos clientes. Mas não conseguiam fazer isso até o grupo de liderança estar sólido”, frisa Maloney.

Para as startups, o especialista em liderança deixa um conselho: procurem um mentor. Maloney fez o mesmo e quando começou foi bater à porta de Brad Sugars (fundador da ActionCoach, empresa de coaching de negócios). “Tens de liderar com o coração para que as pessoas sintam quem tu és, o que faz que estejam dispostas a dar-te mais energia e produtividade”, diz. “Se tens dificuldade em atrair bons programadores, por exemplo, tens de conseguir manter os que tens, e para isso tens de conseguir que os colaboradores ‘vendam’ a companhia. Para tal é preciso criar uma família. Se for só dinheiro ficam entediados, porque estão à procura de algo mais, de uma ligação. Se uma pessoa estiver emocionalmente ligada a um negócio é preciso, pelo menos, 20% de aumento salarial para saírem. Se estiverem desligadas basta apenas 5%.”

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