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Huawei Mate 30. Novidades notáveis mas sem Google nem data de lançamento

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Tem características de exceção em câmaras e uma aposta em vídeo 4K com números inéditos. Novo Huawei Mate 30 vem sem apps e serviços Google, sem dia de lançamento europeu, mas com um novo ecossistema (HMS) substituto que conta com mil milhões de dólares para poder crescer.

O que todos queriam saber sobre o mais recente smartphone da Huawei ficou sem resposta concreta (não há data marcada para ficar disponível), mas uma promessa: o novo topo de gama da marca chinesa “deve chegar” no final deste ano, sem apps da Google e com um investimento de mil milhões de dólares para alimentar o novo ecossistema da Huawei para substituir a loja de apps da Google. Chama-se HMS (Huawei Mobile Services) e pretende crescer rapidamente, dentro do possível. Para já conta com 45 mil apps – não foram indicadas quais – e quer ganhar programadores e opções.

O Huawei Mate 30 foi apresentado com números categóricos e, para já, com o problema de não poder contar na Europa com apps e serviços da Google bem vivo e presente. Este é o primeiro lançamento de um smartphone da Huawei já após o bloqueio dos EUA à empresa e esse foi um tema incontornável do evento de Munique desta tarde, onde estivemos. O novo sistema EMUI 10.0, com base em Android open source (algo inédito para a Huawei, que usava antes uma versão mais completa), tem como destaques uma experiência de modo noturno melhorada e ainda controlo por gestos à distância.

Richard Yu, o CEO da Huawei – área de consumo – começou a apresentação por falar no crescimento em wearables, portáteis e smartphones da empresa mas depressa chegou ao novo topo de gama em telemóveis da marca.

O Mate 30 inspira-se nas câmaras reflex e as suas lentes para concentrar as câmaras na parte traseira numa zona redonda. Richard Yu lembrou que com o Mate 20 o ano passado tinham usado uma solução que a Apple usa agora nos iPhone 11, com as câmaras num quadrado.

Com ecrã ligeiramente maior do que o outro topo de gama de 2019 da marca, o P30 Pro (tem 6,47″), o Mate 30 Pro tem ecrã de 6,53 polegadas FHD+ (com 2400 x 1176 pixels) – está longe do gigante Samsung Note10+, com 6,8″ – e é ligeiramente mais pesado, mas por um bom motivo. Tem uma bateria impressionante de 4500 mAh, acima da do próprio Note10+ que tem 4200.

O Mate 30 aposta num ecrã a que a marca chama de Horizon, porque o ecrã (rácio de 18:4) vai até às extremidades laterais e dobra ligeiramente. É depois comparado com o iPhone 11 Pro Max, por ser mais pequeno mas ter ecrã maior. Houve uma atenção grande aos detalhes nas extremidades. E o notch usado tem mais tecnologia do que nunca e uma segunda câmara 3D.

Usam acústica no ecrã, com coluna incorporada e em vez de botões físicos permite interação com a lateral do telefone nova. A traseira do telefone tem acabamentos matte que a marca diz que permite menos “dedadas” e que escorregue menos. Têm ainda uma opção chamada Vegan Leather, em duas cores, que usa na parte de trás um tecido ao estilo pele.

O novo processador Kirin 990 5G SoC – o primeiro a integrar unidades de processamento e um modem 5G no mesmo chip usando o processo 7nm + EUV –traz promessas consideráveis, como vimos na IFAhá duas semanas. Além de melhorar a velocidade em 24% face à anterior geração prometeganhos de 44% na energia consumida relativamente ao processador mais potente da rival Qualcomm e 10% melhor processamento.

Incluído com o 5G estão com 14 antenas. Indicam ainda ser 50% mais rápido em 5G do que o rival da Samsung. Inclui cartão dual SIM 5G também – dizem ser os únicos que o suportam. Yu explica que têm a melhor autonomia de bateria com uso do 5G e arrefecimento do telefone do mercado no uso do 5G.

O carregamento rápido de 40W não é novidade, mas melhoraram o carregamento por indução para 27W. Continuam a disponibilizar que o próprio telefone permita carregar outros aparelhos. Foi ainda anunciado um acessório para carregamento por indução no carro com 27W para o Mate 30.

Na fotografia, para o Mate 30 Pro tem dois sensores novos de 40 MP RYYB, que indica que deixa entrar mais luz que os rivais – 137% melhor do que o iPhone 11 Pro, dizem. Modo noite, por isso, foi melhorado e vem com qualidade semelhante mesmo com a câmara de grande angular.

O novo SuperSensing Cine Camera inclui quatro câmaras que usam um sistema de câmara dupla principal. A câmara Cine de 40MP, a câmara SuperSensing de 40MP, uma câmara telefoto de 8MP e uma câmara com deteção de profundidade 3D. Tudo junto permite ainda zoom digital de 45x, enquanto o zoom ótico passou para os 3x (era de 5x no P30 Pro).

