inteligência artificial

Feedzai em Las Vegas. E se pudermos ligar o cérebro à internet?

Nuno Sebastião, CEO da Feedzai, tira uma selfie com a audiência no AI Deep Dive/Insider Images
Nuno Sebastião, CEO da Feedzai, tira uma selfie com a audiência no AI Deep Dive/Insider Images

Tecnológica portuguesa Feedzai organizou a "AI Deep Dive" dentro da conferência global Money 20/20

A Feedzai esteve no centro do arranque da conferência Money 20/20, em Las Vegas, onde foram feitas algumas das projeções mais incríveis sobre o futuro da inteligência artificial. A tecnológica portuguesa co-organizou o evento “AI Deep Dive” com alguns dos maiores visionários da indústria, entre os quais o inventor Ray Kurzweil, que fez a sua keynote de forma remota (vídeo), Steve Wozniak, o co-fundador da Apple, e o físico teórico e futurista Michio Kaku.

“A inteligência artificial está aqui para ficar”, anunciou Nuno Sebastião, CEO da Feedzai. “Ninguém está aqui para vender alguma coisa, mas para discutir estes conteúdos com toda a gente.” O executivo português, que entrou em palco para apresentar o evento – e tirar uma selfie com a audiência que encheu a sala de conferências do hotel Venetian – foi surpreendido pelo enorme sucesso do evento. Apareceram cinco vezes mais pessoas que o esperado e centenas ficaram à porta. A empresa portuguesa acaba de levantar 42 milhões de euros de financiamento e organizou este evento para se assumir como parte da elite mundial da inteligência artificial – não propriamente para vender soluções. Os visionários que levou ao evento não desiludiram ninguém.

Ligar o cérebro à nuvem

“Não haverá uma invasão extraterrestre de máquinas de Marte”, brincou o inventor Ray Kurzweil, que está a trabalhar em projetos de IA na Google. A ideia, disse, é construir ferramentas que alarguem os sentidos humanos. “Na próxima década de 2030, teremos aparelhos do tamanho de células sanguíneas”, previu o futurista. A primeira aplicação, talvez uma das mais importantes, será enviar estes dispositivos para a corrente sanguínea de forma a manter um estado ótimo de saúde. “Vamos usá-los para extrair toxinas, combater patologias. Muitas doenças envolvem mau funcionamento de órgãos como o pâncreas”, explicou, dizendo que há projetos para pôr nano-robôs dentro do corpo humano e resolver todos estes problemas.

A segunda aplicação será entrar dentro do cérebro e simular sinais como se viessem dos nossos sentidos. “Poderemos ligar as camadas superiores do neocortéx à nuvem”, sugeriu Kurzweil. Aquilo que hoje fazemos indiretamente, através de computadores e smartphones, vai acontecer de forma direta: o cérebro ligado à internet.

“Ainda não temos informação suficiente sobre o neocórtex”, reconheceu o inventor, “mas a que temos podemos utilizar.” Seremos, na sua visão, híbridos biológicos e não biológicos. “Criaremos novas e fantásticas formas de comunicar, teremos pensamentos profundos.” Assustador? Só para alguns.

Michio Kaku, inventor que tem um estilo mais pomposo que Ray Kurzweil, acrescentou outras previsões que parecem loucas, mas que são para onde a indústria caminha. Por exemplo, poder carregar e descarregar memórias. Discussões com o carro autónomo. Lentes de contacto com internet. Iremos digitalizar partes do corpo humano, podendo criar bexigas ou orelhas artificiais, e chegaremos à mente, prevê. “Os sensores de ressonância magnética podem detetar mentiras no cérebro. O computador consegue perceber se a pessoa está a pensar em certos objetos e até em palavras individuais”, disse. Haverá pacemakers para o cérebro. Poderemos criar um mundo semelhante ao da trilogia “Matrix”? É a digitalização última da mente.

No entanto, nem todos os painéis do debate pareceram guiões de Hollywood. A Amazon falou dos projetos de machine learning que estão a ser feitos na sua nuvem por quase todos os clientes empresariais. Bancos como o Morgan Stanley e HSBC discutiram o potencial de certas tecnologias de automação para serviços financeiros, que irão transformar o trabalho dos especialistas. A Square Capital explicou como a IA está a ajudá-los a financiar pequenas empresas e projetos individuais. A Intel falou do supercomputador baseado em redes neurais que está a construir.

A variedade de perspetivas foi tremenda. No entanto, todos os especialistas que passaram pela conferência organizada pela Feedzai, que foi o principal atrativo do primeiro dia da Money 20/20 em Las Vegas, concordaram nisto: o avanço da inteligência artificial é imparável. Quem ficar para trás sairá a perder.

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