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Mário Ferreira entra na TVI: “Se é preciso 50 funcionários não se pode ter 350”

Mário Ferreira (Fotografia: Isabel Leal/ Global Imagens)
Mário Ferreira (Fotografia: Isabel Leal/ Global Imagens)

Posição na Cofina é para manter. Empresário diz que está muito satisfeito com 30% da Media Capital e não prevê reforçar para já.

Mário Ferreira, que acaba de comprar 30,22% da Media Capital aos espanhóis da Prisa, diz estar “muito satisfeito” com esta participação na dona da TVI, não prevendo reforçar para já, e manterá os 2,5% no capital da Cofina. Em entrevista à Lusa, o empresário refere que “neste momento [um reforço de posição] não está pensado” e que está “muito satisfeito com os 30%” que adquiriu, garantindo que os parceiros no negócio irão “trabalhar em conjunto e logo se verá o futuro”.

Quanto aos 2,5% que detém atualmente no capital da Cofina, Mário Ferreira disse que, de momento, irá ficar com a posição. “Tenho de a manter porque estou a perder muito dinheiro, umas centenas de milhares de euros. No dia em que puder recuperar o dinheiro que lá tenho investido ‘ao par’ [equivalente], se isso for possível, já ficava satisfeito. Obviamente que não teria comprado se não tivesse sido desafiado para aquele negócio e pouco interesse tenho em mantê-la lá”, sublinhou.

O empresário, que já se tinha aliado à Cofina para comprar a Media Capital, acabou como acionista do grupo de Paulo Fernandes quando este fez um aumento de capital para esse negócio, só que entretanto a Cofina desistiu de comprar a dona da TVI. Já sobre esta segunda operação que agora conseguiu concretizar, mas sozinho, disse ser “bom ver que poderiam existir potenciais interessados”. “Isso quer dizer que, afinal, o negócio não é assim tão mau”, reforçou.

Para o futuro, o empresário pretende que a Media Capital não fique “tão dependente da publicidade, porque o desenvolvimento da área dos conteúdos será um pilar que, neste momento, serve apenas para produzir para a TVI, mas que no futuro poderá servir também para produzir conteúdos ou para outras estações em Portugal ou no estrangeiro, mas essencialmente no estrangeiro”, salientou, referindo-se à produtora Plural. E recordou que a Media Capital contratou há muito pouco tempo o Boston Consulting Group “para apoiar a administração num plano estratégico, faseado e em que a primeira fase é bastante urgente”, passando “não só pela reestruturação financeira”. Para o empresário é também importante perceber como é que se consegue “não só ter estabilidade financeira, ultrapassando este ano atípico”, mas também como “conseguir já recapitalizar o grupo para passar ao ataque e ter capacidade de investir pensando no futuro”.

Questionado sobre o desfecho desta operação, que envolveu a sua entrada como acionista da Cofina – que entretanto desistiu de comprar a TVI -, Mário Ferreira disse que não foi “envolvido infelizmente nessa tomada de decisão, mas se tivesse sido o que faria era concordar”, visto que era um momento “muito complicado” e “talvez não fosse a altura adequada para fazer a operação”, reconheceu. Ainda assim, ficou “obviamente desiludido”, mas acabou por se surpreender com as notícias do Expresso, na semana passada, de que a Cofina teria tentado voltar à mesa de negociações.

“Isso foi uma surpresa porque da primeira vez o Paulo Fernandes convidou-me para participar e nesta segunda oferta já não me convidou, nem disse nada”, tendo Mário Ferreira, por isso, concluído que “seria uma proposta alternativa” à sua. “Obviamente [a tentativa] é hostil, porque para pessoas chegadas e com a confiança que eu entreguei ao Paulo Fernandes, penso que merecia outro tipo de consideração”, lamentou.

Futuro dos media depende da sua reinvenção, com menos funcionários

O futuro e a sobrevivência dos media dependem da capacidade de se “reinventarem” a nível da gestão, nomeadamente no que diz respeito aos trabalhadores, afirmou, na mesma entrevista à Lusa o empresário Mário Ferreira. O dono da Douro Azul defende que os meios de comunicação, sobretudo os deficitários, devem seguir o exemplo de grupos “mais pequenos” como a Cofina.

“Isto tem que ver com gestão, se é preciso 50 funcionários não se pode ter 350 e isso é o que acontece em muitos destes jornais. Infelizmente, as novas tecnologias e a forma de consumo da imprensa escrita mudou e muitas destas máquinas pesadas não se ajustaram.” Ainda assim, o empresário está otimista. “Eu acredito neste setor e neste grupo de empresas em particular pelas possibilidades e instrumentos que tem.”

Questionado sobre a compra antecipada de publicidade institucional de 15 milhões de euros por parte do Estado, para ajudar a combater os efeitos da pandemia de covid-19, Mário Ferreira admitiu que o montante “é baixo”, mas reconheceu a “boa vontade”. “Aliás o setor da comunicação social até está a ser favorecido, no setor turístico que eu saiba ainda ninguém nos comprou viagens ou cruzeiros para ajudar”, comentou o empresário.

Para Mário Ferreira, “quem se estabelece tem que ter uma estratégia para saber aguentar as empresas”. “Isto são empresas, são negócios e no caso da Media Capital em particular, nos últimos anos foi uma empresa que deu grandes lucros e distribuiu grandes dividendos, de quase 20 milhões de euros por ano. O meu objetivo como empresário é que o futuro Conselho de Administração possa delinear uma estratégia adequada a levar o quanto antes os volumes de receitas e os resultados [da dona da TVI] outra vez para níveis interessantes, mas com mérito próprio, sem andar a depender nem de apoios do Estado nem de outros.”

Questionado sobre as críticas de que foi alvo por parte de Ana Gomes, que pediu uma avaliação à sua idoneidade por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Mário Ferreira desvalorizou as afirmações da ex-eurodeputada: quer “vir para a ribalta”. “Perdeu tempo de antena com a covid-19” e agora quer “colar-se a uma presa que lhe possa dar alguns minutos de comentadora e pouco mais. O que podemos fazer é mostrar, com o nosso trabalho, que ela está errada”, sublinhou.

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