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Menino ou menina? Mattel cria bonec@s sem género

(DR. Copyrights Mattel)
(DR. Copyrights Mattel)

Inclusão é a palavra de ordem para a marca de brinquedos que continua a inovar aos 74 anos.

Com o Natal à porta e um best-seller sexagenário nas mãos, a Mattel decidiu que era tempo de mudar para se aproximar mais dos miúdos de hoje. E se a Barbie, que cumpriu 60 anos em março, há muito integrava os requisitos da mulher moderna, nas suas versões feminista, trabalhadora, inspiradora, representando mais de 200 profissões, diferentes corpos, cores de pele e tipo de cabelo, etc., agora pode ter o género que nela quiser ver quem está a brincar.

(DR. Copyrights Mattel)

A nova marca da fabricante, Creatable World, desenvolve uma linha de bonec@s de género neutro, com características como cabelo, roupas e sapatos costumizáveis à medida dos desejos das crianças, podendo aproximar-se mais da forma como estas se veem. “No nosso mundo, a bonecada é tão ilimitada quanto as crianças que com ela brincam”, explica a Mattel. “Pega n@ bonec@, escolhe o teu estilo. Todos são bem vindos, todos são convidados a brincar”, lê-se no site.

Disponível em diferentes tipos e cores, o kit Creatable Wold (que custa por cá cerca de 40 euros) inclui, além d@ bonec@, opções de cabelos longos e curtos, seis peças de roupa, três pares de sapatos e um par de acessórios (entre óculos, carteiras, lenços, chapéus, etc.) capazes de se adaptar a qualquer um dos géneros ou simplesmente a criar meia dúzia de bonecos diferentes.

A viagem inclusiva da Mattel, porém, não se esgota nas questões de género, da raça ou sequer dos tamanhos (sim, já existem Barbies com curvas).

E se a icónica criação da americana Ruth Handler já foi mecânica, empresária, juíza, astronauta e até presidente, também pode agora inspirar os pequenos que vivem com deficiência. Não serão todos os casos contemplados, mas certamente será uma ajuda ver que também há bonecas parecidas com eles.

Leia aqui como a Europa ajudou a melhorar os resultados da Mattel

Em resposta a uma campanha lançada pelos pais de crianças com doença ou deficiência, #ToyLikeMe, várias fabricantes de brinquedos decidiram incluir linhas especiais de bonecos com óculos, aparelhos auditivos, muletas, sem cabelo, etc. Muitos deles personalizáveis mas bastante caros e a maioria com as características que os tornam especiais todas vendidas à parte.

Já neste verão, em colaboração com crianças hospitalizadas para garantir a autenticidade dos bonecos, a Mattel fez chegar aos mercados um grupo de bonecas muito especial, que inclui uma Barbie Fashionista com uma prótese de perna removível e outra em cadeira de rodas (a cerca de 25 euros).

Esta não é, porém, a primeira incursão da fabricante de brinquedos norte-americana por este mundo da inclusão de pessoas com deficiência. Em 1997, a Mattel lançou e vendeu 6 mil Share-a-Smile Becky em duas semanas, transformando a amiga paraplégica da Barbie e a sua cadeira cor de rosa num caso de sucesso instantâneo. Mas que durou pouco. Apesar de um par de tentativas de conversão de Becky noutros papéis, a boneca acabou por ser descontinuada depois de a companhia receber várias queixas.

Acontece que o mundo mágico de Ruth Handler não estava adaptado para alguém que precisava de se movimentar em cadeira de rodas – não cabia nos elevadores, nas portas das casas, em algumas divisões até.

Todos contam para brincar

Há outros bons exemplos fora do mundo das bonecas desta vontade da Mattel de chegar a cada vez mais crianças e recuperá-las para momentos de diversão tradicionais. E um deles é a criação de uma parceria com a Federação Nacional de Cegos norte-americana para pôr no mercado o primeiro baralho de cartas UNO adaptado, que permite jogar com quem vê e com quem não vê.

Todas as cartas têm os desenhos e identificação de cores e números regulares mas também incluem essas indicações em braille, tornando o jogo acessível a toda a família, incluindo quem tenha deficiência visual (em Portugal, há pelo menos 28 mil pessoas cegas).

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