Tecnologia

Facebook mantém anúncios políticos mas já permite desativá-los

MArk Zuckerberg facebook
Mark Zuckerberg CEO do Facebook (Photo by ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

O Facebook anuncia "a maior campanha de informação sobre votação da história da América" para registar 4 milhões de eleitores

A maior rede social do planeta – já com 2,6 mil milhões de utilizadores mensais (continua a crescer) – iniciou uma operação relacionada com as eleições focada em dois temas principais, os anúncios políticos e o registo de novos eleitores, num pacote de medidas pensadas para as eleições presidenciais nos EUA em novembro, que vão opor Joe Biden e Donald Trump.

Depois de várias acusações por manter ativos anúncios políticos sem qualquer escrutínio, mesmo aqueles com informação manifestamente falsa – o Twitter acabou com esse tipo de anúncios -, o Facebook ripostou, sem deixar cair esses mesmos anúncios alvos de discórdia. A gestora de produto da rede social, Naomi Gleit, revelou esta quarta-feira num post no blog do Facebook que vai ser lançado um recurso para que os utilizadores possam desativar por completo anúncios eleitorais.

Como? Basta clicar num anúncio que vejam no seu ‘mural de notícias’ ou ir às suas preferências, na parte de anúncios, e alterar. O mesmo vai acontecer para o Instagram, que também já inclui anúncios há algum tempo.

Facebook eleições

Nova hub para eleições, semelhante há já existente para a covid-19
Crédito: Facebook

O lançamento será feito a partir de hoje, só para alguns utilizadores, e é lançado para todos nos EUA nas próximas semanas. No outono a opção relacionada com anúncios sobre questões sociais, eleições e política em geral fica disponível noutros países a nível mundial (ainda não se sabe quais e se Portugal está incluído).

Entretanto, o Facebook também quer melhorar os recursos que fornece aos eleitores americanos e inicia esta semana uma operação para ajudar mais pessoas a inscreverem-se para votar antes das eleições de 2020 nos EUA, de acordo com um novo artigo do CEO Mark Zuckerberg publicado no USA Today.

Zuckerberg diz que a empresa estabeleceu uma meta de ajudar 4 milhões de pessoas a se registarem para votar, bem acima do que diz terem sido 2 milhões conseguidos há quatro anos, nas eleições de 2016 que elegeram Donald Trump e há dois, nas eleições para a Casa dos Representantes nos EUA. A ajudar vão estar recursos fornecidos no Facebook, Instagram e Messenger.

O Facebook também vai apresentar um novo “Centro de Informações de Votação”, com design semelhante ao seu centro para a covid-19 que já existe por todo o mundo (o mesmo já acontece com Portugal), que apresenta informações das autoridades locais de saúde pública e notícias oficiais e confirmadas sobre o novo coronavírus e tópicos relacionados.

“As eleições de 2020 vão ser diferentes de qualquer outra. Já seria uma campanha intensa, e isso foi antes da pandemia – e antes do assassinato de George Floyd (…). As pessoas querem responsabilidade e, numa democracia, a melhor maneira de fazer isso é através do voto ”, escreve Zuckerberg na publicação.

“Com grande parte do nosso discurso a acontecer online, acredito que plataformas como o Facebook podem desempenhar um papel positivo nestas eleições, ajudando os americanos a usar a sua voz onde mais importa – votando”, explica o CEO da empresa que diz mesmo que estes esforços podem constituir “a maior campanha de informações sobre votação na história americana”.

A campanha ocorre após uma série de fracassos do Facebook durante a eleição presidencial dos EUA em 2016, na qual a interferência russa (provada já em vários relatórios) tentou estimular divisões políticas no país e pode ter influenciado o resultado da corrida.

A empresa também enfrentou recentemente uma reação feroz de vários dos seus funcionários (houve quem se demitisse), que levantaram preocupações sobre os posts do presidente Donald Trump (sem qualquer intervenção da rede social) poderem incitar à violência em plenos protestos contra a brutalidade policial e contra racismo sistémico nos EUA.

No artigo no USA Today, o responsável do Facebook defendeu a abordagem da empresa no que diz respeito ao discurso político que tem passado sem qualquer avisos ou moderação na rede social. O voto, diz Zuckerberg, é a melhor maneira de responsabilizar os políticos.

“Todo mundo quer ver os políticos responsabilizados pelo que dizem – e sei que muitas pessoas querem que moderemos e removamos mais os seus conteúdos. Temos regras contra o discurso que cause danos físicos iminentes ou suprimam a votação, e ninguém está isento”, disse Zuckerberg que reconheceu que a empresa demorou a travar a interferência russa nas eleições de 2016: “mas estamos mais preparados desta vez”.

“O trabalho de remover contas malignas nunca termina, mas aprendemos muito e adaptámos os nossos sistemas para os protegermos contra interferências”, disse.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
(Global Imagens)

EDP faz aumento de capital de 1020 milhões para financiar compra da Viesgo

O ex-ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa

Relatório aprovado. Centeno pode ser nomeado para o Banco de Portugal

(Rui Oliveira/Global Imagens)

Turismo: Eurodeputados portugueses exigem mais dinheiro e coordenação

Facebook mantém anúncios políticos mas já permite desativá-los