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Facebook perde o azul e ganha privacidade: todas as novidades

Fotografia: REUTERS/Stephen Lam
Fotografia: REUTERS/Stephen Lam

No F8, em São José, Mark Zuckerberg anunciou novo site e app e os planos para desenvolver uma plataforma social privada

A barra azul do site e da aplicação móvel do Facebook vão desaparecer a partir de hoje, quando as novas versões das plataformas começarem a chegar aos computadores e smartphones de milhões de utilizadores em todo o mundo. Mas as mudanças de design da rede social, que inclusive refrescará o logótipo, são a menor das novidades. O que o CEO Mark Zuckerberg anunciou na abertura do evento anual F8, em São José, foi uma completa viragem dos objetivos e missão das redes sociais que fazem parte da empresa.

Acredito que o futuro é privado”, declarou o CEO. “Este é um novo capítulo para os nossos serviços.” O foco passará a estar nas interações privadas dos utilizadores, e isso vai refletir-se em todos os produtos. “A privacidade dá-nos a liberdade de sermos nós próprios”, afirmou Zuckerberg, assumindo que esta posição é diametralmente oposta à prática anterior da empresa. “Não temos a reputação mais forte em termos de privacidade neste momento, para dizer o mínimo”, reconheceu. “Mas estou empenhado em começar um novo capítulo para os nossos produtos. Estou confiante de que poderemos fazer isto.”

“Isto” é construir uma plataforma social privada, trabalho que está agora a começar. Antes dessa remodelação completa, os utilizadores poderão ver já algumas das mudanças nos produtos da empresa. Zuckerberg declarou que “as aplicações de mensagens vão ser a base desta visão” e várias novidades estão a ser lançadas hoje, incluindo um Messenger totalmente redesenhado. Em primeiro lugar, a aplicação de mensagens vai chegar ao desktop, com uma versão nativa para PC e Mac que incluirá videochamada. Esta novidade permitir-lhe-á competir melhor com o Skype e o iMessage/FaceTime, sendo que o objetivo de Zuckerberg é “tornar o Messenger na plataforma mais rápida de mensagens” e oferecer “a melhor experiência de mensagens privadas” do mercado.

O Messenger está a ser redesenhado de raiz e será interoperável com as mensagens do Instagram e do WhatsApp. Os utilizadores vão notar que a app tem agora uma aba “Amigos”, onde poderão ver Stories e publicações que estes fizeram nesta e noutras plataformas – mas apenas conteúdos privados, nada público. Ou seja, em vez de circularem pelo Feed de Notícias, que perde prioridade, a ideia é que os utilizadores vejam as publicações privadas das pessoas que lhes são mais chegadas.

No site principal do Facebook, o foco será divergido para os Grupos, porque “acreditamos que há uma comunidade para toda a gente”, disse Zuckerberg. A app está a ser redesenhada “para tornar as comunidades tão centrais como os amigos”, colocando os Grupos no centro da experiência com uma nova aba. “Agora, poderão ver e conectar-se aos grupos que vos importam em todo o lado”, disse o executivo, ressalvando que a empresa está ativamente a remover grupos que existem para “infringir a nossa política e fazer coisas que são perigosas” ou a espalhar desinformação.

Olhando para o aspeto do site e da app, nota-se que houve um esforço de “limpeza”, que incluiu a reforma do azul e a substituição por branco. “Esta é a maior mudança ao site e app dos últimos cinco anos”, disse o CEO. “Também estamos a atualizar o ícone, a torná-lo mais vivo e moderno.”

Foco na privacidade

A mudança de caminho é uma tentativa de responder aos sucessivos escândalos de abuso, negligência e vazamento de dados privados, pelo que o Facebook vai construir uma plataforma social privada. A empresa passará o próximo ano a consultar especialistas e utilizadores para perceber como fazer isto e vai partir de seis princípios, enumerados por Zuckerberg no arranque do evento anual de programadores.

São eles interações privadas; encriptação; permanência reduzida [mensagens efémeras], segurança; interoperabilidade [com Instagram e WhatsApp]; e armazenamento seguro dos dados.

“Durante os próximos anos, vamos construir os nossos serviços de acordo com estas ideias”, garantiu o CEO. “Precisamos de mudar muitas das formas como gerimos esta empresa.” Foi aqui que surgiu o momento de maior entusiasmo da audiência, que irrompeu numa ovação quando Zuckerberg declarou que o Facebook vai ser mais próativo quanto ao papel da empresa: “Vamos garantir que os nossos parceiros e programadores usam os nossos serviços para o bem”, disse o CEO, que pareceu surpreendido com a reação. É que isto irá limitar o acesso a dados por parte dos programadores, que compunham a maior parte da audiência. No entanto, a ideia é que tal mudança será necessária para reconquistar a confiança dos utilizadores e, nesse sentido, “será melhor para toda a gente.”

Realidade aumentada e virtual

Não seria um F8 se Zuckerberg não tivesse novos produtos para anunciar. Este ano, foram revelados os Oculus Rift S e Oculus Quest, este último um produto independente que não precisa de cabos nem de smartphone. Ambos custam 399 dólares e as pré-reservas abrem hoje, com chegada ao mercado a 21 de maio.

A outra novidade, relativa ao produto dedicado a videoconferência da empresa, Portal, é que será lançado na Europa depois do verão. E com a integração de Spark AR, o Facebook vai permitir a aplicação de máscaras e efeitos especificamente para o contar de histórias. O exemplo mostrado em palco foi de uma avó a contar a história dos Três Porquinhos com uma máscara de lobo sobreposta na sua cara.

Instagram e WhatsApp

As duas plataformas que pertencem ao Facebook também terão alterações. No Instagram, a empresa está focada em incentivar mais interações privadas, em detrimento do investimento na faceta pública da app. A atenção estará nas Stories (porque são conteúdos efémeros) e nos Pagamentos, já que o Instagram está a afirmar-se como plataforma boa para interações entre consumidores e marcas. É neste contexto que a aba “Explore” vai passar a ter um canal de compras, para que as pessoas possam comprar diretamente aos criadores que seguem. Outra adição é a possibilidade de criar iniciativas de angariação de fundos.

No WhatsApp, também estão a ser testados Pagamentos (neste caso, no mercado indiano), com data de lançamento global prevista para o final do ano. Vão surgir os Catálogos de Produtos, para que os utilizadores possam ver o que as empresas com quem interagem têm de novo, sendo que a privacidade continua a estar no centro porque “é tudo pessoas que vocês conhecem, não há figuras públicas que possam ‘seguir’.”

No final, Zuckerberg disse que o que está em curso é uma mega reconstrução da infraestrutura por detrás destas plataformas. “Usar todos estes serviços será fundamentalmente diferente dentro de alguns anos.”

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