Animação

Klaus. Há um toque português nos Óscares

Klaus, filme Netflix
Fonte: Netflix

Uma curta para uma banda levou Edgar e Sérgio Martins até aos estúdios SPA. Klaus é um dos nomeados do ano em animação.

Edgar e Sérgio Martins souberam desde pequenos que queriam fazer filmes de animação. Anos mais tarde e já num país diferente, estão na equipa que desenvolveu Klaus, nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação. Os dois irmãos trabalham em Espanha, nos estúdios SPA, liderado por Sergio Pablos, que já trabalhou em sucessos como Rio ou Gru, o Maldisposto.

Desde os 17 anos a trabalhar no mundo dos estúdios de animação, incluindo Animanostra, Big Moon e Bang Bag, já passaram pelas mãos dos irmãos Martins curtas-metragens de autor, séries de animação escolares e videojogos. Aos 27 anos, acusaram o cansaço dos projetos em que trabalhavam. “Estávamos à procura de coisas mais ambiciosas e como éramos fãs da banda Blink 182 contactámos o vocalista, Tom Delonge, com um pequeno teste de animação. Ele gostou do que enviámos e decidiu investir numa curta-metragem.”

O resultado, Poet Anderson: The Dream Walker, ganhou um prémio no Festival de Cinema de Toronto, em 2014, e abriu portas no panorama internacional. “Foi sem dúvida o projeto mais importante antes de Klaus. Quando foi finalmente partilhado online tivemos várias propostas para trabalhar no estrangeiro, incluindo a de Sergio Pablos.”

Edgar Martins desempenhou funções de head of story no filme, estando ligado à primeira fase de exploração da história, na qual é criada uma espécie de banda desenhada do enredo. Já Sérgio teve a seu cargo a supervisão de animação, em que são criados os maneirismos e a forma de agir de cada personagem. “O maior desafio, além de supervisionar questões técnicas como desenho e animação, é criar personagens interessantes e com personalidades únicas, perto daquilo que faz um ator de imagem real.”

Feito para a plataforma de streaming Netflix, o filme recorre a uma peculiar amizade para contar a origem do Pai Natal. Apesar de ser um filme de “animação tradicional, inteiramente desenhado à mão”, tem uma particularidade. “O que torna Klaus revolucionário é que, ao contrário dos clássicos da Disney – desenhados à mão mas com personagens bidimensionais, quase como desenhos planos colados em cima de um cenário elaborado -, traz pela primeira vez a possibilidade de iluminar e dar forma, através de luz e sombra, aos personagens, criando uma harmonia perfeita entre personagens e cenários”, explicam.

Para tal, foi necessário desenvolver um software, em parceria com os estúdios franceses Les Films du Poisson Rouge, que permite “aos artistas aplicar de forma rápida e económica luz e sombra desejadas nos personagens”.

Com a cerimónia dos Óscares no domingo, dia 9, os irmãos assumem que há agora “uma camada extra de expectativa para manter o trabalho ao mais alto nível” e a equipa está “mais motivada do que nunca” para competir com os gigantes da indústria. “Ironicamente não muda praticamente nada no dia-a-dia, a mentalidade continua a ser a mesma. O objetivo é sempre fazer o melhor trabalho possível e puxar ao limite a capacidade e a qualidade da animação.”

Klaus compete na mesma categoria que Toy Story 4, Missing Link ou o francês Perdi o Meu Corpo. Para os portugueses, que já estão a trabalhar noutros projetos, há espaço para produções de animação fora do mundo anglo-saxónico. “Neste ano, dois dos cinco filmes de animação nomeados são europeus e ambos são financiados por uma plataforma de streaming. A indústria de animação internacional está a transformar-se.”

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