Google: já reparou que regras de privacidade mudaram?

A Google vai mudar o algoritmo
A Google vai mudar o algoritmo

As alterações nas políticas de privacidade da Google já entraram em efeito, apesar das críticas de algumas associações e das reticências da Comissão Europeia. A empresa que detém o maior negócio de pesquisas e publicidade online unificou acima de 60 políticas de privacidade diferentes, com alterações significativas.

Alma Whitten, responsável pelas áreas de privacidade, produtos e engenharia, explicou no blogue oficial da empresa o motivo desta mudança, no final de janeiro.

“A principal modificação é para quem tem uma Conta Google. A nossa nova política de privacidade torna claro que, que se um utilizador faz login, nós podemos combinar informação que ele forneceu de um serviço para outros serviços. Em resumo, vamos tratá-lo como um único utilizador em todos os nossos produtos, o que se irá traduzir numa experiência mais simples e intuitiva”, escreveu Whitten.

O que é que isto significa?

1. As informações recolhidas pela Google em serviços como a pesquisa, YouTube, Gmail, Picasa, Blogger e dezenas de outros serão cruzadas. A Google poderá juntar as peças e criar uma imagem muito precisa sobre o perfil de cada utilizador. Neste momento, não pode fazer isso porque cada serviço tem uma política de privacidade autónoma.

2. Os dados em causa são aqueles que a empresa já recolhe – as buscas que se fazem, os telemóveis que se usam para aceder aos serviços, a localização geográfica, etc.

3. Não será possível recusar este cruzamento de dados. Quem quiser ter uma Google Account terá de aceitar esta política de utilização.

4. A Google usará este cruzamento para personalizar melhor os anúncios que mostra a cada utilizador. Whittman exemplifica no blogue: “por exemplo, estamos em Janeiro mas se calhar você não é um rato de ginásio, portanto anúncios de fitness não são apropriados”.

5. A Google poderá “avisá-lo de que vai chegar atrasado a um encontro com base na sua localização, o seu calendário e a noção de como o trânsito está nesse dia”, escreve Whittman. Portanto, algo entre um assistente digital e a voz da consciência, direitinho para o centro de notificações no telemóvel.

6. Os termos de utilização também sofrem uma alteração: foram reescritos e vão abranger a maioria dos serviços Google.

7. A empresa continua a garantir que não vende informações pessoais e não as partilha sem autorização.

8. Neste momento, criar uma Google Account significa automaticamente criar uma conta na rede social Google+. Tudo será abrangido pela nova política de privacidade e pela nova estratégia de pesquisa: “Search + Your World” vai mostrar resultados da rede social na página de buscas.

9. Estas modificações na política de privacidade já motivaram a oposição do Electronic Privacy Information
Center, que receia uma erosão da privacidade e um nivelamento por baixo dos standards de protecção, segundo a Computer Weekly. Também a Electronic Frontier Foundation afirmou que isto parece mais uma confissão que uma novidade – a admissão de que a Google cruza o que os utilizadores fazem nas suas plataformas.

Esta renovação acontece depois de a Google ter chegado a acordo com os reguladores norte-americanos, que a acusaram de induzir os utilizadores em erro sobre quais as informações recolhidas e partilhadas.

A BBC indica que a Google contactou os reguladores antes de alterar estas políticas. E Whittman lembra no blogue: se o utilizador quiser sair do universo Google e levar toda a sua informação consigo, poderá fazê-lo.

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