Emigração

Farto disto tudo? Como passar a ser residente da Estónia

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A Estónia é um daqueles países pequeninos que apareceu no mapa depois de ter criado uma das tecnologias mais populares de sempre, o Skype. Tem 1,3 milhões de habitantes e não produz quase nada. Tornou-se independente em 1988 e recebeu tecnologia obsoleta de graça vinda da Finlândia, que lhe permitiu avançar na digitalização. Não tem impostos sobre empresas. Já está interessado?

Há muito tempo que a Estónia, com a sua população diminuta, avançou nos serviços de governo electrónico – incluindo poder votar com o telemóvel – e noutros serviços digitais. Mas o país quer aumentar a sua população, sem perder qualidade de vida, sem aumentar a proporção de habitantes por quilómetro quadrado. A solução é pioneira no mundo: residência electrónica.

A fase de candidaturas abriu no início de Outubro e foi um sucesso, cinco mil pedidos de bilhete de identidade estoniano em 24 horas; 40% veio dos Estados Unidos (o presidente Toomas Hendrik Ilves cresceu nos EUA e tem boas relações com Obama).

“Queremos chegar aos 10 milhões de residentes com o bilhete de identidade digital”, disse Liina Areng, directora de relações internacionais da Estónia, durante uma conferência em Budapeste. Para que serve? Para aceder a serviços como banca, educação, saúde e negócios. “Demora apenas meia hora a abrir uma empresa na Estónia”, acrescentou Liina. Antes era cinco dias.

Quando estive em Tallinn, antes de o Skype ter sido comprado pela Microsoft, vivia-se um ambiente eufórico com a nova economia digital. As pessoas habituaram-se há muito a fazer tudo com o computador e o telemóvel. Martin Talvari, um dos directores estratégicos da conferência de startups Slush, na Finlândia, tem 27 anos e diz que não se lembra de uma altura em que não tenha sido sempre assim. Tecnologia, digital, poupança de custos, eficiência. Como vive na Finlândia e está na estrada a trabalhar com a Slush, não vai à Estónia há algum tempo. Mas continua a votar nas eleições e a tratar de tudo o que precisa de serviços governamentais.Nas últimas eleições, 3% dos votos vieram de fora da Estónia, o que é bastante quando se considera o universo total.

Talvari esteve em Portugal quatro dias e seleccionou uma startup do Lisbon Challenge para ir à Slush em novembro (parabéns, Tradiio). Elogia os esforços do governo português para uma maior digitalização das interacções com os cidadãos, e pergunta-me, ao terceiro café do pequeno-almoço: “porque não pedes um cartão de residente na Estónia?” Os cartões começam a ser emitidos no final deste ano. É o primeiro país a fazer isto, mas certamente não será o único, e talvez tenha mais efeito que promover vistos gold.

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