Há quatro portugueses a trabalhar no Spotify. Esta é a história de um deles

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Embora ande nas bocas do mundo desde 2009, o Spotify só entrou no
vocabulário dos portugueses na última semana. Se faz parte dos
milhares de recém-utilizadores do serviço de “streaming” de
música, disponível em Portugal desde dia 12, saiba que tal como na
maioria das grandes empresas do momento, a presença portuguesa está
assegurada. Ricardo Vice Santos é uma das 700 pessoas que trabalham
para o fenómeno da popularidade nascido na Suécia e lidera uma
equipa de engenheiros em Nova Iorque. Perguntámos-lhe como foi lá
parar.

O Spotify entrou em Portugal esta semana. Porquê só agora?

A nossa missão é a de disponibilizar toda a música do mundo, de
maneira fácil e legal, a todas as pessoas. Para tal, trabalhamos
muito nesta direção, de cruzar fronteiras e lançar em novos
países. Claro que entrar em Portugal é algo especial e gratificante
para mim, bem como para os outros três portugueses do Spotify.
Passou a ser mais fácil explicar o que fazemos às nossas famílias
e amigos.

Já têm algum tipo de números relativos aos primeiros dias do
serviço em Portugal?

A receção é desde já muito positiva. Temos 20 milhões de
utilizadores ativos em todo o mundo e estamos entusiasmados de ver
esse número crescer com a ajuda dos portugueses.

Como e quando chegou à Spotify?

Conheci o Spotify através de amigos Suecos, em 2009, enquanto
vivia em Barcelona. Na primavera seguinte, comecei a pensar rumar a
novas experiências e temperaturas mais baixas, pela Escandinávia. A
Spotify em Estocolmo parecia ideal, para além das tecnologias usadas
serem compatíveis com os meus interesses, era já um utilizador
compulsivo do serviço e queria trabalhar na industria da música. No
entanto, apesar de já estar em conversações com eles, em finais de
Julho de 2010 fiz malas e apanhei um voo para Helsínquia. Acabei por
ficar pouco mais de uma semana. Telefonei à Spotify, perguntei se
podia aparecer em Estocolmo no dia seguinte para entrevista, comprei
um bilhete de ida e por lá fiquei.

Num dia normal, qual é o seu papel dentro da empresa?

O meu papel oficial neste momento é o de Lead Engineer, o que
quer dizer que sou responsável por uma equipa de engenheiros de
software, que participam em diversos projetos. A minha primeira
prioridade é certificar-me que estes tem as condições reunidas
para darem o seu melhor, ajudá-los a ultrapassar obstáculos e
alcançar objectivos, tanto do Spotify como pessoais, em termos de
carreira. Nos últimos meses tenho dedicado muito tempo ao
recrutamento, a melhorar o material e processo de entrevistas para o
tornar mais eficaz. Estou também frequentemente em aviões de um
lado para o outro, nos Estados Unidos ou Europa, para conferencias,
palestras ou reuniões.

O ambiente de trabalho é tão bom como parece?

Melhor! A cultura do Spotify é muito proativa. Mais do que
trabalhadores, somos utilizadores do nosso serviço e como tal temos
todos opiniões e vontade de o tornar ainda melhor. Admito que isto é
uma vantagem que nem todas as empresas têm, mas que resulta em
motivação e um sentimento de missão, mais que trabalho. Talvez por
isto, temos uma relação mais de amizade do que profissional.

Quantas pessoas trabalham na Spotify em Nova Iorque?

O escritório de Nova Iorque cresceu muito no ano passado, de
muito poucas para mais de 100 atualmente. No total à volta do mundo
somos cerca de 700.

Até hoje, o que o impressionou mais neste projeto?

É difícil de responder, o Spotify cresceu muito nos últimos
anos e eu tive a sorte de o presenciar e participar em muitos dos
projetos e iniciativas. Provavelmente o mais desafiante terá sido o
de deixar o bem estabelecido escritório de Estocolmo para fundar a
equipa de engenharia em Nova Iorque. Construir do zero, num novo país
e cultura de trabalho, ao mesmo tempo preservando a que trazia da
Suécia. Foi uma experiência incalculável, com a qual aprendi
muito. Outra coisa que sempre me impressionou foram os meus colegas,
que são pessoas extraordinariamente talentosas e ambiciosas, de
todas as partes e culturas do mundo, que me inspiram e com quem
aprendo todos os dias.

Como vê o futuro da indústria musical?

Com bons olhos. Ouve-se mais música hoje em dia do que nunca e
isso representa uma oportunidade para os artistas. A missão do
Spotify alinha-se com esta realidade, ajudar os fãs de música a
ouvirem e partilharem legalmente as que adoram, bem como descobrir
novas, a qualquer hora, onde quer que estejam.

A lista de preferências musicais de Obama no Spotify fez notícias
em todo o mundo. Algum português, político ou não, sobre o qual
tenhas curiosidade neste aspeto?

Muitos, mas podíamos começar pelo Paulo
Futre. O mais interessante é que qualquer pessoa pode criar as
suas listas e partilhar com o mundo. Com certeza que irão começar a
aparecer algumas bastantes interessantes, para todos os gostos e
feitios.

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