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João Lousada. Conheça o primeiro português a liderar a Estação Espacial

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Aos 30 anos, português João Lousada mantém vivo o sonho de ir Marte e soma triunfos: vai voltar a ser astronauta análogo (na Terra) e é agora director de voo da Estação Espacial Internacional.

Depois de dois meses de treino intensivo e testes que o levaram ao limite, o lisboeta João Lousada é o novo director de voo do módulo e laboratório científico da Estação Espacial Internacional (EEI), o Columbus. É a primeira vez que um português tem uma função com tamanha responsabilidade na estação e, embora ainda não lhe permita cumprir o sonho de ser astronauta no espaço, aos 30 anos, está mais perto do que nunca.

Foi o céu estrelado da aldeia dos avós, Bouçã (junto ao rio Zêzere), que despoletou o interesse de João Lousada pelo espaço. Após os estudos de engenharia espacial entre Portugal, Espanha e Canadá, um estágio na agência espacial alemã deu-lhe o primeiro ‘sabor’ do espaço. Desde 2016 que está no Grupo GMV, onde se coordena operações europeias da Estação Espacial, perto de Munique. Tem sido controlador, mas agora o calmo e ponderado João viu ser reconhecido o seu esforço.

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“Primeiro tive de mostrar interesse na função, depois de mostrar capacidade em liderar a equipa e um conhecimento completo de todos os sistemas da estação, bem como dos factores que podem perturbar o sistema”, explica o engenheiro aeroespacial. Seguiram-se dois meses “de treino intenso, exames vários e muitas simulações (inclusive da NASA)”, numa delas teve de lidar “com o pior dia possível para a EEI, onde tudo corre mal e o stress é enorme”. “Temos de lidar com o impacto de um meteorito ou de um fogo a bordo, onde perdemos o controlo”.

ISS Columbus

Já estava habituado, como controlador, a dar instruções diárias aos astronautas da EEI, mas agora está “na posição que coordena tudo”: “sou o principal responsável pela segurança deles”. A adaptação ao cargo, que começou há umas semanas, está a ser boa, mas sente que ainda está a aprender.

“Os astronautas na EEI são as nossas mãos no espaço, temos de planear experiências, operações e escolher o horário que eles vão utilizar por lá”. O diretor de voo da Columbus explica que enviar astronautas para o espaço é difícil, por isso é preciso optimizar o trabalho, daí que façam testes no centro de Munique, para que quando são feitas no espaço corram bem à primeira.

Há ainda o lado humano: “eles têm de confiar em nós, porque temos uma visão mais clara dos sistemas no centro, através de sensores e correntes elétricas, mas para outras coisas precisamos do feedback deles”. A confiança têm de ser total, daí que seja normal as piadas enquanto comunicam no dia a dia ao longo dos turnos de 8h a 9h – o centro trabalha 24h por dia e existem responsáveis para cada um dos três turnos diários, já que a vida no espaço não pára. Curiosamente, “os astronautas não são o tipo de pessoas que se queixam das limitações do espaço”.

O módulo científico acaba por ter grande importância como laboratório espacial, onde se faz ciência dos materiais. “Aprendemos o fundamental da física, da química. Além da componente da falta de gravidade há muito que podemos aprender e só podemos testar ali”. Uma dessa coisas é a forma como o corpo humano reage, já que fica com menos massa óssea e massa muscular e tem de lidar com radiação, “aprende-se como podemos atuar”. Muitas das experiências feitas “acabam por ter aplicações nas áreas médicas na Terra”.

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Astronauta análogo: como se estivesse em Marte

Entretanto, João Lousada ficou a saber a semana passada que vai voltar a ser astronauta análogo (de testes em Terra) em 2020, desta vez em nova missão para simular Marte, que se vai realizar em Israel. O português assumiu essa posição pelo Fórum Espacial Austríaco onde esteve o ano passado nos glaciares austríacos e, já no verão, no deserto de Omã, na Península Arábica.

Depois de passar por cerca de 600 testes individuais e mais de 100 candidatos, foi um dos cinco eleitos (serão seis em Israel) para as missões onde passa cerca de um mês com fato de astronauta a simular missões em Marte em ambientes semelhantes. “Testamos coisas muito diferentes em cada missão e os dados que recolhemos sobre o desgaste dos equipamentos ou a melhor forma de fazer testes são depois disponibilizados com a comunidade”.

Tem aprendido muito sobre ser astronauta. “Continua a ser o meu sonho, espero que haja nova chamada a nível europeu em breve, até porque não houve mais nenhuma desde 2008”. A vida na Alemanha, em conjunto com a mulher, é “pacata e simpática” e o casal adora estar perto dos Alpes, já que costumam fazer atividades ao ar livre, “como escalada e outros desportos de inverno”. Apesar disso, o próximo destino desejado é mesmo Marte, que estima que comece a ser uma realidade para a humanidade lá para 2030.

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