iPhone continua em queda mas Apple volta a crescer

Apple CEO Tim Cook speaks about the new Mac Pro during Apple's annual Worldwide Developers Conference in San Jose
REUTERS/Mason Trinca

O iPhone continua a derrapar, mas os recordes de receitas nos serviços compensaram a quebra no terceiro trimestre fiscal

A maçã até pode estar um pouco bichada, mas o que está à volta dá para comer. Apesar de ter registado uma quebra de quase 13% nos lucros líquidos, que se ficaram pelos 10 mil milhões de dólares, a Apple voltou ao crescimento no terceiro trimestre fiscal e os mercados animaram-se com os números. É certo que foi uma subida mínima das receitas, 1% para 53,8 mil milhões de dólares, mas ainda assim acima das expectativas. Isso explica que, com um desempenho tão modesto, a reação de Wall Street após a apresentação de resultados, esta terça-feira à noite, tenha sido muito positiva.

O mix de produtos da Apple registou uma subida das vendas em toda a linha, com exceção do iPhone. É uma maleita de que a marca sofre há vários trimestres: os vários modelos do smartphone não estão a vender como em anos anteriores e a grande dependência da marca em relação ao iPhone está patente na sua dificuldade em crescer. A contração não arrastou tudo para baixo desta vez porque os Serviços voltaram a bater um recorde e as outras linhas de produtos tiveram bons resultados.

No período que terminou a 29 de junho, os Serviços renderam 11,455 mil milhões de dólares, mais que o Mac e o iPad juntos. O CEO Tim Cook frisou, tanto no comunicado enviado ao regulador como na conferência com analistas, que as vendas de wearables (onde se destaca o Apple Watch) deram um salto significativo, e que tanto o iPad como o Mac registaram “forte desempenho”.

Sem detalhes sobre o volume de unidades vendidas, os números mostram que a unidade de Wearables, Home e Acessórios passou de 3,73 para 5,5 mil milhões de dólares, e que tanto o iPad como o Mac cresceram. As receitas do iPhone, no entanto, caíram de 29,4 para 25,9 mil milhões. Só o desempenho das outras áreas permitiu compensar a queda em relação ao homólogo, levando o total de receitas a constituir um recorde para o trimestre de junho, como referiu o diretor financeiro Luca Maestri na conferência de resultados.

Cook confirmou também que o novo Apple Card vai chegar em agosto, o que tem potencial para reforçar o bom momento dos Serviços.

Por isso é que Wall Street não perdeu a fé na empresa. Após o fecho de uma sessão morna, durante a qual os títulos desvalorizaram 0,43%, as trocas fora-de-horas levaram as ações da Apple a dar um salto de 4,54%, uma reação muito positiva por parte do mercado. Porquê? Especialmente por causa das indicações que a Apple deu para o próximo trimestre.

A perspetiva da empresa é que as receitas do último trimestre fiscal se situem entre os 61 e os 64 mil milhões, um intervalo robusto que indicia uma retoma da procura pelo iPhone. Se as outras unidades continuarem com a boa performance, é possível que este verão acabe mesmo por aquecer e a Apple consiga regressar ao crescimento de forma consistente até ao final do ano.

Apesar do tumulto diplomático e do peso das tarifas, o mercado crítico da China teve melhores resultados que o esperado, algo explicado por Tim Cook como “uma confluência de fatores positivos”, incluindo o estímulo governamental que está em marcha para compensar a guerra tarifária com os Estados Unidos. “Não podíamos estar mais satisfeitos”, afirmou o CEO.

Sobre a compra da unidade de modems da Intel, que vai adicionar 2200 funcionários à Apple, Cook disse que se insere na estratégia da empresa de “deter e controlar as principais tecnologias” por detrás dos seus produtos.

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