resultados trimestrais

Google bate expectativas e passa ao lado da multa milionária da CE

A Comissão Europeia multou a Google em 4,2 mil milhões de euros devido a comportamentos abusivos com o sistema operativo Android/Google
A Comissão Europeia multou a Google em 4,2 mil milhões de euros devido a comportamentos abusivos com o sistema operativo Android/Google

Após apresentar resultados, a Alphabet esteve a subir quase 4% devido ao entusiasmo de Wall Street com as perspetivas

Em dia de resultados trimestrais, os investidores premiaram o desempenho da Google com uma subida extraordinária da cotação nas trocas fora de horas. Depois de estar a subir mais de 5%, as ações da Alphabet – holding-chapéu da Google – valorizaram 3,67% após o fecho do mercado, adicionando mais 44.45 mil milhões de dólares à capitalização bolsista da empresa. A Alphabet/Google ficou, assim, mais perto de se tornar a primeira companhia a atingir uma capitalização de um bilião de dólares, uma corrida em que a Apple vai à frente e onde a Amazon também participa.

A boa reação do mercado deveu-se ao alívio com os resultados da Google no segundo trimestre de 2018, um período muito conturbado para a empresa. Além de um tiroteio na sede do YouTube e protestos de milhares de empregados por causa da colaboração com o exército, a Google recebeu uma multa recorde de 5,07 mil milhões de dólares (4,34 mil milhões de euros) por parte da Comissão Europeia. O braço regulador da UE aplicou a penalidade por considerar que a Google abusou da posição dominante do seu sistema operativo Android com práticas que limitaram a concorrência.

É certo que esta multa se fez notar nos lucros da gigante de Mountain View, mas de resto os resultados não foram afetados pela turbulência. As receitas totais atingiram os 32,7 mil milhões de dólares, um incremento de 26% face ao mesmo período do ano passado e acima do que os analistas previam. Os lucros líquidos teriam sido de 8,2 mil milhões se não fosse o pagamento das multas no período, que os baixaram para 3,195 mil milhões.

“Entregámos mais um trimestre de desempenho muito forte”, disse a diretora financeira Ruth Porat. “Os nossos investimentos estão a permitir excelentes experiências aos utilizadores, fortes resultados para os anunciantes e novas oportunidades de negócio para a Google a a Alphabet”, considerou.

Durante a conferência com analistas que se seguiu aos resultados, foram várias as perguntas em torno do impacto do novo regulamento de proteção de dados (RGPD) e da multa da CE ao Android. Ruth Porat disse ser ainda “muito cedo” para contabilizar o potencial impacto negativo da legislação de proteção de dados, que os analistas temem vir a prejudicar sobretudo empresas norte-americanas. Por seu lado, o CEO da Google Sundar Pichai afirmou que a empresa vai recorrer da decisão da Comissão Europeia. “O Android tem funcionado muito bem para os utilizadores e toda a gente no ecossistema”, disse. “Há inovação, competição, preços mais baixos”, enumerou, “e criou mais escolha para toda a gente, não menos.” O propósito do executivo é encontrar uma solução que “preserve os enormes benefícios do Android” para toda a gente.

Mais do que estes problemas, o que os investidores querem perceber é se o grande aumento das despesas de capital (CAPEX) terá resultados visíveis no curto e médio prazo. O CAPEX passou de 2,8 para 5,5 mil milhões de dólares, algo que Ruth Porat justificou com os investimentos em centros de dados, instalações, equipamento e outros recursos. “Olhamos para isto como uma necessidade para o crescimento”, referiu.

O sentimento é positivo em torno das oportunidades que serão geradas com inteligência artificial, aprendizagem de máquina, carros autónomos (sob a marca Waymo) e desenvolvimentos no Google Assistant. No entanto, tal como sempre, é a publicidade que sustenta o império: 28 mil milhões de dólares, uma subida de 24% em relação ao ano passado. Neste trimestre, os custos de aquisição de tráfego, incluindo o dinheiro que a Google paga aos fabricantes de smartphones para usarem os seus serviços, teve um peso de 23% no total de receitas publicitárias – menos um ponto percentual que no último trimestre, um sinal positivo para a empresa.

O restante das receitas veio dos “Outros” negócios, onde está o hardware, a cloud, Google Play e tudo o que não é publicidade, com um crescimento expressivo de 37% para 4,4 mil milhões. Destaque também para as “Outras Apostas”, um item em que as receitas subiram de 97 para 145 milhões de dólares impulsionadas pelo Google Fiber e Verily.

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