Bárbara é uma delas. Tem 26 anos, estuda design têxtil e há três anos que trabalha nos bares do festival catalão. Tal como a amiga Catarina, que é educadora de infância, ou como o Gonçalo, a Raquel, o Rui ou a Cláudia.
Todos eles foram contratados pela Eventualidades e Casualidades, uma empresa de Paredes de Coura que nasceu com o festival Paredes de Coura, em 2011, e um ano depois já tinha conseguido a concessão dos bares do Primavera Sound de Barcelona e do Porto, cuja quarta edição termina hoje e onde estão com 120 pessoas em 16 bares.
“No primeiro ano, em Barcelona, fomos com 150 pessoas para operar metade dos bares, mas depois ficámos com tudo”, contou o fundador da empresa, João Viana, que diz que foram escolhidos porque têm uma logística muito bem montada.
“Os funcionários recebem um valor diário durante os três dias de festival e pagamos ainda a deslocação de autocarro ou avião, o alojamento e a alimentação. Até temos cozinheiras”, diz João.
Além disso, têm “uma equipa que faz as contas e a gestão do stock, outra que assegura a distribuição das bebidas pelo bares e uma enorme lista de inscritos”. Neste momento, são já 1300, muito mais que os 300 que tinham há três anos. A média de idades é 25 anos e a maioria são estudantes de Paredes de Coura, Braga, Guimarães, Viana do Castelo e Porto, mas também há advogados ou médicos que tiram uns dias de férias.
“Até temos portugueses que trabalham em Londres ou Paris e tiram férias para vir trabalhar connosco”, diz João.
São todos temporários, acrescenta, “porque depois da inscrição, que fica para sempre, só trabalham quando podem e nos festivais” que são três, mas podem vir a ser mais. “Estamos a apresentar propostas em Espanha”, revela João Viana. Mas, por muito atrativo que seja trabalhar num festival, não é por isso que se inscrevem.
Até porque não podem sair do bar, não podem beber cerveja ou outras bebidas alcóolicas e muito menos pagá-las aos amigos. “O dinheiro que recebemos é uma ajuda, no meu caso para pagar o curso, mas o ambiente é espetacular e conhecemos muitas pessoas. Isto é uma experiência incrível”, contou Bárbara.
Mas também é duro. Trabalham todos os dias, em pé das 15.00 às 07.00 da manhã do dia seguinte e no último dia saem do bar diretamente para um dos cinco autocarros a caminho do Porto. O que vale é que são 14 horas de viagem e dá para dormir.
