Mário Mandacaru sobre a nova Sumol. “Sinto falta de genuinidade. E dores nas costas”

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A Sumol mudou de imagem e assinatura. "Sentes?", pergunta agora aos fãs a marca portuguesa de refrigerantes.

A identidade, criada pela britânica Bluemarlin, inspira-se na street art e visa colocar a marca, que assinala mais de 60 anos, de um público mais jovem.

O Dinheiro Vivo foi ouvir os criadores de marcas nacionais sobre o que sentem sobre a nova identidade da Sumol.

Depois de Pedro Albuquerque, do atelier Albuquerque Designing Business, agora é a vez de Mário Mandacaru, de A Equipa, analisar a nova identidade da marca de refrigerante.

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Leia ainda: Pedro Albuquerque sobre a imagem da Sumol. “Desde que não mudem o sabor do Sumol de ananás”

Leia o artigo na íntegra aqui:

“Sentes a idade que tens?

O filme “While we”re young“, que abriu o Indie Lisboa há dias, é passível de várias leituras e gerador de bons tópicos para conversas à volta da mesa entre amigos e copos, mas o ponto central (talvez para mim que conto com alguma idade) está na questão de sabermos envelhecer. Supostamente há que haver uma certa dose de sabedoria, que acompanha como bónus a experiência que ganhamos com os anos. Afinal isso não é só cabelos brancos, rugas, hérnias discais e um armário vintage.

Muitas marcas que nos acompanham há algumas décadas fazem-no com maestria, utilizando com sensatez o seu património gráfico, evoluindo sem abandonar ou renegar o seu passado.

Quando em 2008 a Coca-Cola recebeu merecidamente o Design Grand Prix Grande em Cannes, lembro-me de ler a notícia com algum espanto. Inaugurava-se nesse ano essa categoria no mais prestigiado festival até então voltado para a publicidade e a expectativa era grande para saber qual o trabalho que se destacaria num evento que enaltece o arrojo criativo (muitas vezes em detrimento da veracidade, mas isso é tema para outra conversa). Curiosamente o trabalho vencedor pertencia a uma marca com mais de 100 anos, que decidiu se reinventar retirando toda a tralha visual que a rodeava, exibindo-se de cara lavada. Sem muletas visuais a marca ganhou mais do que um Leão, ganhou respeito.

Há pouco tempo a PepsiCo faz o mesmo com a marca 7Up, de forma menos grandiosa mas bem realizada à sua escala, assumindo um novo visual baseado na sua história. A assinatura “Feels good to be you” faz lembrar uma frase de Clint Eastwood, no livro “Wisdom” do fotógrafo A. Zuckerman, justamente a respeito de saber envelhecer: “You don”t have anything to prove, you can just be what you are.” [Não tens nada que provar, podes ser apenas o que és]

A “nossa” Sumol também resolveu mudar de visual, e fê-lo abandonando o seu património de marca, ignorando qualquer referência aos seus 60 anos de existência. Ao contrário das duas marcas que referi anteriormente a decisão tomada foi a de ruptura, com a intenção de agradar um público mais jovem. Entretanto a utilização de códigos com “intenção street art” parece-me chegar fora de tempo e de forma limitadora, espartilhando o desenvolvimento do seu universo visual no futuro.

Imagino que tenham sido feitos estudos e testes de mercado, e o próprio portfolio da Bluemarlin, empresa que desenvolveu o rebranding, é digno de respeito; mas não terão menosprezado demais a bagagem que a Sumol trazia? É que dá pena vermos desperdiçar uma oportunidade de rejuvenescermos uma marca portuguesa a partir de elementos que fizeram dela o que é hoje (ontem) para tentarem criar uma marca mais “nova”. Sentes? Sinto, sim. Sinto falta de genuinidade. E dores nas costas.”

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