Coronavírus

Eventos cancelados? Web Summit prepara-se para o online (e já investiu nisso)

Paddy Cosgrave
(Filipe Amorim / Global Imagens)
Paddy Cosgrave (Filipe Amorim / Global Imagens)

Paddy Cosgrave investiu em startup especializada em eventos remotos e diz-se preparado. Collision passa a online e Web Summit (ainda) não

A empresa que organiza a Web Summit já se prepara há algum tempo para conferências online, admite Paddy Cosgrave no seu Twitter. Os serviços já disponibilizadas na app da conferência que se realiza desde 2015 em Lisboa já incluem audio das conferência em tempo real, bem como tradução ao vivo, bem como outro tipo de possibilidades.

Esta sexta-feira a Connected Intelligent Limited, dona da Web Summit e liderada por Paddy Cosgrave, anunciou o cancelamento da sua conferência norte-americana Collision – prevista para junho no Canadá. O motivo? O surto de coronavírus Covid-19 que tem assolado vários países e cancelado feiras e conferências por todo o lado. Mas ao mesmo tempo que anunciou o cancelamento e devolução do valor dos bilhetes já pagos, Paddy Cosgrave garantiu que a conferência – Collision from Home – vai-se realizar online e será gratuita, mostrando inclusive entusiasmo com a novidade.

E o irlandês promete uma experiência especial, admitindo “que o software é a chave” para as conferências online “que estão a explodir na China”. “Uma tendência que vai chegar a todo o lado durante 2020”, diz o líder da Web Summit que admite que singrar nesta área também será “uma questão de imaginação”.

Nesse contexto, Paddy Cosgrave – através de um fundo que pertence à empresa de Web Summit – investiu já no final de fevereiro numa startup especializada em conferências remotas, a Hopin. A startup londrina criada em 2019 recebeu um investimento de seis milhões de euros (de vários investidores) e o valor já reflete esta urgência relacionada com o coronavírus, mas também a sustentabilidade do planeta.

A Hopin indica que fornece uma plataforma avançada e simples para criar e gerir eventos ao vivo de mil a 100 mil pessoas. Oferece a possibilidade de criar, no meio de conferências virtuais, mesas redondas paralelas entre alguns dos participantes em videoconferência e uma área de networking em vídeo e, também, stands para os negócios mostrarem os seus serviços. Ou seja, tenta replicar o que um evento como a Web Summit já permite, mas tudo online.

Gonçalo Hall, consultor de empresas para trabalho remoto e fundador da conferência Nómada Digital, admite-nos conhecer bem a Hopin. “São uma startup incrível que recria o ambiente de uma conferência”, explica.

A Hopin foi fundada pelo engenheiro inglês Johnny Boufarhat, precisamente por se sentir frustrado pela falta de ferramentas para colaborar e fazer networking com grupos maiores de forma remota. A própria equipa da startup trabalha a partir de casa e usa a plataforma criada para colaborar. “Queremos garantir que todos experienciem os grandes benefícios dos eventos online, inclusive encontrar alguém inesperado entre sessões, encontrar um potencial cliente no stand de um negócio ou ter uma dica preciosa de um orador de um painel”, explica Boufarhat no comunicado da Hopin que revela o novo investimento.

A startup disponibiliza serviços desde julho, tem já mil eventos na plataforma e uma lista de espera para outros 10 mil. Com este investimento esperam fazer crescer a plataforma e a equipa.

A ronda de financiamento foi liderada pelo fundo Accel, com participação de mais alguns, da Northzone, ao Seedcamp, passando pelo Amaranthine (da Web Summit, criado em 2018 com 50 milhões de euros) e pelo Slack.

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