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iPhone afunda, Samsung derrapa e Huawei dá o salto

Huawei
Foto: REUTERS/Steve Marcus

O que está por detrás do sucesso da fabricante chinesa no mercado mundial de smartphones?

Os primeiros três meses de 2019 foram estelares para a divisão de smartphones da Huawei, que solidificou a sua posição como segunda maior fabricante mundial de telemóveis. A marca obteve o forte crescimento de 50.3% no primeiro trimestre do ano, vendendo 59,1 milhões de smartphones e alcançando uma quota de 19%. Foi um desempenho notável, particularmente porque o mercado está em contração e as duas maiores rivais, Samsung e Apple, sofreram quebras nas vendas.

“Está a tornar-se cada vez mais claro que a Huawei tem um foco cirúrgico no crescimento da sua posição no mundo dos dispositivos móveis, sendo os smartphones o cavalo da frente”, afirma Ryan Reith, vice-presidente da unidade de dispositivos móveis da IDC. Os números da consultora chegaram pouco depois de anunciados os resultados trimestrais da Apple e ajudaram a preencher as lacunas de informação da empresa. Segundo o relatório, houve uma derrapagem profunda das vendas de iPhones no primeiro trimestre: o volume caiu 30,2% para apenas 36,4 milhões de unidades, o que ceifou quatro pontos percentuais à quota da marca.

Pessimismo para a Apple

Se o ano não começou bem, o resto dificilmente será melhor. A IDC aponta para o facto de várias concorrentes da marca terem planos para lançar smartphones com formatos inovadores e 5G já este ano, o que poderá colocar o iPhone numa posição ainda mais frágil.

É verdade que os números da IDC são mais pessimistas que os da Counterpoint Research, cujas contas apontam para uma quebra menos dura. Segundo esta última consultora, as vendas do iPhone caíram 20% (e não 30,2%) para 42 milhões de unidades (e não 36,4 milhões).

Em qualquer dos cenários, foi um trimestre difícil para o smartphone da Apple, embora a empresa tenha conseguido superar as perspetivas dos analistas com mais receitas que o esperado e um recorde nos Serviços.

“É cada vez mais difícil para a Apple aumentar os preços médios de venda e a China continua a ser um mercado em declínio para a empresa”, diz a Counterpoint. “Os serviços da Apple, a experiência de utilização e os produtos auxiliares compensam a adoção lenta das tecnologias mais recentes.” A consultora acredita que o potencial de crescimento dos modelos premium será difícil nos próximos trimestres e revela que o iPhone XR foi o modelo mais vendido.

Huawei em ascensão

A Apple é cada vez mais terceira e o desempenho da Huawei não deixa antever que a empresa consiga voltar a aproximar-se do segundo lugar, e menos ainda da liderança do mercado.

Aqui, no lugar cimeiro, as coisas também não correram de feição à Samsung. A número um vendeu menos 6,3 milhões de telemóveis, uma queda de 8,1% face ao período homólogo, e tem agora apenas mais 4,1 pontos percentuais que a Huawei. O perigo que vem da China é real para a marca sul-coreana.

“Os resultados foram suficientes para manter a Samsung no primeiro lugar do mercado, mas a Huawei está a ganhar terreno entre as duas líderes”, diz o relatório da IDC. A consultora indica que a série Galaxy S10 teve um bom desempenho no trimestre, mas refere que a Samsung terá de se manter concentrada na sua estratégia de média gama para se defender contra a investida da Huawei.

Tudo isto está a acontecer num mercado muito lucrativo mas em franca retração. Este foi o sexto trimestre de recuo das vendas, que se ficaram por 310,8 milhões de unidades. “Os resultados deste trimestre são um sinal claro que 2019 será mais um ano de declínio para os smartphones”, conclui a IDC. “O único destaque da perspetiva dos fabricantes foi a Huawei, que se afirmou ao crescer o volume e quota apesar das dificuldades do mercado.”

Mas como? A força da Huawei no território doméstico, China, é um dos fatores importantes. Enquanto a Apple caiu no mercado chinês, a Huawei conseguiu um momento muito positivo com um “portfólio bem guarnecido que responde a todos os segmentos, do baixo ao de topo”, segundo a IDC. “Os modelos topo de gama da Huawei continuaram a criar forte afiliação para os os modelos de baixa e média gama, que estão a suportar o desempenho global da empresa.”

O resto do mercado

Xiaomi em 4º lugar, vivo em 5º e Oppo em 6º completam o top da IDC, sendo que apenas a vivo cresceu. O quadro da Counterpoint é mais completo e aponta para a Oppo em 5º e a vivo em 6º, seguida da Lenovo, LG, Tecno e Alcatel. Todas estas marcas caíram.

Uma curiosidade é que o grupo BBK se tornou o terceiro maior conglomerado de smartphones, já que detém as marcas Oppo, vivo, Realme e OnePlus.

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