Este lago foi um tubarão de audiências

Os tubarões O’Leary, Mark Cuban, Daymond John, Robert Herjavec e Barbara Corcoran
Os tubarões O’Leary, Mark Cuban, Daymond John, Robert Herjavec e Barbara Corcoran

Los Angeles, maio de 2013. Pedro Boucherie Mendes, diretor da SIC Radical, entra num restaurante. Sentado encontra um conhecido do canal: Kevin O"Leary, o Mr. Wonderful de Lago dos Tubarões - Shark Tank, no original. Great, great (fantástico) foi a reação quando Boucherie disse que o programa era emitido em Portugal. "Confesso que é alguém com quem me identifico: ele entra nos negócios só a pensar no dinheiro que vai ganhar. E eu acho que um negócio só faz sentido se gerar receita", diz Pedro Boucherie Mendes.

O Lago dos Tubarões – Shark Tank rapidamente provou fazer sentido
para o canal. O”Leary & companhia revelaram-se uma verdadeira
máquina geradora de audiências. “Depois do Gordon Ramsay é o
programa mais visto e ajudou a consolidar as audiências da SIC
Radical, que estão em patamares históricos”, admite Boucherie
Mendes. A SIC Radical fechou julho com 0,8% de audiências e um share
de 14,5%. Um ano antes as audiências fixavam-se nos 0,6%, com o
canal temático a registar um share de 11,8%. O Lago dos Tubarões
começou a ser emitido há mais de dois anos ao sábado à noite “com
bastante sucesso”, mas a mistura de investidores duros que competem
para fazer e desfazer negócios fez realmente clique com o público
da Radical, quando passou a ser emitido diariamente, de segunda a
sexta-feira, entre as 23h e a meia-noite. A quinta e última
temporada foi vista, em média, por 56,6 mil telespectadores, tendo
gerado uma audiência média de 0,6%, com 1,7% de share no seu
horário. Foi a melhor temporada de sempre.

Boucherie Mendes acredita que muito do sucesso de Lago dos
Tubarões se deve a ser um programa que tanto agrada a avós como a
netos. E a mulheres. A SIC Radical tem historicamente um perfil de
audiência mais masculino, mas no Lago dos Tubarões é “mais
equitativo”.

O atual clima do país, que começou a valorizar o boom de novos
fazedores – portugueses que (re)descobriram talentos e os
transformaram em negócios -, também pode ter tornado Lago dos
Tubarões um magneto de audiências, admite Boucherie Mendes. Lições
de gestão, conselhos sobre como investir, como fazer apresentações
perante um público difícil… Tudo isto nos é dado em meia hora de
programa.

“O Lago dos Tubarões é muito interessante e tem tido muito
impacto nos Estados Unidos”, diz o diretor da SIC Radical. “Nesta
última temporada até houve alguma polémica porque as pessoas que
iam ao programa já nem procuravam investimento mas apenas exposição
pública. Sabiam que depois iam ter uma subida nas encomendas”,
conta. Por cá, o êxito também teve consequências: no próximo
ano, será criada a versão portuguesa do programa – pela mão de
António Carrapatoso, o CEO da Vodafone Portugal, tal como noticiou o
Dinheiro Vivo -, que vai passar na SIC generalista. O gestor, que tem
um fundo de investimento, poderá ser um dos potenciais tubarões.

Haverá dificuldade em encontrar os tubarões perfeitos para fazer
as vezes de Kevin O”Leary (da O”Leary Investments) ou Mark Cuban
(dono dos Dallas Mavericks)? “O que interessa é encontrar os
ingredientes que façam do Lago dos Tubarões um sucesso”, diz
Boucherie Mendes. “No limite é possível fazer o programa com
business angels. O sucesso vai depender mais dos negócios a concurso
do que propriamente dos tubarões”, acredita o responsável dos
canais temáticos da SIC.

Entretanto, haverá mais Shark Tank na SIC Radical – a data de
arranque da sexta temporada ainda está por fechar. Até lá, o canal
estreia, na segunda-feira, a versão canadiana de Dragon”s Den –
Empreendedores à Prova, o formato original japonês que inspirou o
Shark Tank e que conta com dois dos tubarões que vemos no Lago:
O”Leary e Robert Herjavec (Herjavec Group).

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