resultados trimestrais

Facebook continua a perder utilizadores na Europa

Facebook na VidCon 2018

Resultados trimestrais da empresa foram pouco excitantes, mas Zuckerberg sabe onde irá gerar os próximos grandes êxitos

Os utilizadores europeus são os únicos que estão a deixar o Facebook em quantidades assinaláveis. Depois de uma redução de três milhões de pessoas no segundo trimestre, a rede social voltou a perder popularidade na Europa: um milhão de utilizadores europeus fecharam a sua conta no terceiro trimestre. Os motivos poderão passar pelos efeitos do escândalo da Cambridge Analytica e pela influência do RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados), visto que em todas as outras geografias a tendência foi a oposta. A Europa tem agora 278 milhões de pessoas no Facebook.

No global, a rede alcançou 2,27 mil milhões de utilizadores mensais ativos, um crescimento de 10% face ao trimestre anterior, e 1,49 mil milhões de utilizadores diários, aumento de 9%. É um pouco abaixo do que os analistas estimavam, mas continuam a ser dados positivos tendo em conta os problemas que se têm sucedido na empresa. Aliás, após um efeito inicial negativo, os resultados trimestrais do Facebook acabaram por gerar um sentimento de alívio nos investidores, que culminou com as ações a valorizarem mais de 3% nas trocas fora de horas.

É que as receitas cresceram menos que o esperado, mas as perspetivas da empresa de Mark Zuckerberg são positivas e os lucros cresceram 9% para 5,13 mil milhões de dólares. O peso da publicidade nos dispositivos móveis também voltou a crescer, passando de 88% para 92% das receitas totais de 13,7 mil milhões de dólares – uma percentagem impressionante e que mostra bem onde os utilizadores do Facebook (e outras propriedades, como o Instagram) passam mais tempo.

Utilizadores estão a mudar hábitos

Um dado interessante que Mark Zuckerberg partilhou durante a habitual conferência com analistas foi que os utilizadores do Facebook estão agora muito mais interessados em partilhar conteúdos por mensagens privadas, para audiências mais pequenas e no formato efémero das Stories. As pessoas “sentem-se mais à vontade para serem elas próprias” quando sabem que o conteúdo será visto por pouca gente ou vai desaparecer em 24 horas, explicou Zuckerberg. O desafio da rede é, portanto, passar para estes formatos as suas estratégias de monetização. É daqui que virá o crescimento futuro.

O mesmo se aplica ao vídeo. “Estamos a ver o vídeo a crescer dramaticamente em todo o ecossistema”, revelou o CEO, “mas enquanto o [Facebook] Watch está agora a crescer rapidamente, ainda estamos muito atrás do YouTube e a trabalhar para tornar isto uma experiência única centrada nas pessoas.” Zuckerberg avisou que levará algum tempo até que o negócio se equipare ao crescimento da comunidade, mas apontou nesta direção com otimismo.

Surpreendentemente, o CEO apontou para o iMessage – serviço de mensagens entre dispositivos Apple – como o principal concorrente da plataforma Messenger, estando inclusive à sua frente no mercado norte-americano.

Ainda que as perspetivas para os próximos trimestres continuem a ser de abrandamento, com crescimento a apenas um dígito, os efeitos dos escândalos parecem estar a ser controlados sem avisos dramáticos para os investidores. As eleições intercalares estão à porta e a última coisa que o Facebook quer é voltar a ser protagonista pela negativa. O último trimestre do ano poderá desfazer dúvidas e servir como redenção da empresa, principalmente se conseguir aumentar as receitas nas plataformas não tocadas pelo escândalo, em especial Instagram.

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