Leia também | Perguntas e respostas sobre o polémico bloqueio à Huawei

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O vídeo ao estilo profissional, a nova aposta

Para gravação de vídeo, tornaram o Mate 30 Pro no primeiro smartphone com câmara dedicada de 40MP para vídeo, com inéditos 7680 fps para slow motion (consegue filmar mais frames por segundo do que qualquer telefone, o que permite um slow motionmais lento do que nunca) e que grava 4K de 60fps além de ter estabilizador ótico de imagem.

Outra promessa é que se trata do smartphone do mundo que capta em vídeo mais luz, permitindo ver “melhor do que nunca” em situações noturnas. Também há time lapseem 4K com gravação até 12 horas seguidas e um modo bokeh para vídeo.

Há ainda uma versão Porsche Designdo Mate 30 Pro, o Mate30 RS, como tem sido habitual, onde o smartphone torna-se mais exclusivo com uso de materiais mais luxuosos e uma capa especial que permite ter apoio para o dedo.

Características Huawei Mate 30 Pro
Peso: 198 gramas
Memória: 8GB de RAM. Com 256 GB de armazenamento
Processador: o novo Kirin 990
Ecrã: 6,53 polegadas FHD+ (2400 x 1176 pixels)
Bateria 4500 mAh, 40W de carregamento e 27W Wireless
EMUI 10.0 baseado em Android 10
3D Face Unlock
Câmaras 40 MP Super Wide angle (f/1.8), 40 MP Wide Angle (f/1.6, com OIS) + 8MP Telefoto (f/ 2.4, com OIS) + 3D sensor de profundidade
Câmara frontal 32MP (f/2.0)
Vídeo: Câmara principal: 4K (3840 x 2160), com AIS e anti-shake; suporta 720 com 7680fps)

Preços
Mate 30 – 799 euros
Mate 30 Pro – 1099 euros

Relógio & televisão

Também foi apresentado novos smartwatches, incluindo o Watch GT 2com bateria prometida para duas semanas e a possibilidade de ouvir música a partir do próprio relógio, graças a colunas incorporadas.

Uma das surpresas do evento foi o lançamento da primeira televisão inteligente da Huawei, a Vision,com câmara incluída e capacidades para videoconferências e conectividade entre aparelhos da Huawei, além de permitir que falemos para o próprio comando (semelhante ao que a Apple usa no Apple TV) dando indicações do que queremos e com um touchpad incluído. A Huawei aumenta assim o hardware para o ecossistema de software que começa a expandir também devido aos problemas com os EUA e à incapacidade de usar os serviços da Google.

Compromisso da Huawei com a Europa

De manhã, antes da apresentação mundial do novo modelo e ao contrário do que é habitual, o líder europeu da empresa, Walter Ji, deu uma conferência de imprensa, onde falou de forma geral nos desafios que a empresa chinesa atravessa este verão. Ji explicou que a empresa está otimista e quer aproveitar estes problemas com os EUA e a impossibilidade de poder usar várias partes do ecossistema da Google para criar novas oportunidades. Falou-se em “orgulho”, “colaboração mundial” e o responsável recordou a história de 32 anos da empresa que atravessou desafios na China e criou novas oportunidades.

Que soluções? Não houve indicações concretas sobre o que vai acontecer. Há sim a promessa de um comprometimento com o mercado europeus de “longo prazo”. Recordou-se a maior loja mundial da Huawei em Madrid. E mais duas lojas gigantes vão nascer, uma em Roma e outra em Paris. O foco europeu também vai estar mais em wearables, portáteis e produtos para a casa na tentativa de aumentar o ecossistema da empresa na Europa, para que fique menos dependentes dos smartphones.

Em agosto o responsável de software da Huawei, Chenglu Wang, admitia-nos na Chinaque a Huawei sem acesso aos serviços Google ou ao sistema Android – pode usar a versão gratuita do sistema operativo – poderá trazer um “período difícil de um ou dois anos” para a empresa. Isto porque embora tecnicamente seja “fácil e rápido” substituir de sistema operativo pelo novo HarmonyOS da empresa, o Android com as apps e serviços da Google, para já, “tem a vantagem de uma loja de apps enorme, fruto de vários anos no mercado”.

Apesar de poder lançar Android, com a sua adaptação chamada EMUI 10.0 com as apps e serviços Google fora da Europa, no Velho Continente o uso desses serviços tem um custo, o que entra diretamente em conflito com o bloqueio americano e evita que os smartphones possam ser lançados com as relevantes apps e serviços Google de raiz.

* o jornalista viajou para Munique a convite da Huawei

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