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Escândalos apanham Facebook na curva e põem crescimento em risco

O segundo trimestre espelhou os problemas que o Facebook tem enfrentado em 2018
O segundo trimestre espelhou os problemas que o Facebook tem enfrentado em 2018 Ana Rita Guerra

Rede social perdeu três milhões de utilizadores na Europa e avisou investidores que crescimento vai abrandar nos próximos trimestres

As ações do Facebook deram um tombo fenomenal nas trocas fora de horas após a apresentação dos resultados trimestrais, chegando a cair mais de 20% e “limpando” 150 mil milhões de dólares da sua capitalização bolsista. O precipício da cotação deveu-se às relativamente más notícias que a rede social deu aos investidores e analistas: já se nota o impacto dos escândalos em que a empresa está envolvida e o crescimento vai abrandar muito nos próximos trimestres.

Acossada pelos problemas trazidos pela Cambridge Analytica, a partilha indevida de dados de utilizadores, a desinformação da Rússia, a praga das “fake news” e a pressão para censurar conteúdos violentos, a rede social está a crescer menos que o esperado e avisou os investidores que tal se irá agravar nos próximos trimestres.

Na Europa, a rede social perdeu três milhões de utilizadores diários neste trimestre (passou de 282 para 279 milhões), o que pode ser resultado da entrada em vigor do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados, bem como dos efeitos na reputação do Facebook da embrulhada com a Cambridge Analytica. O número mundial de utilizadores diários foi de 1,47 mil milhões, com 2,23 mil milhões de utilizadores ativos mensais, ambos aquém do que os analistas esperavam ver.

“O RGPD foi um momento importante para a nossa indústria. Vimos um declínio nos utilizadores mensais na Europa, menos um milhão”, revelou Mark Zuckerberg na conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados (de 377 para 376 milhões).

Em termos financeiros, os indicadores foram positivos, mas ficaram abaixo do que o mercado antecipara – um falhanço muito raro na empresa. As receitas globais cresceram 42% para 13,2 mil milhões de dólares e os lucros subiram 31% para 5,1 mil milhões, menos que o previsto.

O CEO classificou estes números como “sólidos” na conferência com analistas. Frisou ainda os investimentos feitos nos últimos seis meses “para melhorar a segurança e privacidade” em todos os serviços, incluindo a ferramenta que permite ver que tipo de anúncios políticos foram pagos por uma página, por exemplo. “Estamos a investir tanto em segurança que isso começa a afetar a nossa rentabilidade, e já vemos isso neste trimestre”, admitiu Zuckerberg.

A publicidade continua a ser o combustível do Facebook, tendo crescido 13% para 13 mil milhões, e ainda assim foi menos que apontado pelos analistas. Sem grandes surpresas, é o Instagram que está a puxar esta carroça, crescendo mais rapidamente que as outras propriedades detidas pelo Facebook, incluindo a principal rede social – onde se concentram os problemas de privacidade e reputação descritos acima. Zuckerberg disse que a integração do Instagram foi um “grande sucesso” e falou do novo produto IGTV, desenhado para ver vídeo vertical na plataforma.

A diretora de operações Sheryl Sandberg explicou também que a estratégia vai focar-se mais em monetizar as Stories e menos no feed de notícias. Mas foi quanto à perspetiva de desaceleração que vieram mais perguntas na conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados. Segundo explicou o diretor financeiro Dave Wehner, há três fatores a abrandar o crescimento futuro do Facebook: a flutuação cambial será negativa, o foco nas Stories e noutras experiências ainda é experimental e os utilizadores passarão a ter mais controlos de privacidade, o que diminuirá a capacidade da rede social de monetização de dados. Isto não está apenas relacionado com o RGPD na Europa, o segundo mercado mais valioso do Facebook, mas também com outras opções que a empresa pensa implementar.

Tudo somado, o crescimento nos próximos trimestres deverá ser somente a um dígito, o que alarmou os investidores de tal forma que o impacto nas ações foi vertiginoso.

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