Espanha. Diretor do El Mundo afastado por pressões do “poder”

Pedro J. Ramírez
Pedro J. Ramírez

Pedro J. Ramírez deverá ver oficializada esta quinta-feira o seu afastamento da direção do El Mundo, diário espanhol que fundou em 1989.

O jornalista deverá ser substituído na direção do El Mundo por Casimiro García-Abadillo, até aqui vice-diretor do diário.

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Ainda não são conhecidas as razões para a saída de Pedro J. Ramírez, mas de acordo com a imprensa espanhola, ontem na reunião de redação o histórico diretor terá afirmado que o seu afastamento foi exigido pelos proprietários do jornal, falando em pressões dos “poderes” para esse efeito. Os poderes em questão não foram referidos, mas foi interpretado como o Governo de Rajoy e a Casa Real.

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Há muito que as relações entre o diretor do El Mundo e o Governo andavam tensas. “Quero pedir publicamente ao governo e ao senhor Rajoy para fazerem o favor de desmontar o mecanismo de vigilância e perseguição policial que está organizado em redor da minha pessoa, do meu domícilio, dos restaurantes onde vou”, disse em agosto Pedro J. Ramírez.

Rumores sobre uma possível saída de Ramírez da direção do El Mundo começaram a ser insistentes a partir de novembro, depois da gala dos prémios de jornalismo do El Mundo onde não marcou presença nenhum membro do governo. Uma ausência interpretada como sinal do corte de relações do Executivo com o periódico.

A causa será o chamado caso Bárcenas (referente a Luís Bárcenas, antigo tesoureiro do Partido Popular), objeto de inúmeras manchetes no El Mundo. O diário, inclusive, publicou a troca de SMS de Bárcenas com Mariano Rajoy, que indiciavam que o Primeiro Ministro espanhol estava a par das manobras contabilísticas para esconder o financiamento ilegal do PP.

De acordo com o Cuarto Poder, o afastamento de Pedro J. Ramírez poderá ainda ter sido precipitado por uma eventual mudança acionista na Unidad Editorial, dona do jornal.

A Unidad Editorial é controlada pela RCS Mediagroup, grupo de media italiano dono do Corriere della Sera, que, desde 2007, é acionista maioritário (96%) da editora. Segundo as fontes ouvidas pelo Cuarto Poder, o grupo RCS estaria em conversações com um fundo de investimento com presença em Espanha e o grupo teria pedido um diário “menos agressivo” para fechar a operação.

Aguardam-se agora indicações sobre se o afastamento de Pedro J. Ramírez da direção do El Mundo marca o fim da relação do jornalista com a Unidad Editorial ou se irá manter algum tipo de vínculo, dado o valor de indemnização da sua rescisão apontada entre 20 a 25 milhões de euros.

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