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iPhonecalipse: maior queda de sempre nas vendas da Apple

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Sem divulgar o número em unidades, a Apple reportou um tombo de 15% nas receitas do iPhone, uma quebra sem precedentes na história do smartphone

O dia mais temido entre investidores e fãs da Apple chegou, depois de um aviso à navegação de que as receitas do trimestre natalício ficariam aquém das previsões. Naquela que é já a pior apresentação de resultados desde que o iPhone foi lançado, em 2007, a Apple reportou uma quebra sem precedentes de 15% nas receitas do smartphone.

Foi um mau desempenho inédito, com a agravante de ter sucedido no trimestre mais importante do ano, entre outubro e dezembro. O CEO Tim Cook explicou que os diferentes timings de lançamento dos novos iPhones contribuíram para a queda, considerando a comparação mais difícil, mas o facto é que um tombo desta natureza nunca tinha acontecido.

Tal como tinham avisado na última apresentação, desta vez não foram revelados os números exatos de unidades vendidas, apenas o volume de receitas. E isso pode ser motivo de ainda maior preocupação, porque uma das tendências de trimestres anteriores foi a estagnação ou quebra/aumento ligeiro em unidades mas crescimento robusto de receitas, por causa dos preços mais elevados dos novos iPhones. Esta quebra das receitas indicia problemas maiores em termos de unidades.

No global do primeiro trimestre fiscal da Apple, o volume de negócios caiu 5% para 84,3 mil milhões de dólares, abaixo da guidance que tinha sido dada (foi por isso que a companhia avisou o mercado há algumas semanas, algo muito raro). Os lucros também sofreram, caindo de 20,06 para 19,9 mil milhões de dólares, uma diferença irrelevante em termos percentuais mas ainda assim uma queda.

O CEO Tim Cook e o diretor financeiro Luca Maestri enfrentaram os analistas com serenidade na conferência que se seguiu à apresentação de resultados. Cook optou por salientar os pontos positivos deste trimestre, nomeadamente o facto de a unidade de serviços ter atingido um novo recorde, subindo 19% para 10,9 mil milhões de dólares. O streaming Apple Music tem agora 50 milhões de assinantes pagos, disse, e a App Store “teve o melhor ano de sempre, com resultados recorde na época festiva devido ao melhor dia e semana de Natal de sempre”, afirmou.

O CEO também falou dos bons resultados dos wearables e acessórios (onde se integra o Apple Watch), que disparou 33%. As receitas do iPad cresceram 17% e as do Mac 9%, outros dos (poucos) aspetos positivos do trimestre. Maestri referiu que as vendas na China, condições cambiais adversas e menor taxa de upgrades que o esperado foram as principais razões para o afundar dos resultados. As vendas internacionais representaram 62% do total.

“Não medimos o nosso sucesso em incrementos de 90 dias, gerimos a Apple para o longo prazo”, salientou Cook. “Os resultados deste trimestre demonstram que a força do nosso negócio é profunda”, garantiu, elogiando a elevada “satisfação dos clientes” e falando da inovação diferenciadora da empresa.

iPhones demasiado caros?

Cook foi questionado sobre os preços mais elevados dos iPhones e se tal não teria sido um tiro no pé. O CEO reconheceu que o preço é um fator, mas salientou que o Xs recebeu o mesmo preço que o X há um ano, que o Xs Max foi apenas 100 dólares mais e que o Xr ficou no meio. “Foi uma diferença pequena nos EUA em comparação com o ano passado.” O problema, considerou, foi a flutuação cambial adversa, que amplificou a diferença nos mercados internacionais, em particular nos emergentes. “O que fizemos em janeiro em certos locais foi absorver parte ou todo o aumento cambial para aproximar ao preço de há um ano.” No entanto, sublinhou que os subsídios (ou a ausência deles) são fatores ainda mais importantes nos emergentes.

 

O CEO também teve de responder sobre as medidas para aumentar a durabilidade dos iPhones, em especial o programa de troca de baterias: é que tal fará com que o ciclo de substituição seja lento, o que preocupa os investidores. Em vez de números de vendas, a empresa irá atualizar regularmente o mercado quanto à base instalada, que neste momento está nos 1,4 mil milhões de dispositivos, disse Luca Maestri.

O diretor financeiro foi buscar os números mais fortes da folha financeira da marca: lucro recorde por ação de 4,18 dólares (subida de 7,5%) e uma forte geração de cash flow, 26,7 milhões de dólares. A Apple decidiu ainda manter os objetivos para 2020, mesmo admitindo que as condições adversas do mercado vão continuar.

“Estamos mais confiantes que nunca na força fundamental do nosso negócio”, garantiu Cook. “Temos um pipeline de produtos e serviços muito forte com anúncios excitantes este ano. A Apple inova como nenhuma outra empresa e não vamos tirar o pé do acelerador”, acrescentou, prometendo que a marca sairá “mais forte” deste momento.

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