Mobile World Congress. Quanto vale um lugar na maior feira de mobilidade do mundo?

Samsung lançou a segunda versão do Gear VR
Samsung lançou a segunda versão do Gear VR

Ainda não é possível carregar um smartphone só de olhar para ele, mas não falta muito. Daqui a um mês, a Ikea lança a linha Home Smart, capaz de carregar aparelhos eletrónicos através da transferência de energia por indução, sem qualquer cabo ou fio. E se os óculos de realidade virtual ainda são apenas uns dispositivos que nos fazem acreditar que estamos na savana acompanhados por uma família de leões, mas que, na vida real, não têm grande utilidade, não deverão ser precisas décadas para que um Samsung Gear VR ou um HTC Vibe VR possam ser incluídos no dia a dia.

No Mobile World Congress, tudo isto já é realidade. A maior feira de mobilidade do mundo, que decorreu esta semana em Barcelona, é o paraíso dos amantes de gadgets, mas é muito mais do que isso. É onde estão os grandes players do sector e é onde é impensável não estar, para quem quer vingar. Este ano, 10 nomes portugueses, entre estreantes e veteranos, marcaram presença.

A WeDo Technologies já é assídua. Desde 2002, quando a feira ainda se passava em Cannes, que usam o evento como uma montra. Vieram apresentar o RAID, um software de garantia de receita e gestão de fraude, que permite às operadoras fazerem o controlo de cobranças, fornecedores e receitas. “É uma oportunidade de estar com jornalistas, analistas e potenciais clientes. Todo o ecossistema está aqui”, diz Sérgio Silvestre, vice-presidente da empresa, momentos antes de o diretor de marketing da NOS cumprimentá-lo.

Um lugar na feira custa cerca de 1380 euros por metro quadrado. Um stand pequeno, como é o da Tech Fuzzion, tem 15 metros quadrados. Para conseguir um lugar no MWC, no fundo de um corredor, sem qualquer visibilidade, esta startup pagou mais de 20 mil euros. Mas o investimento mais do que compensa.

No caso da WeDo Technologies, que tem como clientes 180 operadoras móveis de mais de 90 países e que espera ultrapassar este ano os 90 milhões de euros em volume de negócios, “basta ter uma oportunidade de negócio para que o investimento esteja pago”. Para a Tech Fuzzion, que só nasceu há dois anos, é diferente. “Viemos apresentar a marca a futuros parceiros de negócio”, explica Paulo Branco, diretor de marketing da fabricante acessórios de telecomunicações e eletrónica. O investimento “é uma pequena brutalidade”, mas Paulo Branco não tem dúvidas de que vai conseguir estabelecer contactos com distribuidores interessados nos produtos da Tech Fuzzion. Até porque, em apenas dois anos, a startup já conseguiu reunir confiança junto de grandes empresas: vão ser os primeiros no mercado português a ter capas para tablets licenciadas pela Disney e, no ano passado, atingiram um volume de vendas de 700 mil euros.

Contactos é a palavra chave. Nos quatro dias da feira, a iMobileMagic conseguiu estabelecer 150 contactos. “Destes, 20 serão oportunidades que poderão gerar negócio. É um funil normal”, avalia Marco Leal, CEO e co-fundador da empresa que criou a solução cloud PhoneNear. “Se, destas 20 oportunidades, conseguirmos fechar dois negócios, já será uma participação bastante positiva para nós”, diz. A tecnológica está na feira pelo segundo ano consecutivo e, desta vez, veio mostrar a aplicação Family Safety, que permite saber onde estão os diferentes membros da família – do bebé ao animal de estimação. O Ooredoo, operador móvel com base no Qatar, ficou convencido e fechou negócio com a iMobileMagic.

A TIMWE, que existe há sete anos e há sete anos que vem ao MWC, também não tem dúvidas. “Todas as pessoas da indústria que são relevantes estão aqui nesta semana”, garante Mariana Jordão, corporate strategy director da empresa, que voltou a apostar num stand este ano. “Não queremos aqui as 90 mil pessoas. Queremos aquelas 100 com quem vamos fechar negócios”, diz a responsável, que sublinha ainda o “statement de credibilidade que é estar na feira”.

O MWC foi ainda o momento para duas portuguesas ganharem prémios na área das aplicações móveis. A NearUs e a Surfstoke foram duas das três vencedoras da final europeia do EU Mobile Challenge. “É ótimo este reconhecimento de sermos vencedores entre as melhores ideias da Europa e vermos todo o trabalho que temos vindo a fazer a dar resultados”, diz André Freitas, um dos fundadores da NearUs.

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