Tecnologia

Gestech debate o futuro (digital) da educação em Portugal

Ministro da Educação vai estar presente no evento. Fotografia: Maria João Gala / Global Imagens
Ministro da Educação vai estar presente no evento. Fotografia: Maria João Gala / Global Imagens

O responsável da conferência, Luís Farrajota, explica ao Dinheiro Vivo os objetivos do evento organizado pelo Ministério da Educação e pelo IGeFE.

Chama-se Gestech (EDU) – Transformação Digital no Sistema Educativo e, diz o seu responsável, Luís Farrajota, é a primeira conferência sobre as novas tecnologias ligadas à Educação. Num contexto escolar de 6 mil escolas, mais de 160 mil pessoal docente e não docente e 1,2 milhões de alunos, o novo evento promovido pelo Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE), realiza-se esta terça-feira, no Centro de Congressos de Lisboa (pode ver aqui o programa).

Farrajota já foi consultor do ministério da Educação, é vice-presidente do IGeFE e é o responsável por montar toda a estrutura que contará com oito sessões e mais de 15 oradores.A conferência, que espera receber cerca de 700 participantes, vai contar com Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Paulo Santiago, chefe da divisão de Assessoria e Implementação de Políticas (PAI) na Directoria de Educação e Competências da OCDE, e Johanna Engman, CIO (Chief Innovation Officer, ou responsável da inovação) da Cidade de Estocolmo.

Quais serão os oradores convidados que aguarda com mais expectativa ouvir no evento?

Com perfis distintos e diferentes experiências profissionais, o IGeFE sente-se orgulhoso do painel de oradores que irá compor o evento Gestech. Dispondo de um conjunto de oradores com um curriculum que fala por si, iremos abordar questões distintas, desde modelos de governance nas organizações à própria importância da transformação digital nas organizações. Como keynote speakerteremos um alto representante da OCDE [Paulo Santiago], conhecedor dos mais distintos Sistemas Educativos, e que nos presenteará com uma apresentação sobre os novos desafios da Educação nos tempos mais próximos. Por outro lado, teremos connosco, Johanna Engman, a Chief Information Officer da cidade de Estocolmo que nos fará uma apresentação do caso concreto da Transformação Digital na capital sueca. As expectativas são enormes, pelo que destacamos o evento como um todo e não especificamente um ou outro orador.

Foi fácil chegar ao painel de oradores? Houve alguém que tentou e não conseguiu que viesse?

Foi muito fácil. Sendo este o primeiro evento na área educativa sobre esta temática, a vontade de contribuir para um evento desta natureza foi inequívoca por todos os oradores, dizendo ‘presente’ desde a primeira abordagem. Sim, tivemos dois oradores, um nacional e outro internacional que, por uma questão de incompatibilidade de agendas, não puderam estar presentes, mas que fizeram questão de muito em breve estar connosco.

Como surgiu a ideia de fazer o Gestech?

O IGeFE entende que, por inerência das suas competências e pelo papel desempenhado na gestão financeira da educação, deverá ser parte integrante de um sistema que tal como todos os outros sistemas se encontra em perfeito dinamismo. Nesse sentido, o IGeFE assume o papel de despertar consciências e de um dos impulsionadores da reinvenção das organizações. Parece-nos que chegou o momento de mostrar e partilhar o que de bom se faz na educação com enfoque na transformação digital e na gestão.

Qual o objetivo da nova conferência? Como definiria a transformação digital que é o tema da conferência?

O objetivo desta conferência é dar a conhecer às administrações escolares e à administração pública em geral as novas formas de como as fronteiras entre a gestão das organizações e a gestão tecnológica se confundem cada vez mais. O IGeFE entende que tem um papel fundamental e fulcral, nomeadamente na área da Educação e, nesse sentido, propõe-se a dar a conhecer exemplos práticos de projetos de referência em diversas áreas do sistema educativo português, que apontam o caminho para uma gestão mais eficiente e com melhores resultados a nível transversal de todo o sector da educação.

Nós, hoje em dia, encontramo-nos na era digital, entendemos ter de nos adaptar às necessidades e ao comportamento da própria sociedade. Entendemos a transformação digital não só como mera medida evolutiva e da tecnologia em si mas, sobretudo, num conceito mais amplo. Isto é, utilizar a tecnologia para potenciar a eficácia e a qualidade do serviço prestado ao cidadão. Tudo isto implica por si só que os sistemas tenham que se reinventar, alterando competências e modus operandi das equipas envolvidas, resultando na própria transformação da cultura organizacional.

Teve já um papel no ministério da Educação. Como avalia o nível de transformação digital no sistema educativo português?

Por norma, e decorrente da própria natureza humana, o ser humano nunca se encontra satisfeito. Diria que o sistema educativo está a percorrer o seu caminho e que se encontra preparado para abraçar os desafios mais próximos que lhe serão colocados. Contudo, há sempre melhorias a implementar, visto que os comportamentos e os respetivos sistemas são dinâmicos e têm a sua própria evolução. Para este processo concorre não apenas o IGeFE mas também outros organismos com projetos relevantes na gestão do sistema educativo como é o caso da DGEEC (Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência).

O que é preciso melhorar e em que é que já somos bons?

A melhoria no Sistema Educativo passa sempre por dois grandes pilares. Por um lado, melhoria das qualificações médias dos nossos estudantes, por outro, o combate ao abandono escolar precoce. É sobre estes dois grandes pilares que todo o Sistema Educativo se empenha e para o qual trabalha arduamente dia após dia. Somos bons na capacidade de implementação, controlo e execução de medidas educativas, concorde-se com elas ou não. Mérito de todos os intervenientes do Sistema Educativo Português.

O que nos falta para chegar perto dos níveis de países referência nesta matéria (quais diria que são as referências)?

Para que possamos falar em referências, teríamos que ter exemplos de comparação semelhantes e, nestes casos, as referências não são comparáveis. Diria que face ao ponto de partida de cada um dos sistemas educativos, Portugal deve honrar-se do lugar que ocupa, visto que conseguiu uma recuperação relativa muito mais que proporcional a um conjunto de países que hoje entendemos como países representantes de sistemas desenvolvidos. Como exemplo, Portugal na década de 90 tinha uma taxa de abandono escolar precoce na ordem dos 50%, hoje essa taxa ronda perto dos 10%. Falta-nos tempo para nos afirmarmos definitivamente junto daqueles que hoje comparamos, visto que as condições iniciais de partida dos distintos países, eram bem distintas, fruto dos contextos socioeconómicos de cada país.

Como definiria a educação ideal para o futuro?

Os ideais num sistema tão complexo como o sistema educativo são muito relativos, contudo, diria que o sistema ideal será aquele em que a performance dos alunos portugueses seja a melhor.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno com Pierre Moscovici, comissário europeu da Economia. Fotografia: REUTERS/François Lenoir

Bruxelas quer despesa a travar a fundo no orçamento de 2019

Proteção de dados chega amanhã e já levou ao fecho de startup portuguesa

Fotografia: Igor Martins / Global Imagens

Valor médio das pensões da CGA subiu 77 euros em 2017

Outros conteúdos GMG
Gestech debate o futuro (digital) da educação em Portugal