Eu dava-lhe o Grande-Colar

A onda que McNamara surfou na Nazaré
A onda que McNamara surfou na Nazaré

A notícia da semana foi a onda gigante que atirou o nome de
Portugal para as primeiras páginas do mundo, mas por boas razões –
para variar.

Houve outras notícias, claro. O folhetim PS, um assunto que, em
boa verdade, não chega a dar três mil caracteres e que se resume
num “despacha-te ó Costa que nós não votamos no Tó Zé nem
mortos; e para lá caminhamos…”. Ou a bolha de imbecilidade
que rebentou na Assembleia da República com a maioria a propor o TV
Rural através de diploma parlamentar. “Que gente imbecil!”,
assim com ponto de exclamação, é tudo o que há a dizer sobre o
assunto.

Felizmente o Garrett McNamara “dropou” um canhão na
Nazaré
que rebentou na primeira página do The Times e rolou
pela imprensa internacional associando a Nazaré, e o depauperado
nome de Portugal, a um feito épico, pleno de energia, interesse e
novidade.

Veja o vídeo, aqui

(Por cá, tirando um somítico rodapé no i, ninguém achou
que o assunto era de primeira página. Notícias, por cá, não são
news, novidades.)

The Zon North Canyon Show do Garrett McNamara é provavelmente o
mais moderno e criativo programa de marketing e comunicação que eu
vi desde que o mundo tem controlo remoto, banda larga e a malta
deixou de ver anúncios na televisão. Não sei quem o concebeu, mas
foi alguém muito, muito bom, com inspiração e insight sobre o que
é o marketing moderno. Alguém que entende que as marcas, para se
promoverem neste mundo em rede, têm de criar assunto capaz de
viajar.

Sempre que anunciantes me perguntam o que fazer para ter “earned media” eu digo: “Criem assunto que viaje.” Mas dizer é bem
mais fácil que fazer. E a Nazaré fez.

A Nazaré consegui estar, de borla, na primeira página do The Times e nas bocas do mundo; e com ela o nome de Portugal. E por razões
interessantes, excitantes, novas. Tudo graças a um programa de
marketing a três anos que passou por contratar o Garrett McNamara
para arriscar a vida a explorar e promover a maior onda do mundo: o
Canhão da Nazaré. Tudo porque resolveu criar assunto. Tudo porque
resolveu ser genial.

Eu distinguia o autor da estratégia The Zon North Canyon Show com
a Grã-Cruz de mérito empresarial por serviços relevantes ao Turismo. E distinguia o Garrett McNamara com o Grande-Colar da Ordem
do Infante D. Henrique.

Eu sei que parece exagero distinguir um surfista com a mais alta
honra da República. Mas não pode ser menos do que o Grande-Colar,
uma honra destinada a pessoas cujos feitos de natureza extraordinária
tenham especial relevância para a pátria.

Se pôr a Nazaré no mapa e trazer bom nome a Portugal, arriscando
a vida, não é um feito de natureza extraordinária, então não sei
o que é… Para mais, abaixo do Grande-Colar está a Grã-Cruz que
já distinguiu, por serviços prestados, pessoas como Alberto João
Jardim (pela dívida?), Joe Berardo (pelos negócios no BCP com o
dinheiro da Caixa?), Vítor Constâncio (pela atenta supervisão ao
BPN e ao BPP?) e José Sócrates (engenheiro?).

Não era de dar o Grande Colar ao Garrett McNamara?

Publicitário, psicossociólogo e autor

Escreve à sexta-feira

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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