Manuel Falcão: “Amieira é o meu regresso às origens da fotografia”

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Um ponto de encontro entre quem faz fotografia e quem gosta de ver. Esta é a definição da Amieira, a nova editora de livros de fotografia, que Manuel Falcão acaba de lançar.

“É o meu regresso às origens da fotografia, aos tempos de repórter fotográfico”, confessa o antigo jornalista e atual diretor geral da Nova Espressão, ao Dinheiro Vivo, acrescentando que é a editora é também “um tributo à fotografia.”

Manuel Falcão foi fundador da Blitz e de O Independente. Passou pela agência Lusa, Expresso e Se7e Visão, entre outros. Foi também diretor da 2: (hoje RTP2).

Amieira nasce também do diagnóstico feito por Manuel Falcão de que, “em Portugal, embora se editem livros sobre fotografia, não existe uma coleção sobre o que os fotojornalistas e fotógrafos vão fazendo e mostre a sua obra.” E em livros de pequeno formato, com número limitado de páginas e a um preço acessível, a rondar os 17 euros. Para que a “fotografia se torne acessível a todos”, reforça Manuel Falcão.

Com quatro a seis edições por ano, a editora quer destacar novos talentos e talentos consagrados. Como é o caso de Luiz Carvalho com “Ao Correr do Tempo”, livro com design de Rita Gerardo Pinto. A obra reúne fotografias feitas ao longo do tempo desde a sua Leica M, passando pelos 35 mm, M3 até à recente M9 digital.

“É um período em que fotografei muito só para mim, sem intenção deliberada de publicar, embora algumas destas fotografias já pertençam à fase de grande repórter do Expresso, um período feliz como fotojornalista, onde insisti em conciliar uma visão pessoas com a de jornalista”, define Luiz Carvalho.

Em relação aos novos talentos, o editor destaca o trabalho de Pauliana Valente Pimentel, uma das fotógrafas contemporâneas com “valores mais seguros”, ou de Clara Azevedo. “Gosto muito do trabalho dela. Como sou editor, este é um projeto pessoal, a escolha é minha”, diz o editor.

Mas Manuel Falcão quer que a Amieira ultrapasse a barreira do fotojornalismo. “Quero entrar em todos os géneros, nos aspectos mais subalternizados da fotografia, na moda, no ensaio ou na fotografia documental”, destaca.

Do mesmo modo, em relação às tecnologias, “nada está banido”, diz Manuel Falcão, referindo-se ao filme, ao digital ou ao Instagram. “O que interessa é a imagem, o que ela significa, o seu suporte é secundário”, diz.

Como projeto pessoal que é, Manuel Falcão espera que o “negócio possa ser autosustentável ainda na fase de investimento.”

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