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Google+, a chantagem não funciona. Que tal suborno?

Não sei quantos anos serão precisos para que a Google perceba que forçar as pessoas a usarem uma rede social não funciona. Estar desesperada para provar que o Google+ é um sucesso não pode justificar tudo, mas parece que o ‘brainstorming’ social na empresa dá origem a soluções cada vez mais bizarras.

Vamos começar pela mais recente: a partir de agora, qualquer utilizador do Google+ poderá enviar um email a qualquer utilizador de Gmail, mesmo que não tenha o seu endereço. É possível bloquear esta nova funcionalidade, mas sejamos honestos: a maioria das pessoas não o vai fazer. Basta olhar para a quantidade de ajustes e definições que o Gmail tem para perder a coragem de mudar alguma coisa.

A Google apresenta a novidade como uma ajuda: “já começou a compôr um email para alguém e de repente percebeu que não tinha o endereço? agora vai poder enviar à mesma.” Se calhar não tinha o endereço por alguma razão, não? O desprezo da Google pela privacidade dos seus utilizadores é desconcertante.

Se isto vai ou não aumentar o apelo do Google+ está para se ver, mas a verdade é que as medidas anteriores – igualmente desconcertantes – não funcionaram como eles queriam. Primeiro, foi a obrigatoriedade de criar um perfil no Google+ para qualquer conta nova. Quer email, leva também rede social. Os números de adesão dispararam, e Eric Schmidt repetiu-os alto e bom som nas apresentações de resultados. Ocultando, é claro, que o tempo médio passado na rede social é baixíssimo – 7 minutos apenas, dados de março de 2013.

Depois, foi a obrigatoriedade de qualquer utilizador de Gmail ter um perfil no Google+, novo ou não, querendo ou não: está lá, lide com isso. Já tinha apagado a minha conta inicial na rede, mas tive de o voltar a fazer porque de vez em quando eram criadas novas contas outra vez. Até que se tornou obrigatório ter um G+ para comentar no YouTube. Venceram-me pelo cansaço. Mas não me convenceram a usar a rede social. Não vale a pena acenarem-me com resultados personalizados no Google Search, nem porem notificações a vermelho na página principal do Gmail.

E aviso já que é estranhíssimo ver nos comentários do YouTube publicações filosóficas, conversas entre amigos e comentários do estilo Facebook – percebe-se logo que aquelas pessoas partilharam vídeos na sua conta do Google+ e nem devem ter percebido que o mesmo foi publicado na secção de comentários do vídeo no YouTube. Pára com isso, Google, é estranho. O G+ trouxe coisas boas ao panorama das redes sociais, mesmo não tendo sido o sucesso que se esperava. O que não se compreende é esta chantagem: se queres usar os nossos serviços, tens de usar a nossa rede social. Os utilizadores não “têm de” nada. Não vão lá com bullying tecnológico.

JornalistaEscreve à terça-feira

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