Código para daltónicos

ColorADD Sistema quer chegar à Inditex e à Google

Miguel Neiva, o criador do código de cor para daltónicos, precisa de meio milhão de euros para internacionalizar o projeto. Prevê o pay back em 4 anos

O ColorADD, o sistema de identificação das cores para daltónicos, quer chegar ao mundo. E está à procura de investidores. Miguel Neiva, o designer portuense que criou o código, necessita de meio milhão de euros para a expansão global do ColorADD, que pretende chegar a grandes marcas internacionais, como a Inditex, a Google, a Lego ou a Havaianas para mais rapidamente disseminar o conceito. O Rock in Rio é o mais recente parceiro da marca e promete dar uma ajuda.

Considerado pela revista brasileira Galileu como “uma das 40 ideias que vão mudar o mundo”, o ColorADD nasceu em 2008, inicialmente como tese de mestrado de Miguel Neiva e só a partir de 2010 como ideia de negócio. Cinco anos depois, e com apenas três colaboradores, tem já 255 parcerias estabelecidas para uso da marca ColorADD com empresas, autarquias, escolas, universidades em hospitais, entre outras organizações. São nomes tão distintos como as tintas CIN, a CGD, os supermercados Continente, o Centro Hospitalar de Lisboa ou o Museu de Design em Budapeste. O uso do código está sujeito ao pagamento de uma licença estabelecida em função da faturação da empresa, sendo esta grátis para escolas e entidades sem fins lucrativos.

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Miguel Neiva quer, agora, avançar com a internacionalização do projeto. E, para isso, está à procura de investidores sociais. “Sempre acreditei que o designer deveria fazer mais do que objetos bonitos, deveria contribuir para um mundo mais inclusivo. Estivemos durante quatro anos a testar o ColorADD em Portugal e acreditamos que é o momento de levar o projeto para o mundo”, explica.

O plano de negócios estabelece um valor que varia entre os 300 e os 500 milhões de euros, consoante a abordagem seja europeia ou global. O programa de investimento está desenhado a quatro anos e prevê um crescimento da faturação de 65% ao ano, passando dos 100 mil euros de 2015, correspondentes a 30 novas licenças, para os 721 mil euros em 2019, com 220 novas licenças.

O projeto nasceu de um investimento pessoal de dois mil euros e toda a expansão foi feita com capitais próprios. Miguel Neiva recusou a entrada de capitais de risco, no arranque, convicto de que tal teria inviabilizado o desenvolvimento de uma ideia com um cariz social como esta. Agora, pretende encontrar preferencialmente dois investidores interessados em adquirir até um máximo de 30% do capital, já que quer manter sob o seu controlo os restantes 70%.

O objetivo é que a expansão se faça de forma dupla: sensibilizando e dando a conhecer o que é o daltonismo (aí se insere o trabalho da Fundação ColorADD, que faz rastreios de visão e de daltonismo nas escolas primárias), mas também associando a marca a três ou quatro grandes players em sectores-chave, como a indústria têxtil, transportes, brinquedos, materiais de escrita ou novas tecnologias.

Os lápis da Viarco, a roupa da Zippy, o calçado da Dkode são alguns dos exemplos portugueses que já ostentam o sistema, mas a intenção é chegar a nomes como Inditex, Lego, Google, Havaianas ou ao Metro de Londres e Madrid. O sistema está já validado no Metro do Porto, usado diariamente por 210 mil pessoas. E muitos são os contratos já assinados, designadamente na indústria farmacêutica, mas ainda sujeitos a confidencialidade.

E se é verdade que a grande notoriedade do ColorADD ainda se faz no mercado nacional, não é menos certo que grandes nomes se começam já a associar ao código para daltónico. É o caso da Montana Cans, a empresa alemã de referência em tintas para graffiters. Ou da maior feira de referência sobre acessibilidades no espaço urbano, que se realiza em março em Paris, e que escolheu o ColorADD como ferramenta de sinalética espacial. O futuro adivinha-se com novas cores.

 

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